segunda-feira, 30 de junho de 2008

Prova de morte


Foi um mail lacónico, escrito em português, francês e inglês.
E rezava assim:

“ Lamentamos informar todos os familiares, amigos e conhecidos que o Sr. ………. faleceu hoje, às 5h30 vítima de paragem cardíaca. A partir das 18h00 estará na Igreja da Parede.”

Apenas isto, mandado para muitos endereços, possivelmente todos os que alguém amigo do Manuel, encontrou no seu computador; endereços de amigos, entre os quais o meu…
E assim se perde um Amigo.

Não consigo compreender como estas coisas acontecem…

Ontem, eu dizia que tinha ido ao arraial fazer uma espécie de “prova de vida”, hoje alguém me enviou uma “prova de morte”!!!!

Até sempre, Manuel.

domingo, 29 de junho de 2008

Prova de vida


Ontem, Dia do Orgulho Gay, resolvi, sair do meu habitual “estado de hibernação” no que respeita à frequência de locais e manifestações gay e fui assistir à Marcha LGBT de Lisboa, a qual não via há já uns anos, e pela noite dei uma saltada ao Terreiro do Paço e participei no Arraial do Pride 2008 de Lisboa.
Quanto à Marcha surpreendeu-me positivamente nalguns aspectos e negativamente noutros; nos primeiros destaco o razoável aumento de pessoas que desfilaram, bastante mais do que eu já tinha visto, e segundo informações, terá sido mesmo a mais participada Marcha até hoje; e destaco o elevado e muito agradável (como postura) número de participações femininas (parece que as lésbicas estão finalmente a ganhar um rosto na sociedade portuguesa); ainda a registar alguma organização no desfile. Os aspectos negativos vão uma vez mais para o eterno problema da representação masculina: eu não me sentiria bem naquele desfile, pois não me integro em 90% dos participantes da marcha; à excepção de poucos, muito poucos homens, que não poderiam nunca ser catalogados como gays, a representação masculina na marcha era composta por activistas do Bloco de Esquerda e pessoas que à distância se poderiam marcar como gays. Não posso nem quero dizer com isto que a Marcha não os integre, antes pelo contrário; mas e onde estavam os homens comuns que são homossexuais e que são muitos, deste país? Já sei, que eu próprio deveria dar o exemplo, mas sentir-me-ia ridículo, ali sozinho a desfilar, só porque sou gay…
Se visse, como vejo lá fora, grupos maciços de homens comuns a participarem descomplexadamente nas marchas, eu não me sentiria complexado e teria desfilado normalmente, até porque não tenho o menor receio de mostrar como sou – este blog é disso exemplo! E é curioso, que eu não vi um, um só, dos meus amigos, dos que conheço da blogosfera e dos outros, bastantes, que conheço e são gays, a desfilar; qual a razão? Possivelmente a mesma que eu invoco. E depois o folclore habitual dos travestis e drag queens; sim, lá fora também os há, mas são naturais, têm uma postura de gozo com o que estão a fazer ao contrário daqui, em que o mais importante é a “postura” para as fotos dos curiosos e principalmente dos media.
Uma palavra final para uma das frases mais gritadas e que, com toda a carga irónica que lhe quiseram dar, resultou, para mim num dito pouco feliz: “homem verdadeiro é o que leva no pandeiro”; é dar trunfos à homofobia, quer-me parecer…

O Arraial foi diferente, aí encontrei o tal ambiente que faltou na Marcha; senti-me perfeitamente integrado no meio de tanta gente de uma heterogeneidade de posturas enorme e em que nada parecia ficar mal, desde pessoas a beijar-se sem problemas, a conversas de grupos animadas, a “bichices” divertidas, etc.
Encontrei imensa gente da blogosfera e encontrei muitos amigos a amigas, desde os mais chegados aos menos íntimos e é curioso que, devido à minha ausência do “meio” nos últimos tempos, este foi um dia, melhor dizendo, uma noite que funcionou para mim, quase como uma “prova de vida”!

Que falta fizeste ali, meu querido e nunca esquecido Déjan!!!!!!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Bandeira arco-íris



Foi a 25 de Junho de 1978, durante a Marcha Gay de S.Francisco, que a bandeira arco-íris, foi desfraldada pela primeira vez. Foi Gilbert Baker, um jovem artista militante que inventou este símbolo de reconhecimento da comunidade homossexual. Numa entrevista recente dada ao jornal inglês “The Independent”, Gilbert Baker declarou: «Em 1978 quando pensei em criar uma bandeira para o movimento gay, só existia um outro símbolo internacional para nós, que era o triângulo rosa, que os nazis tinham utilizado para identificar os homossexuais nos campos de concentração. E embora o triângulo rosa continue a ser um símbolo poderoso, ele foi-nos imposto.»
Gilbert Baker evoca depois o momento em que ele viu pela primeira vez a bandeira, nas ruas de S.Francisco: «Lembrar-me hei sempre de Harvey Milk(*) debaixo da bandeira arco-íris gigante que flutuava por cima da multidão. Foi um momento incrível de alegria, e todos nós sentimos que iríamos mudar o mundo.»

(*)- Harvey Milk foi "supervisor" do Mayor de S.Francisco, mais tarde assassinado; está a ser feito um filme sobre a sua vida.


Para comemorar os 30 anos da bandeira arco-íris, a célebre marca de vodka Absolut, pediu a Gilbert Baker para criar uma uma garrafa com as cores da bandeira.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Poesia e prosa "new look"


Ah Camões

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer"
Ah Camões
Se vivesses hoje em dia
Tomavas uns
Anti-piréticos
Uns quantos analgésicos
E Xanax ou Prozac para a depressão
Compravas um computador
Consultavas a página do Murcon
E descobririas
Que essas dores que sentias
Esses calores que te abrasavam
Essas mudanças de humor
repentinas
Esses desatinos sem nexo
Não eram feridas de amor
Mas somente falta de sexo.

Análise do poema de uma aluna de 16 anos da Escola C+S da Rinchoa


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Eu quero viver a minha próxima vida ao contrário: Começo morto e livro-me disso. Depois acordo num lar para a terceira idade, sentindo-me melhor cada dia que passa. A seguir sou expulso, por estar demasiadamente saudável. Gozo a minha reforma e recebo a minha pensão de velhice. Então, quando começo a trabalhar, recebo um relógio em ouro como presente logo no primeiro dia. Trabalho 40 anos, até ser demasiadamente novo para trabalhar. Vou para o liceu e bebo álcool, vou a festas e sou promíscuo. Depois vou para a escola primária, brinco e não tenho responsabilidades. Transformo-me então num bebé e passo os últimos 9 meses a flutuar pacifica e luxuosamente, em condições equivalentes a um spa, com ar condicionado, serviço de quartos entregue por cabo, e depois...

Acabo num grande orgasmo.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Pinguim por si próprio


Respondendo ao desafio do Ypslon, aqui apresento seis das características que julgo serem mais evidentes na minha pessoa, apesar de achar que deveriam ser os outros a opinar sobre o assunto:
TEIMOSO – Quando se me mete algo na “tola”, não descanso enquanto não resolvo o
assunto.
LAMECHAS – Deve ser defeito de família, sou de lágrima fácil e comovo-me com uma
facilidade extrema.
EXTROVERTIDO – Não consigo guardar as opiniões, os sentimentos, as ideias e até as
emoções; sou tudo menos um actor de teatro e serei sempre um
péssimo jogador de póker .
AMIGO – é uma característica fundamental da minha pessoa; para mim, um Amigo é
tudo e por ele faço o impossível ; mas sou muito exigente também com os
meus Amigos .
PESSIMISTA – Por incrível que pareça sou-o; ao princípio penso sempre o pior, talvez
como defesa própria ; depois vou ganhando confiança e até consigo por
vezes parecer optimista.
CALMO vs NERVOSO – Sou extremamente nervoso nos pequenos acontecimentos do
. dia a dia; e consigo ser de uma calma incrível, nos chamados
grandes momentos.

Passo este desafio ao Paulo (Felizes juntos), Sócrates da Silva (Castelo de areia), Sitio Peludo, Miguel (Um voo cego a nada) e Keratina (Vícios e Realidades)

sábado, 21 de junho de 2008

Passado e presente: 3 - Recordações da minha terra (1)


Esta foto representa, hoje, uma moderna residência universitária, situada numa zona da Covilhã, denominada Sineiro, onde havia bastantes unidades fabris, hoje quase todas encerradas, e as quais grande parte foram adquiridas pela UBI (Universidade da Beira Interior), que naquela zona da cidade estabeleceu um outro polo dos seus serviços. Naquele edifício, gastei eu 13 anos da minha vida profissional, desde o início de 1980 até ao final de 1993, pois era aqui que funcionava a empresa têxtil da minha família. Foi fundada, noutro local, e com menores dimensões, pelo meu Avô, nos anos 30 do século passado e o qual com a ajuda dos seus dois filhos varões, meu Pai e meu tio, a fizeram crescer, e que se desenvolveu muito durante o período da guerra. Era uma unidade fabril de média dimensão, na óptica do nosso país, com mais de uma centena de trabalhadores, distribuídos pelas diferentes secções de cardação, tecelagem e fiação, sendo esta, à altura uma das melhores do país, e permitindo mesmo prestar serviços a outras unidades; para ser uma fábrica vertical, faltavam as secções de ultimação e tinturaria, serviços que eram prestados a todas as empresas da cidade por meia dúzia de fábricas especializadas nesses serviços. Os serviços de armazém e administrativos funcionavam no edifício principal, no piso superior. Perante a insistência de meu Pai, acabei por abandonar o ensino, e juntar-me ao núcleo familiar que ali trabalhava, entretanto alargado a uma irmã e a um irmão meus. Apenas acedi nessa altura, pois já não trabalhava lá o meu Avô, pessoa que admirei, pela sua determinação e iniciativa, mas com o qual nunca seria capaz de trabalhar, pelo seu feitio de mando, sem diálogo, à boa (má) maneira do seu tempo. Foi uma luta grande a que travei ali, principalmente nos últimos tempos, após o falecimento de meu Pai, pois tive que ocupar funções de gerência, acumuladas ás de director comercial e responsável pois de todo o escoamento da produção, sendo estas funções do meu agrado, pois se adaptavam ao meu espirito de trabalho.Só então, e já numa altura de grande crise no sector, vivi por dentro os inúmeros problemas da empresa, quase inventando o dinheiro para tudo pagar, quer ao pessoal, quer ás compras de matéria prima, quer ás obrigações fiscais e ainda os serviços prestados de acabamento e tinturaria. Além do mais, começou a haver uma forte clivagem entre o bloco constituído por mim e meus irmãos, com o meu tio, que comigo compartilhava a gerência, mas parecia alheado a todos estes problemas, pelo que perante um confronto absolutamente imprescindível, tipo “ou ele ou nós”, resolvemos ceder as nossas partes e deixámos a empresa, tendo eu regressado ao ensino. A empresa durou apenas mais 2/3 anos, mas poupou-me a uma sempre muito dolorosa decisão de encerrar a empresa. Numa recente visita à Covilhã, e num encontro casual com o Reitor da Universidade, tive a oportunidade de lhe falar no meu gosto de visitar a agora belíssima e enorme residência universitária, uma das várias que a Covilhã possui, ao que ele simpaticamente acedeu, de imediato, mas ficou tal visita adiada, por se estar em período de férias natalícias. Apenas uma explicação, necessariamente breve, para tentar explicar a transformação da Covilhã, de um importante polo da indústria de lanifícios, sendo mesmo conhecida pela “Manchester portuguesa”, para uma cidade essencialmente universitária e de turismo. É que, com os aumentos salariais, após o 25 de Abril, mais que justos, pois era uma indústria extremamente mal remunerada, tornou-se impossível continuar a praticar preços concorrenciais, quer no mercado nacional, quer essencialmente no internacional, que estava em franca expansão, principalmente depois das adesões à EFTA e depois ao então Mercado Comum. Assim, como exemplo, se num ano, a flanela fabricada na nossa empresa ganhou um concurso e foi eleita para fornecer o Catálogo Redoute, o que proporcionou consideráveis aumentos de produção, no ano seguinte, esse contrato não foi renovado, pela impossibilidade de acompanhar o preço oferecido por uma empresa marroquina; isto mostra, de um modo assaz simplista que a indústria têxtil é quase sempre corolário de um país do terceiro mundo, com mão de obra muito mal paga. Aliás, Portugal e a região covilhanense, em particular, viveu um “boom”, quando da falência das empresas francesas, primeiro e das espanholas a seguir, nas décadas de 70 e 80. E perdeu toda a sua força, e continua a perder, agora mais no sector da confecção, quando a deslocalização se começou a fazer sentir, com o peso da concorrência de empresas do norte de África e especialmente do extremo oriente, que pagavam e pagam salários de miséria, apresentando preços incomportáveis para as nossas empresas. O problema agudizou-se ultimamente com o diferendo entre a Comunidade Europeia e a China, pois a indústria têxtil chinesa, hoje em dia, ameaça seriamente toda a produção ainda restante das grandes empresas europeias comunitárias, e estas sim, têm peso para fazer valer os seus direitos, nãio esquecendo as preocupações americanas neste caso, também. Enfim, mais uma página de nostalgia, desta vez alargada a alguns problemas genéricos da indústria têxtil actual.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Peggy Lee

Peggy Lee (26 de maio de 1920 – 21 de janeiro de 2002) foi uma cantora e compositora americana de jazz e pop tradicional . Norma Deloris Egstrom seu nome de origem, nasceu em Jamestown, Dakota do Norte. Conhecida como uma das mais importantes influências musicais do séculos 20, Lee é citada como inspiração para vários artistas, como Bobby Darin, Paul McCartney, Bette Midler, Madonna, k.d. lang, Elvis Costello, Dusty Springfield, Dr. John e muitos outros. Como compositora, colaborou com seu ex marido Dave Barbour, Sonny Burke, Victor Young, Francis Lai, Dave Grusin, John Chiodini, e Duke Ellington, que dela disse "If I'm the Duke, then Peggy's the Queen." ["Se eu sou o Duque, então Peegy é a rainha."].Como actriz, foi nomeada para um Oscar pelo seu papel em “Pete Kelly's Blues”.
Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Judy Garland, Dean Martin, Bing Crosby e Louis Armstrong todos citaram Lee como um de seus cantores favoritos.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Desafio: PASSA-O-TEXTO-A-OUTRO-BLOGUEIRO-E-NÃO-AO-MESMO


Tal como refere o regulamento (ver no blogue do ÿpslon -20 de Maio), o objectivo é construir dois textos com alguma coerência, seguindo dois fios condutores lógicos e um estilo livre. O início dos dois textos é o mesmo, mas cada história será escrita por pessoas diferentes, evoluindo assim de forma distinta. Cada texto será composto por 10 parágrafos (ou 10 pedaços de texto) escritos por 10 pessoas que possuam um blogue e que, acrescento eu, possuam uma boa dose de imaginação.O seguinte texto foi portanto iniciado pelo ÿpslon, continuado pelo voyager, posteriormente pelo Mário, ainda pelo Zeh e finalmente pelo Will tendo assim chegado às minhas mãos que entretanto se dedicaram a escrever o 5º.parágrafo, o que nos leva a este ponto da história:


Aquela manhã de nevoeiro disperso estava a acordar aos poucos. Tal como aqueles olhos que iam abrindo de mansinho, a medo, e ficaram focados na janela gigante que dava para a praceta onde permanecia uma estátua de um qualquer marquês. Pôs-se de joelhos, com as mãos amarradas atrás das costas, e levantou um pouco a cabeça. Torceu todo o corpo para a esquerda e só então conseguiu lembrar-se do que tinha acontecido.


ÿpslon, http://www.vitaminay.blogspot.com/


As imagens começaram a surgir-lhe na mente como num filme. A viagem até aos arredores da cidade. O prédio já extremamente degradado, vizinho dos sem-abrigo deitados pelo chão, naquela rua apática e sombria. O apartamento do 3º direito e a primeira impressão da Delfina, senhora tão afável e generosa. E a razão que o trouxe ali. Os flashes. Episódios quase surreais que a sua memória queria apagar, mas a sua consciência teimava em fazer virem à tona. Aquela humilde personagem especada à sua frente, franzina e com ar tão agradavelmente maternal, parecia realmente a personificação da solução para os seus problemas e devaneios recentes. Como as aparências iludem…


Voyager, http://www.life-from-inside.blogspot.com/


O Sol continuava a subir iluminando lentamente a rua ao fundo, a praça, o prédio, a sala, a cara e também a mente de Abel que recuperava o seu equilíbrio e via-se gradualmente livre daquele inebriante zumbido sensorial. À esquerda, no canto escuro da sala, numa poça de vermelho-vivo como pano teatral, revelava-se, subindo na luz matinal, uma cena surreal: Ali jazia a Sra. Delfina, sem roupa nem vida, com um punhal ritual espetado no peito. Abel encontrava-se surpreendido, aterrorizado, abismado, congelado. Ciente do impacto causado, a sádica luz decidiu continuar a torturá-lo e subiu ainda mais um bocado. Na parede branca, da escuridão, a vermelho sangue surgia: "Não te livras de mim assim" por baixo assinava: "Caim"


Mário, http://www.omeuoutroblog.blogspot.com/


A memória de Abel recua quatro anos num segundo, altura em que pela primeira vez ouvira aquele nome, desenhado pelos lábios de uma atraente rapariga “Caim, espera, estou a chamar-te há horas – não me ouves?” que, não esperando por uma resposta, apressa o passo até o alcançar e o beija com um fervor desconhecido, lábios nos lábios, língua na língua. Abel sente-se desorientado, no presente e há quatro anos, confuso pelo cheiro do sangue espalhado naquela sala e pelo perfume do cabelo daquela rapariga que o trata por um nome que não é o seu. Levantando-se lentamente, apercebe-se das mãos ainda amarradas e observa, com a cabeça a latejar, a sala em que Delfina agora jaz inerte, procura no nevoeiro que é a sua mente memórias que o ajudem a perceber a cena com que se confronta, mas tudo o que recolhe são os já habituais flashes de luz e cor, sensações de raiva e impotência que lhe consomem as energias do corpo e que o forçam a procurar apoio numa das cadeiras que ainda se mantêm em pé por entre confusão que reina na sala. Esgotado, senta-se desconfortável enquanto se apercebe do sangue espalhado pelo próprio corpo e, sem saber identificar se o vermelho é seu ou apenas parte da sala ensanguentada, fecha os olhos e com a escuridão sente regressar novamente o perfume delirante do cabelo e daquele beijo apaixonado, enquanto mãos suaves mas firmes se aproximam por detrás dele, aliviam os nós que lhe amarravam as mãos e, por entre a sensação inebriante que preenche aos poucos os seus pulmões lhe acariciam as costas e o pescoço, por entre beijos lascivos, e lhe segredam aos ouvidos: “Caim, amor… está feito!”.


zeh, http://www.manualdoserhumano.blogspot.com/


Estas palavras transportam Abel àquele dia de há quatro anos antes. Àquilo que, na altura, lhe pareceu uma incrível coincidência. E depois o efeito envolvente do perfume de Carmen, a forma como aquele aroma lhe abrasava o sangue, a conversa fluente que o arrastou para uma noite que seria a primeira de muitas... As mesmas noites em que foi percebendo que Carmen não era uma mulher vulgar. Na verdade, estava bem longe de o ser...


Will, http://looking-for-grace.blogspot.com/




E realmente Carmen nunca poderia ser uma mulher qualquer; só uma mulher muito especial o conseguiria levar ali naquela noite e em tantas outras, a ele que pertencia a um “outro mundo”. Talvez daí a confusão entre os dois nomes, Caim e Abel, as duas faces do seu “eu”…E toda a simbologia daquela cena, do sangue, das mãos atadas o fizeram pensar em castigo, castigo por ser diferente…


E como faz parte do regulamento passar este desafio a outro blogueiro, escolhi o Luís Galego , http://infinito-pessoal.blogspot.com/,que estou certo saberá dar uma dimensão bastante boa a esta história e o qual convido a ler antes, o regulamento.
Abraço ao promotor do desafio, a todos os participantes e à "vítima".

terça-feira, 17 de junho de 2008

O tempo...novamente


Eis que chegou o dia em que o tempo foi mais veloz que a vida! Mais uma vez…
Até quando esta dependência do tempo, que agora entra na inversa marcha da lentidão ???
Claro que a partida é “apenas” física e que mais vale a separação que a não existência dos factos que agora provocam dor; mas de que vale saber isso, se a dor é grande e os espaços, agora apenas preenchidos por mim, têm a tua“presença” e o teu cheiro…
A região de Milão espera-nos lá para a terceira semana de Outubro; tanto tempo, direi eu, dirás tu…talvez não demasiado para a eternidade do nosso Amor…
E agora a rotina: os telemóveis, o MSN, a comunicação do nosso dia a dia e o tempo, sempre o tempo a escoar lenta, muito lentamente…

Aproveito para deixar aqui uma saudação do Déjan a todos os amigos e amigas com quem contactou pessoalmente e também para todos os que por palavras amigas nos mostraram a sua Amizade.

domingo, 15 de junho de 2008

A saúde em Portugal


Regressei mais cedo do Algarve, pois por estranha coincidência, me marcaram duas consultas externas para o mesmo dia, uma de manhã e outra à tarde; ambas tinham sido pedidas há meses.
Para mostrar ao Déjan o funcionamento das consultas e como eram os hospitais aqui em Portugal, pois ele está a acabar Medicina, ele foi comigo…
A primeira consulta, de ortopedia estava marcada para as 9 da manhã no Hospital Ortopédico da Parede, mas rezavam as instruções, deveria estar lá, meia hora antes; apresentei-me à hora solicitada e fui atendido…às 11,25, pois o médico chegara atrasado!!!
Já desesperava, mas as notícias da minha artrose num joelho não foram de molde a preocupar-me, sendo as dores sentidas ultimamente, provocadas por uma tendinite no joelho, bem localizada e para a qual fui medicamentado e estou a melhorar; sei também que deverei fazer fisioterapia de preferência numa piscina – do mal o menos.
Vim a casa, e almocei a correr, pois a consulta da tarde no Hospital Amadora/Sintra estava marcada para as 13,40 e era de Urologia, para aquilatar da eventual necessidade de uma cirurgia à próstata; depois da seca da manhã, a antipatia da funcionária administrativa não fazia adivinhar nada de agradável. Pois esperei, esperei que algum dos três médicos a dar consulta se dignasse a chamar por mim, mas nada; sai um, após as suas consultas, sai outro, da mesma forma e quando sai do gabinete do terceiro médico o último paciente, a minha impaciência já era “raiva” e só esperava ouvir finalmente o meu nome; espanto dos espantos, vejo o médico a fechar o gabinete, eram 18,35 (!!!!); e perguntei-lhe meio estúpido, meio incrédulo: “Então e eu, doutor?”
O doutor, meio enfadado perguntou-me o nome e ao ouvir a resposta referiu com muita calma que a minha ficha lhe tinha passado pelas mãos, mas julgava que entretanto tivesse sido visto por algum colega…Contrariado, voltou ao gabinete, voltou a abrir o computador e enfim começou a consulta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Só não explodi de raiva porque, mais uma vez, o resultado da consulta não levou a certezas sobre a necessidade de cirurgia e voltarei em finais de Agosto (talvez seja melhor ir de véspera).
Como é agradável estar doente em Portugal e não ter fortunas para gastar em consultas privadas…
Acho que o Déjan ficou com uma ideia como é a saúde em Portugal.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Três dias algarvios

A amabilidade da Cristina e da Alice em nos emprestarem o seu apartamento situado perto da praia do Vau, entre a Rocha e o Alvor, levou-nos até terras algarvias.
Depois de uma viagem calma, constatámos que o nosso “pouso” era deveras agradável e fomos jantar tardiamente a Portimão, comer as célebres sardinhas assadas, debaixo da velha ponte.
No dia seguinte depois de um passeio pela Rocha, sempre bela e muito animada, rumámos para oeste e fomos almoçar a Armação de Pêra, junto à praia dos Pescadores; daí, um salto e estávamos na cosmopolita Albufeira que o Déjan adorou e onde estivemos um par de horas na praia, sem que ele tivesse a “coragem” de se meter completamente na água, devido a “estar fria” (os maus hábitos das praias adriáticas, sempre mornas). Ainda lhe mostrei a ostentação de Vilamoura e regressámos a casa para, após um bom banho, irmos jantar à Rocha e irmos depois beber um agradável “Irish Cofee” a um animado pub irlandês.
Na manhã seguinte fomos encontrar-nos com o meu maior amigo de infância, que há longos anos vive e trabalha na zona de Lagoa, sendo ele e a mulher ambos médicos; matámos saudades de palavras e afectos e dirigimo-nos para este, desta vez; um bom almoço em Lagos e depois fomos à Ponta da Piedade e fomos conhecer a tristemente célebre mas encantadora Praia da Luz, onde estivemos na praia (o calor era muito) e desta vez o Déjan teve a coragem de tomar um banho de corpo inteiro. Regressámos a casa e fomos jantar num bom restaurante perto, mas muito cansados, pelo que fomos cedo dormir.
Tivemos que madrugar um pouco, para deixar o apartamento em condições, pois ainda íamos visitar Sagres e o Cabo S. Vicente, antes de regressar a Lisboa, pela costa vicentina; esperámos quase uma hora para abastecer o carro e lá fomos ao famoso promontório e ao cabo referido. Escolhemos a linda praia de Zambujeira do Mar para almoçar e como não queríamos perder o jogo de Portugal, acabámos por assistir a ele num écran gigante numa área de serviço, perto de Alcácer do Sal.
Satisfeitos com o resultado e com estes dias no Sul, chegámos perto da hora do jantar a casa; apesar disso eu já pensava no louco dia que iria ter no dia seguinte, ou seja ontem, dia 12, mas isso fica para outro post.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Já lá estamos...

Sim, já lá estamos, nos quartos de final do Europeu de 2008; e nós já cá estamos, regressados de três belos dias por terras algarvias.
Mas hoje gostaria acima de tudo de falar da tarde e noite do passado sábado, dia do arranque do Campeonato Europeu de Futebol, em que com o duplo pretexto de ver o primeiro jogo de Portugal, contra a Turquia (que ganhámos por 2-0) e de que o Déjan pudesse conviver um pouco com amigos, alguns dos quais já conhecia, amigos de há muitos anos meus, e outros que ainda não conhecia, (algum pessoal dos blogs), reunimo-nos aqui em minha casa, no terraço, 20 amig@s, e passámos um belo bocado, sendo um dos pratos fortes o jogo, está claro, e outro um belíssimo bacalhau com natas, encomendado fora, pois não me apeteceu mìnimamente cozinhar…
A sangria, estava óptima e os “aperitivos” também souberam bem; a mousse da Keratina e o pudim de ananás do Tonghzi, estavam uma delícia.
Após o jantar e aproveitando a noite muito boa que estava, ficámos numa agradável cavaqueira; foi pena não reunir mais gente, mas não havia possibilidade de sentar mais gente…
Hoje no regresso do Algarve, que em próximo post relatarei, vimos, eu e o Déjan, o jogo com a República Checa, numa área de serviço da A-2, pois não havia tempo de chegar a casa e claro que vibrámos com a nova vitória portuguesa.
Força Portugal!!!

domingo, 8 de junho de 2008

Rock in Rio

Lá chegou finalmente o tão ansiado momento para o Déjan: a noite do Heavy Metal no “Rock in Rio”, e em que além de actuarem outras bandas, actuavam os “Metallica”, e principalmente ele iria concretizar um grande sonho, que era conhecer e conviver com os elementos da banda; isso aconteceu por ele ter tido a sorte de ser um dos seleccionados (apenas oito) para esse efeito.
Pela primeira vez, neste blog, o texto, as fotos e a música, não serão da minha autoria, será o Déjan, o dono do blog, para este post.


Wow…From where to start right now…
I have to say that the concert was after 2 wonderful days in Porto, where we met and had a dinner with some of good friends. Just as we returned, 10 minutes after we sat down in the car and went to the Rock in Rio.
I was pretty much tired but very excited cause after 20 years one of my dreams came true - to meet Metallica personally.
Something I was dreaming since was a kid , so in one way should happened 10,15 years ago, but of course it doesn’t mean that my heart wasn’t full of happiness (not sure about João ...)
Before we entered the concert I met with “Special K” and it was my pleasure to introduce such an expert of music and spend the rest of the day with him. As soon as we entered the concert area we have found a place where we had a good view of the stage.
Show was started exactly at 19:00 and was opened by Moonspell. I'm not a big fan of this group (like only a couple of songs) but I think they are very high quality and thay worth definitely better timing then the opening of the festival.
After them appeared Apocalyptica. This heavy/classic cello band from Finland reinforced by drums, once again showed (at least to me) that a combination of classical music and heavy metal can be a very good combination, in studio and live.
After that, it was a row of Machine Head, which I had to miss because I had a more important meeting - meeting with Metallica!
What to say ... Just to shake hands with them, take some pictures and exchange a few sentences was a real pleasure, and my heart was filled. An hour has passed as a minute, during which time they played Machine Head and how could I hear behind the stage, very brutal.
Metallica is came on the stage at midnight and played for 2 hours and 10 minutes. Setlist could be better but I am not really the right person to be sorry because my dream is fulfilled.
As much as “Special K” and me enjoyed so much, I am sure that João was suffering on the other side and counting song by song waiting for the end of the concert. When the gig was over we just hardly waited to take our bed because fatigue was a great so that I could not even talk.
Thanks Metallica, thanks “Special K”, thanks Portugal… and of course
mainly thanks to moe Chako Pako!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Porto sentido...


Quando o Expresso chegou à Batalha, tivemos a primeira surpresa, pois além da já prometida presença da Duxa, encontrámos o amigo Catatau, a dar-nos as boas vindas e a estender a “passadeira vermelha”, que marcou sempre a nossa presença na capital do Norte.
A Duxa acompanhou-nos num almoço tardio ali mesmo numa ruela, numa semi tasca onde saboreámos umas pataniscas de bacalhau com arroz da água do feijão e após o repasto iniciámos o nosso passeio pedestre pelo centro do Porto, e que a partir quase logo do início teve a companhia muito simpática da Ana; claro que a deambulação pelos famosos ex-líbris do centro do Porto, tiveram duas paragens especiais: no Majestic, para um “cimbalino” e depois na livraria Lello, dois sítios emblemáticos que qualquer cidade do mundo não se importaria de possuir. Regressados ao carro, rumámos à Foz., onde retemperámos forças numa agradável esplanada mesmo junto ao mar; fomos depois buscar o Luís e seguimos para o cais de Gaia, depois de atravessarmos a ponte de D. Luís; aí chegados, logo encontrámos o par de “bears”, o Teddy e o Litlle, e fomos procurar pouso para o jantar, que acabou por recair num restaurante despretencioso e que pareceu simpático, o “Adão”, onde veio ter o Catatau, e os oito convivas comemos maravilhosamente um extraordinário polvo com gambas e amêijoa, bem reagdo com tinto do Douro; ainda houve tempo para “deitar abaixo” uma jarra de sangria, numa outra esplanada, antes de nos deixarem no nosso ninho portuense destes dois dias, a bonita e muito bem situada casa do Luís e do Gonçalo, que entretanto, regressado do trabalho, apresentei com prazer ao Déjan.
Depois de uma noite bem dormida (!), fomos ver a Casa da Música, numa visita infelizmente rápida e estreámo-nos no metro do Porto, rumo ao Dragão, numa visita que não foi do meu inteiro “agrado”, por razões bem conhecidas, mas a paixão do Déjan pelo futebol, ali nos levou e aí reencontrámos a nossa incasável guia, a Duxa, que nos mostrou uma das suas bonitas lojas, que partilha com a Ana, e fomos visitar a Ribeira e ali almoçarmos; mas os restaurantes são demasiados turísticos para o meu gosto e bolso, pelo que resolvemos e bem, voltar ao “local do crime”, ou seja ao “Adão” do jantar anterior e comemos umas incontornáveis tripas (o Déjan deliciou-se com uns rojões) a um preço deveras simpático; após o almoço ainda no cais de Gaia, deu para espreitar umas caves do mais famoso vinho português e seguimos para visitar o Palácio da Bolsa, o que não chegámos a fazer, pois a próxima visita, sempre guiada, tardava, e fomos ver uma das igrejas mais bonitas do mundo, no estilo barroco, a Igreja de S. Francisco..
Logo depois demos a o passeio habitual na marginal, desde a Ribeira até Matosinhos e depois despedimo-nos da querida Duxa, em Serralves, onde eu e o Déjan ficámos; daí num passeio(?) pedestre fomos até à “nossa casa” onde o Luís nos preparou um óptimo jantar - finalmente o Déjan comeu peixe – e pusemos a conversa em dia…
Esperámos pelo Gonçalo, pois havia que levantar cedo porque o Expresso nos aguardava para o regresso a Lisboa e ao…Rock in Rio (oh meu Deus!!!!!!), mas isso fica para amanhã e será da responsabilidade do Déjan…
Uma vez mais, um imenso obrigado a todos os amigos do Norte, que foram realmente amigos, com um especial agradecimento à generosidade da Duxa e à hospitalidade do Luís e do Gonçalo. De registar a simpatia das ofertas para o Déjan, de uma garrafa de um belíssimo Douro, com dedicatória em inglês e tudo, dos Bears, que realço uma vez mais, se deslocaram de propósito para jantarem connosco e da camisa dos Metalicca que o Catatau trouxe de surpresa para lhe dar.
A todos vós, Amigos do Norte, um bem hajam enorme!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Rumo ao Porto


O Déjan chegou, estamos felizes e pouco há a dizer além de toda a felicidade que nos invade; amanhã, vamos até ao Porto, pois quero mostrar-lhe essa linda cidade; e vamos ter companhia de luxo, pois além do Luís e do Gonçalo, que amàvelmente nos acolhem na sua casa, vamos ter a simpatia da Duxa, que nos irá servir um pouco de cicerone, e a companhia além deles do Catatau , do Teddy e do Litlle Bear e da Ana Abrunhosa, espero, para uma "janta" muito agradável no cais de Gaia.

As notícias virão depois...

domingo, 1 de junho de 2008

Está quase...


Os minutos passam lentamente sem querer dar lugar às horas, e as horas são intermináveis…
Daqui a uma vintena delas, concretiza-se uma vez mais, num beijo ardente a tão difícil arte de amar à distância. Mas apertar-te contra mim, sorrir contigo e sentir o teu cheiro, são prazeres que me parecem ainda só sonhos, tal a intensidade do desejo.
Este ar de enfado com que fiquei na foto, não é senão contra o tempo que nos prega partidas: umas vezes, corre tão lento, noutras é loucamente apressado…
E prometo-te que não levo o gorro ao aeroporto e que mal chegue a casa desembaraço-me das fraldas…
Dobrodosao, ljubav moja!!!