segunda-feira, 29 de junho de 2009

Um fim de semana diferente

E eis que a ansiedade terminou, pois o Déjan chegou bem e lindo como sempre; fomos almoçar ao sempre simpático "Guilho", onde recordei o óptimo "jantar dos bloguistas" e depois seguimos para casa, onde entre beijos e abraços trocámos recordações, entre as quais as célebres alianças, "made in Tunísia";
depois de um merecido descanso fomos jantar a uma daquelas esplanadas nas traseiras dos "pastéis de Belém", com 3 bons amigos

e daí seguimos para o Arraial junto à Torre de Belém, que, apesar de alguma chuva, esteve excelente de gente e de amigos

perdi a conta a quanta gente falei e apresentei o Déjan, apesar de muita malta dos blogs já o conhecer "de vista"; e muita gente ficou por encontrar, pois também não estivémos até muito tarde, pois estávamos completamente feitos num oito...
Hoje, domingo, com o tempo que esteve, só deu mesmo para ficar na boa "sorna" apenas intervalada com uma saída rápida.
Mas há bons planos para os próximos dias...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Neste dia em que te espero


Esperança e desespero de alimento

Me servem neste dia em que te espero

E já não sei se quero ou se não quero

Tão longe de razões é meu tormento.


Mas como usar amor de entendimento?

Daquilo que te peço desespero

Ainda que mo dês - pois o que eu quero

Ninguém o dá se não por um momento.


Mas como és belo, amor, de não durares,

De ser tão breve e fundo o teu engano,

E de eu te possuir sem tu te dares.


Amor perfeito dado a um ser humano:

Também morre o florir de mil pomares

E se quebram as ondas no oceano.


(Sophia de Mello Breyner Andresen «Soneto à moda de Camões»)


Neste dia em que te espero, Déjan, renovo todo o amor ausente, mas sempre presente. És a força da minha vida e sinto-te tão seguro como eu dessa realidade bela que é a entrega mútua de dois corações. Amo-te! Volim te!

domingo, 21 de junho de 2009

Passado e presente 14: "Belgrado - uma cidade, um país, um povo"

Agora que o Déjan está a chegar, e porque nos últimos tempos recebi um comentário de uma amiga que escreve um blog só de viagens, aliás belíssimo, e porque estive a falar com outra amiga que tem ido variadas vezes a Belgrado e conhece bem a cidade e as suas gentes, apeteceu-me “desenterrar” estas duas entradas publicadas no meu anterior blog e “perdidas”, entretanto…Haverá uma outra parte que apenas aqui não ponho para não tornar esta postagem demasiado extensa.
Estas entradas foram originalmente publicadas em 11 e 15 de Novembro de 2006.



"Fui recentemente, pela segunda vez na minha vida a Belgrado, curiosamente uma cidade capital de dois diferentes países, nessas visitas. Há anos, capital da ex-Jugoslávia, no seu imediato pós-Tito, e agora da Sérvia.
Foi uma visita atribulada, essa primeira vez, pois tinha sido infantilmente roubado, durante a noite, na travessia ferroviária desde Atenas, ficando privado de qualquer documentação, do bilhete e de dinheiro, como é óbvio. Assim sendo, foi quase só o tempo ocupado com a ida à embaixada portuguesa, para resolver o problema, e pouco tempo restou para ver a cidade, da qual relembro essencialmente um bonito parque, com uma óptima panorâmica da confluência do rio Sava, que atravessa a cidade, com o Danúbio, que também banha as suas margens.
Recordo, nesses tempos já longínquos, que era a primeira vez que visitava um país da área comunista, pese embora um comunismo pouco ortodoxo e algo terceiro-mundista, à imagem do seu líder até então, o Marechal Tito.
Não foi fácil a comunicação com as pessoas, pois não encontrei muita gente a falar inglês, o francês era praticamente desconhecido e eu, de alemão e russo era e sou completamente ignorante. Ainda por cima, existia um segundo alfabeto, o cirílico, o que para mim era igual a hieróglifos...
Mas, lá me fui "desenrascando", e pude ficar com uma ideia de um país de contrastes, se é que se pode ter a imagem de um país apenas com uma fugaz visita a uma cidade, mesmo que seja a sua capital.
Um povo afável, mas algo fechado e é curioso que fiquei com uma impressão, talvez pouco definida, mas que o tempo, infelizmente se encarregou de me explicar, de que era um povo com alguns problemas...

Voltei a Belgrado em Setembro último, e desta vez aí permaneci quase duas semanas, o que foi suficiente para ficar com uma ampla visão da mesma, visitando os locais mais turísticos, mas também alguns outros menos conhecidos, devido à companhia sempre agradável e conhecedora de alguém que nela habita há vários anos.
É uma cidade de contrastes, confirmei. Alguns prédios degradados convivem, nas principais avenidas, com belíssimos exemplos de uma arquitectura rica e muito bem conservada.
Vasta, na sua área, bastante populosa (perto de dois milhões de habitantes), visitei pela primeira vez, na margem esquerda do Sava, a "nova Belgrado", com as suas amplas avenidas, modernos prédios de habitação, hotéis e zonas comerciais.
Passeei-me pela extensa e sempre muito concorrida, dia e noite, zona pietonal, com uma quantidade e diversidade enorme de cafés, restaurantes e esplanadas aprazíveis.
Recordei locais da minha anterior visita, como a já "gasta" estação ferroviária central, e o alindado parque da cidade, junto aos rios, que continua a ser o local de passeio e visita mais popular.
Fui conhecer o majestoso e previamente auto imaginado mausoléu de Tito...
Vi a enorme catedral de S.Sava, a maior igreja ortodoxa que existe, e que apenas recentemente, teve a sua atribulada construção, finalizada. Mas preferi a simplicidade da igreja de S.Marcos, onde me foi dado observar pela 1ª vez, com alguma minúcia uma religião afinal tão próxima do catolicismo, que por aqui se pratica.
Vivi a cidade , no seu dia a dia e habitei uma das suas principais avenidas, aquela que "ostenta" ainda hoje os sinais de uma acção punitiva, que visou não só Belgrado, mas vastas áreas da Sérvia, essencialmente pontes e importantes unidades económicas do país.Estes bombardeamentos cirúrgicos foram efectuados pela NATO, com o objectivo, atingido, de certa forma, de forçar, em 1999 o então presidente Milosevic a aceitar a permanência das Nações Unidas no Kosovo, situação que ainda hoje se mantém num impasse difícil de resolver.

Mas a contestação interna a Milosevic foi também enorme, e forçou mesmo a sua demissão, após as esmagadoras manifestações populares, que terminaram com o seu abandono do poder em Outubro de 2000.

É lamentável, ver, ainda hoje, numa mesma avenida, prédios esventrados pelos "rockets" americanos, lado a lado com magníficos edifícios governamentais; sinais de uma violência que tanto marcou a Sérvia no final do século passado, consequências de uma guerra fratricida, que a ninguém beneficiou e a todos penalizou.
Emergiram nos Balcãs novos países, alguns de fracas capacidades económicas, outros ajudados pela conivência de grandes potências europeias, com a Alemanha à cabeça, que sempre se opôs à formação de uma "grande Sérvia", e assim nasceu um novo mapa europeu, a juntar ao desmembramento da antiga URSS, no final da década de 90.
O povo, esse, foi quem mais sofreu, como sempre sucede. Mas já tanto tinha sofrido nessa cruel e mortífera guerra, que teve, a meu ver, como primeiro e máximo culpado, mesmo após ter desaparecido, o Marechal Tito, o qual para seu poder pessoal, formou e manteve uma fictícia união de etnias, religiões e viveres, que se chamou um dia Jugoslávia.
Dessa guerra, desses acontecimentos, espero vir a escrever algo, um dia destes.”

©Todos os direitos reservados
A utlilização dos textos deste blogue, qualquer que seja o seu fim, em parte ou no seu todo, requer prévio consentimento do seu autor.

sábado, 20 de junho de 2009

Tem problemas???? Está safo...






Por mail, o amigo Sérgio (A teoria do Kaos), enviou-me, entre outras estas preciosidades.
Aproveitem...
Afinal, nos tempos de crise, rir um pouco é bem salutar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quantos galileus têm que ser mortos?


Não é meu hábito fazer transcrições de textos de outros blogs, e ainda menos, integralmente, embora já o tenha feito uma ou duas vezes, a última foi de um texto do Luís Galego (Infinito Pessoal).

Volto a fazê-lo agora e justifico-o por duas razões, ambas fortes: a primeira, é óbvia, porque se trata de um texto muito bom, bem escrito, actual e com o qual concordo por inteiro. A segunda, porque o blogue que a publicou – “Natcho Box” – é um blog interessantíssimo, a que muito pouca gente parece prestar atenção; pelo menos, parece-me ser eu o único comentador, o que é uma pena, pois o seu autor, um jovem estudante do Porto, parece-me dotado de uma grande cultura e personalidade e tem um âmbito alargado de temas, alguns tratados ao de leve, com frases certeiras e curtas, outros, como o da música, que eu nunca comento, por desconhecimento apenas, bastante desenvolvidos, e de vez em quando com uma exposição fotográfica apurada e exaustiva de certas figuras masculinas que são da sua preferência (eu tenho outros gostos, mas por isso o mundo não cai); enfim, é um blog que merece uma maior divulgação e é com o maior prazer que aqui o apresento.

“É um facto reconhecido o recente fenómeno do crescimento do racismo/xenofobia nos países da Europa Ocidental. Tal fenómeno é visível na crescente visibilidade dos partidos de extrema-direita. O caso da liberal Holanda é prova disso. Mas será que esse súbito (?) crescimento será assim tão recente? Quais as razões que potencializam essa subida da extrema-direita em países tão liberais, como por exemplo, a Holanda?


Detesto iniciar um texto com um cliché mas, em certa parte, é uma realidade: a História é cíclica e tende-se a repetir.
Basta olharmos os factos históricos em todas as suas dimensões – cultural, social, económica – para nos darmos conta que os eventos históricos, no que se refere às ideologias (conservadora/liberal) que transportam, não obedecem a uma linhagem contínua mas antes a uma espécie de ondulação, ora reaccionária, ora libertária.
Da libertinagem sadia dos impérios greco-romanos à ascensão do cristianismo (que se aproveitou e muito bem, das invasões bárbaras), da ascensão do cristianismo e do surgimento da idade das trevas (Idade Média), com tudo a que isso tinha direito (Inquisição, por exemplo) ao Renascimento, do Renascimento à expansão marítima nacionalista dos impérios europeus (com Portugal e Espanha lá no meio), da expansão nacionalista à indagação dos cânones pré-estabelecidos, ao confronto ciência versus religião (O “Contrato Social” de Rosseau), do Absolutismo barroco (Napoleão, Luíses qualquer coisa) ao Iluminismo e à Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), da Revolução Francesa e da queda do Ancient Régime aos nacionalismos bárbaros que desencadearam a I Grande Guerra, da I Grande Guerra à Belle Epoque dos anos 20 (a emancipação da mulher, o álcool, o jazz, o cabaret burlesco), da Belle Epoque à crise económica e financeira do Wall Street em NY, 1930 (o pico da II Guerra Mundial) trazendo consigo a ascensão do nazismo italiano e alemão (Salazar em Portugal, Franco em Espanha, Vargas no Brasil) e uma das piores catástrofes da Humanidade: o Holocausto.

Do Holocausto aos movimentos de contracultura dos anos 60 nos USA (movimento dos direitos civis de mulheres, negros, homossexuais; descontentamento face à guerra do Vietname; ascensão do flower power hippie com os Beatles e Rolling Stones a darem uma ajuda).

Dos movimentos de contracultura à iminência da ameaça nuclear da Guerra Fria, da Guerra Fria à libertinagem sexual dos anos 80 (o punk e o disco de mão dadas, o sexo hardcore e a sida). Já nos anos 80 a direita de Tatcher (UK) e Reagan (EUA) faziam das suas. Depois os anos 90 e os discursos do multiculturalismo. Um 11 de Setembro de 2001 leva um Bush conservador ao poder, Obama barrou-lhe o caminho e agora, uma crise mundial. Está traçado o panorama oscilante onde os acontecimentos considerados mais relevantes da História, focados essencialmente na Sociedade Ocidental, têm lugar.

É uma visão estruturalista, eu sei, mas faz algum sentido. Esse sentido nas coisas nos levanta uma questão crucial: o que é que o futuro nos reserva? Não vou recorrer da Maya para pressupor uma série de coisas mas posso sempre tentar.
Ficamos no ponto da Crise Mundial. Partamos dela para nos aventurarmos na sempre irreverente ciência da futurologia e elaborarmos as possibilidades de um cenário.

A crise do Wall Street dos anos 30 estabeleceu as condições necessárias para a ascensão do nazismo na Alemanha e na Itália. Uma análise mais crítica e desconstrutivista permitia-nos concluir que um dos culpados dessa crise foi o capitalismo mas não. A população estava demasiada revoltada e não tinha tempo para reflexões, precisava de respostas rápidas, urgentes, concretas e eficazes.
A somar a essa realidade, uma população sem emprego, pobre, descontente, revoltada precisava de um bode expiatório. De preferência, um grupo minoritário que contrarie a norma dominante. Hitler sugeriu um: os judeus.

Hitler não era burro. Os judeus tinham jeito para os negócios, logo, dinheiro (aliás, esse é um dos estereótipos mais comuns associados aos judeus, naquela época). De referir que o estado alemão precisava de dinheiro para concretizar os planos militaristas do seu tresloucado líder, na sua ganância para conquistar o mundo.

Curioso que os novos yuppies do século XXI sejam agora os homossexuais (a importância crescente do comércio rosa e as críticas do extrema-direita aos homossexuais chamando-os de lobby – como o lobby judeu –), mas os homossexuais tem essencialmente uma imagem, deveras, clean e capitalista para serem o alvo preferencial dos grupos neonazis actuais embora a crescente mobilização e aquisição de direitos fundamentais para os homossexuais como o de casar e o de constituir família torna-os uma ameaça (preservação da família tradicional, valorização do aspecto biológico para a manutenção da herança genética).

Continuando nos judeus. Se dantes eram os judeus, agora é a Islamofobia que guia cegamente os movimentos neonazis. Aumenta o fosso sociedade decente (= ocidentais; não árabes) vs sociedade primitiva (= muçulmanos).

A crise faz reaparecer os discursos pró-salazaristas. Basta irem de bus e reparam. Discursos como “esses imigrantes vêem para aqui roubar os nossos empregos” são o prato do dia. Eles são sempre os responsáveis pela crescente onda de violência (carjacking, crimes da noite, assaltos violentos a joalharias, supermercados, farmácias, bancos e estações de serviço) mesmo que os estudos nos provem o contrário.
Em suma, as crises económicas potencializam discursos reaccionários de direita. Mesmo que perante as evidências a possibilidade da culpa seja do capitalismo desregrado e irresponsável. Mesmo que os estados não hesitem, um segundo se quer, a nacionalizar os bancos para salvaguardarem a economia.

Não há valores morais quando a base para a manutenção dos mesmos falta (Já viram o filme “O Senhor das Moscas”?), e essa base é o dinheiro. É o dinheiro que nos gere muitos dos nossos comportamentos, quer queiramos quer não. O dinheiro representa o acesso aos bens essenciais e sem esses bens a nossa vida/existência está comprometida. Por isso toca a atacar os imigrantes (como se os imigrantes não representassem mais de 10% do nosso PIB ou como se existissem milhões e milhões de portugueses noutros países, nomeadamente, França ou Canadá).

A mentalidade conservadora (direita e Religião) está fortemente enraizada na dimensão da Natureza e essa dimensão tem que ver com o mito das origens (Adão e Eva). Qualquer mudança é um perigo. Representa uma reviravolta com o estabelecido. Cheira e sabe a futuro. Expressões comuns, normalmente, em pessoas mais idosas, como “no meu tempo é que era”, leva-nos ao passado, ao primitivismo cavernoso. Transporta-nos a Adão e Eva. Brancos, heterossexuais e com o homem, à imagem e semelhança de Deus, a liderar o processo da evolução (Eva surge depois e é ela a culpada do pecado da imperfeição, da desobediência, do acesso à liberdade individual).

A realidade biológica é fruto de todo o tipo de preconceitos. Há um século não se pensava que os negros eram incapazes de ter o mesmo nível de intelectualidade de um branco só porque tinha uma cor de pele diferente? Para depois se descobrir que o problema era cultural… Mesmo que, hoje em dia, a ciência comprove que há mais genes que separam o ser humano branco do ser humano nórdico do que o homem branco e homem negro, há sempre qualquer coisa a dizer que não parece que seja assim.
Chegou-se a argumentar que as mulheres não poderiam votar porque estariam muito ligadas à metafísica, logo não sabiam discernir a Razão (que o Homem possuía em doses modestas) da Emoção (Mulheres – Reprodução – Natureza – Deus).
A esmagadora maioria das pessoas têm determinados preconceitos e estereótipos que, de certa forma, são necessários q.b. mas não se pense que isso sirva para legitimar ódios infundados. Quando não temos consciência deles nem capacidade de desconstrução aí é mau.

Temos que ter espírito crítico e inconformista para escavarmos fundo e perceber como as coisas (inclusive os factos históricos) foram meramente contingentes. Não é esse o espírito que sempre caracterizou a esquerda liberal? Quantos Galileus têm que ser mortos para percebermos isso?
De facto, tomando como linha de raciocínio a minha frase acima mencionada: a História é cíclica mas nós podemos fazer com que ela nunca mais se repita.”

domingo, 14 de junho de 2009

Tunísia 2 - Kairouan






A cidade de Kairouan, está no limite do sahel tunisino; isto é, considera-se o sahel a zona costeira, mas não apenas a zona junto à costa; também inclui as regiões que distam até cerca de 70/80 quilómetros da costa.

Kairouan fica no interior norte da Tunísia, a cerca de 70 quilómetros a ocidente de Sousse, que fica no litoral leste. Kairouan é a cidade sagrada da Tunísia e a quarta do Islão, a seguir a Meca, Medina e Jerusalém.

Neste ano de 2009, esta cidade é a capital mundial do Islão, sucedendo a Alexandria.

Apesar da transferência da capital política para Tunes no século XII, Kairouan continuou a desempenhar o papel de capital espiritual do Magrebe, com os seus treze séculos de cultura islâmica. A cidade foi inscrita pela UNESCO em 1988 na lista dos locais que são Património da Humanidade.

A sua grande atracão turística é Grande Mesquita, onde está o túmulo de um dos grandes santos do islamismo; claro que apenas se pode espreitar essa sala e a uma distância considerável; caso curioso, há uns indivíduos à porta da sala que levam as câmaras dos turistas e tiram as fotos para os mesmos.

Também muito famosos são os tapetes aqui executados; tive oportunidade de visitar uma loja de venda de tapetes, em que nos mostraram tapetes maravilhosos e a preços muito acessíveis (aqui não há regateio); a Medina é bastante interessante e foi aqui que comprei o prato que referi anteriormente

Foi nesta cidade que foram rodadas várias cenas do filme de Spielberg “Os Salteadores da Arca Perdida”.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Gal e Elis

Por sugestão de um comentador "anónimo" que já não é anónimo e que tem um excelente gosto musical, e porque não tendo blog não pode postar este vídeo, faço-o em seu nome. Porque é muito bonito, porque me diz muito, porque reúne duas Senhoras da MPB e, da mesma forma que ele me chamou a atenção, peço que oiçam a beleza do improviso final, que é razoávelmente longo...
Obrigado, amigo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Quem me manda ser carneiro?


Não fazia tenção de fazer compras na Tunísia, além das habituais lembranças pequenas que se trazem dos sítios visitados, tipo imanes para o frigorífico ou algum objecto característico. Por outro lado, muito tinha ouvido falar nas “medinas” (parte mais antiga nas cidades árabes, apinhadas de lojas onde tudo se vende e principalmente se regateia) e o nosso guia tinha feito avisos para evitar entrar sozinhos nessas lojas, devendo ter sempre alguém conhecido por perto. Já tinha visitado a medina de Tunes , a maior e perfeitamente caótica, com “ruas” estreitas e escuras, onde as pessoas de cruzam num movimento constante, com lojas de tudo um pouco e com constantes e por vezes demasiados apelos à compra, falando todas as línguas para indagarem a nossa proveniência, e ao descobrirem que somos portugueses vem o inevitável: Cristiano Ronaldo, Figo e até Eusébio; curiosamente houve alguém que referiu Sampaio (fiquei atónito…); lá me ia safando com um lacónico “plus tard” e saí da Medina sem gastar um “tusto”.

Depois visitei a medina de Kérhouan, menos barulhenta, mais civilizada e calma, e ao ver um prato de louça, verdadeiramente bonito, parei (estava acompanhado de um amigo); claro que o homem não me largou mais e disse-me o preço, cerca de 35 dinares; disse-lhe que não estava interessado e afastei-me; pois voltou a ter comigo e fez a pergunta que sempre fazem, e que é quanto queremos dar, à qual respondi que só dava 15; depois de me chamar isto e aquilo, claro que trouxe o prato por 15 dinares, menos de 9 euros.

Visitei ainda a medina de Sousse, a maior depois de Tunes e bastante boa; íamos quatro e comprei porque gostei duas tee-shirts, não estampadas, mas bordadas, iguais, mas de cores diferentes (uma para mim e outra para o Déjan), as duas por 10 dinares, após um primeiro preço de 30 dinares cada; estava a transformar-me num regateador nato…

Como um dos meus acompanhantes queria comprar umas pulseiras para a filha, parámos nalguns sítios com esse tipo de artigos e num deles vi um anel que gostei muito, mas que nem de perto ou longe estava nos meus planos; mas gostei mesmo do anel e num bom impulso de carneiro, uma ideia germinou nesta cabeça: encontrar outra igual! O homem não tinha mas pediu-me para esperar um pouco e mandou um puto algures; disse aos meus amigos para não se afastarem e perguntei o preço; o homem, sabidão disse que era preciso pesar; pesar o quê, perguntei eu? A prata, disse ele; ri-me e vinha-me embora e o homem alcançou-me; eu disse-lhe que aquele anel não era para ser pesado, que não tinha prata e ele que me dissesse o preço. Pediu 42 dinares; claro que me afastei sabendo que ele não me largaria; assim foi e achei ridículo, mas ofereci-lhe 20 dinares…pelos dois anéis; quase me bateu e decerto me mandou para o c***** em árabe, mas acabou por ceder. Francamente satisfeito com o negócio, entrei na loja para ver se os dois anéis eram realmente iguais e ele meteu-os num saquinho amarelo; dei-lhe uma nota de 20 dinares e então sucedeu o inesperado: numa mão segurou bem a nota e na outra o saco com os anéis e começou a exigir-me mais 5 dinares: ele puxava, eu puxava, ele dizia com tom ameaçador que tinha que ser (e era uma besta de homem) e eu então comecei a gritar alto e bom som o nome dos meus amigos que não deviam estar longe: mal eles apareceram, o homem largou o saco com os anéis e eu vim-me embora, ainda assustado com o tipo a chamar-me “ladrão capitalista”…

E assim comprei duas lindas alianças, para eu e o meu Déjan trocarmos daqui a duas semanas aqui em Lisboa; claro que foi tudo tão rápido na minha cabeça que nem sequer pensei se o Déjan estaria de acordo com a ideia; mas está e adorou ver a foto das alianças que vamos enfiar nos anelares um ao outro numa cerimónia só nossa, sem testemunhas. Vai ser lindo…quem me manda ser carneiro?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

É bom ser pinguim...



Dois pinguins machos "gays" chocaram um ovo abandonado e agora estão criando o filhote como se fossem pais adoptivos, informou o zoológico de Bremerhaven, no norte da Alemanha.

O zoológico entregou aos machos Z e Vielpunkt o ovo, que havia sido rejeitado pelos pais biológicos, depois que o casal foi observado tentando chocar uma pedra.




Segundo o zoológico, o casal parece feliz criando o filhote, nascido há quatro semanas.

O zoológico de Bremerhaven ficou conhecido em 2005 por conta de seus planos de "testar" a orientação sexual de pinguins com características homossexuais.

Na época, três casais de pinguins machos foram vistos tentando cruzar um com o outro, e tentando chocar pedras, entre eles Z e Vielpunkt.

O zoológico chegou a providenciar quatro fêmeas em uma tentativa de levar a espécie ameaçada a se reproduzir, mas o plano foi logo abandonado depois de causar revolta entre defensores dos direitos gays, que acusaram o zoo de interferir no comportamento dos animais.

Presente de Páscoa

Os seis pinguins "gays" permanecem no zoológico, e segundo a instituição, "Z e Vielpunkt aceitaram o ‘presente de Páscoa' e começaram a chocá-lo imediatamente".

"Desde o nascimento do filhote, eles vêm se comportando do modo que você esperaria de um casal heterossexual. Os dois pais felizes passam os dias protegendo, cuidando e alimentando seu filhote adoptado."

Os pinguins de Humboldt são normalmente encontrados na costa do Peru e do Chile, mas segundo a agência de notícias AFP, sua população vem decrescendo por causa da pesca intensiva na região.

O comportamento "gay" entre pinguins machos já havia sido observado, inclusive alguns teriam criado filhotes adoptivos.

O comportamento homossexual é bastante documentado entre várias espécies animais, mas não é compreendido em detalhes, afirma o professor Stuart West, um biólogo especializado em evolução da Universidade de Oxford.

Segundo West, algumas teorias indicam que a actividade homossexual pode servir objectivos diferentes - no caso dos macacos bonobos, por exemplo, poderia estar relacionada à ligação social e ao estabelecimento da dominância. Em algumas espécies de pássaros, fêmeas se juntam para criar os filhotes.

Outros animais podem simplesmente exibir uma "tendência a acasalar", enquanto outros podem, como seres humanos, gostar de sexo sem fins para procriação.

"A homossexualidade não é incomum entre os animais", declarou o zoológico de Bremerhaven.

"Sexo e acasalamento no nosso mundo não necessariamente têm algo a ver com reprodução."

quinta-feira, 4 de junho de 2009

"The best men"

Vi esta curta no último "Queer Festival" e foi uma das que mais gostei. Fala de amizade, de amor, de felicidade e de como, por vezes, é difícil alcançá-la.
Quem não conhece, espero que goste; quem já viu, decerto gostará de rever...




terça-feira, 2 de junho de 2009

Tunísia 1







Pois como é costume dizer-se, “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”; e neste caso, no meu regresso da Tunísia, não poderia encontrar melhor resumo do que este popular adágio.

Foram sete dias, o tempo exacto para não cansar e para ter uma imagem (não completa, é claro), de um país, de um povo, de uma história com 3000 anos e de uma cultura, de que pouco sabia.

Ia de pé atrás, como afirmei e por várias razões, e algumas delas confirmaram-se…; sendo uma viagem oferecida, teria que me “adaptar” às circunstâncias da mesma e a pior foi, de longe, ser uma viagem de grupo, estilo “carneirada”, que eu gosto muito pouco, com pessoas com quem tenho pouca ou nenhuma afinidade; pessoas muito diferentes de mim e posso dizer que das cerca de 170 pessoas do grupo, apenas me relacionei, no máximo, com cerca de uma dúzia…e não sou, antes pelo contrário um bicho de mato… Mas pessoas que meia hora antes de abrir o restaurante já estão na fila, com medo que lhes falte a comida, que se zangam se  estamos mais 5 minutos aqui ou ali, que olham para Cartago e dizem “que viemos aqui fazer, isto são só pedras…” e coisas do género, não pertencem ao meu mundo.

Ao contrário do que pensava, fui a diversos sítios e pude ver várias coisas, e não fiquei de papo para o ar, a apanhar sol e a banhar-me nas deliciosas águas mediterrânicas; ao ponto de ter chegado cá…cansado!

Fiquei num hotel de 4 ****, na zona balnear de Skanés, muito perto de Monastir e a pouca distância de Sousse, que junto com Hamammet, constituem a parte turística mais importante da costa central da Tunísia.

Este hotel, cujo sítio na Internet tinha visitado antes de partir, punha-me algumas reticências, aliás como outros hotéis da mesma categoria, pois um 4**** lá, não é equiparado a um 4**** aqui, de forma alguma; se na questão da limpeza nada tenho a dizer (uffff…), já a alimentação é muito má (abundância não é qualidade) e o buffet era repetitivo até à exaustão, e de fraca qualidade; as bebidas (não incluídas) chegavam ao fim da refeição, o stock de talheres era limitado, o pessoal “esforçado” (estou a ser simpático), ao pequeno almoço, a manteiga era margarina, iogurte nunca os vi…enfim, mau mesmo. O pessoal da recepção também não era senão prestável, mas havia coisas muito boas: uma bela praia privativa, uma boa piscina bem tratada, uma outra piscina interior excelente e com jacuzzi;  sauna, hamman e outros agradáveis pormenores, como dois outros restaurantes bem melhores e não excessivamente caros, dois bares, uma discoteca, internet (falei e “vi” o meu Déjan todas as noites) .

O povo, atencioso, falando quase todos francês, alguma pobreza visível, mas não tão notória como em Marrocos, a religiosidade sempre presente e a omnipresença do presidente, em cartazes espalhados por todo o lado; podia notar-se a presença de muita polícia e até alguns à paisana, podendo qualquer pessoa ser abordada na rua por uma patrulha: uma “democracia musculada”…

Hoje deixo aqui algumas fotos do hotel e depois falarei dos locais que visitei.