sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Sleeping Betty"

Uma adaptação do célebre conto infantil de Perrault "A Bela Adormecida", realizada com mestria pelo realizador canadiano Claude Coultier, em 2007.
Deliciosamente divertido e desconcertante...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

I'd rather dance with you

E que tal dançar ao som dos "Kings of Convenience" ????

E esta banda norueguesa vai estar em Portugal, para a semana: dia 2 de Novembro, em Braga, e no dia 4, no Coliseu de Lisboa. As meninas do ballet é que não virão...

sábado, 24 de outubro de 2009

Luz Verde


Há uns dias atrás publiquei uma entrada – “Cartão Vermelho”, na qual dava continuidade a um interessante desafio de nomear dez factos ou pessoas que por algum motivo não fossem alvo da minha simpatia. Arrumada a questão deveria nomear dez blogs para continuarem essa corrente; note-se que não se trata de prémios ou “selos” dos quais a blogosfera está cheia e que, nalguns casos, até são criados para aumentar o número de leitores/comentadores.

Dos blogs nomeados, alguns não “acusaram a recepção”, mas outros houve que responderam e de entre eles, pela sua originalidade destaco a resposta da Denise, que desafia alguns blogs, entre os quais os dois que a nomearam a citar o oposto, ou seja aquelas pessoas ou situações que nos merecem , sem reservas luz verde. É um desafio pela positiva e só por isso merece logo o meu apoio, pois há sempre a tendência para criticar, apontar defeitos e citar pessoas que não nos são simpáticos; e como não é mais um desafio para dar seguimento, mas sim ficar por aqui, é com gosto que aceito destacar agora, em termos gerais, grupos de pessoas ou situações que me estimulam e me fazem acreditar que pode e deve haver dias felizes.

Sem qualquer critério de ordenação passo a citá-los:

- Os que lutam pela Paz, em diversos campos.

- Os que alegram o nosso viver, pois o riso, ou pelo menos o sorriso é essencial à vida.

- Todos aqueles que através da música e do canto, nos mais variados géneros, nos acompanham e estimulam

- Os que através dos seus escritos, quer ficcionados, quer reais nos aumentam o saber e nos transmitem conhecimentos.

- Os que remam contra a maré da descriminação, em relação a todas as minorias, de raça, de orientação sexual, de credos religiosos e de outros grupos marginalizados (ciganos, prostitutas, emigrantes, sem abrigo…eu sei lá!)

- Os que através da Amizade, nos ajudam a ser felizes e menos sós.

- Os nossos Amores – Déjan, amo-te muito!

- As “Mães”, pois nada no mundo se pode comparar à felicidade e à dor de trazer à vida um novo ser.

- Os sonhos que nos povoam; sem eles a vida seria uma monotonia.

- A nossa auto estima, já que se não gostarmos de nós quem gostará?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Animação masoquista

Uma fabulosa animação de Patrick Smith, realizada em 2006, que nos mostra, ao som de uma boa música, o lado masoquista de um jovem admirador de fantoches...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A forma e não o conteúdo

Muito se tem falado nos últimos dias sobre as declarações de José Saramago sobre a Bíblia, na apresentação da sua última obra.
Não sou nem um leitor assíduo do Nobel português, nem um "expert" na percepção do conteúdo bíblico; portanto não vou fazer juízos de valor sobre o conteúdo do que foi dito, mas apenas e porque tenho a minha maneira de ver as coisas e o meu sentir, discordo e muito da forma como Saramago se referiu ao assunto.
Ele é um escritor, tem o seu mérito como tal e foi Nobel da literatura o que é uma honra para todos nós; além disso e antes que isso, é um ser humano, e como todos nós tem direito a proferir as suas opiniões.
Mas as opiniões de Saramago têm um alcance que não têm as minhas e as do homem comum, e ele sabe disso, pois é inteligente. Não quero acreditar que a sua evidente senilidade o leve a usar estas declarações como estratégia de promoção do seu livro; antes quero acreditar que ele se julga, e desde que recebeu o Nobel, mais que nunca antes, um detentor da verdade, um dogmático...
E é de uma arrogância chocante, como se fosse ele o centro do mundo. José Saramago é, na minha opinião, como Ary dos Santos, por outras razões (pessoais, que aqui expus), o exemplo de que deve separar-se a obra, do ser humano que a produziu.
A obra de Saramago é objectivamente muito meritória, embora eu não o endeuse, como muita gente faz, mas o homem que ele é nunca me entusiasmou, tendo mesmo na sua vida situações que reprovo frontalmente, sendo a maior a sua passagem pela direcção do Diário de Notícias, em pleno PREC e que é das maiores nódoas do jornalismo português, ao praticar uma censura interna total, contrariando assim a democracia que sempre disse defender; mas era a "sua" democracia, não a democracia.
Que continue a escrever livros que serão sempre acarinhados pela sua legião de admiradores, sejam bons ou menos bons, lá na sua ilha onde se auto exilou de um país de que parece não gostar, mas tanto tributo lhe tem mostrado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Castanholas

Um vídeo absolutamente maravilhoso; a execução de uma conhecida obra musical, tendo como solista...em castanholas uma senhora mexicana, absolutamente fantástica: Lucero Tena!!!
Espectacular! Fabuloso!!
Mais uma vez agradeço à Ana, o envio deste vídeo.

sábado, 17 de outubro de 2009

"Mulligans"

De entre os últimos filmes de temática LGBT que tenho visto, venho hoje falar do filme datado do ano passado “MULLIGANS”, realizado por Chip Hale, e com argumento de Charlie David, que interpreta também o principal papel.

Trata-se não de um filme de amor, nem sequer de paixão, mas da constatação de que há pessoas que têm “problemas” consigo próprias e que guardam dentro de si, dando a ideia do que realmente não são.

Uma família canadiana vive uma vida feliz e sem problemas e tudo começa quando o filho mais velho traz consigo um colega da universidade para passar o período de férias na sua bela casa, à beira de um lago.

Esse amigo, Chase é interpretado por Charlie David, conhecido actor assumidamente gay (Dante’s Cove - A Four Letter Word), que escreveu o argumento; e está em Charlie David o único erro do filme, pois tem demasiada idade para interpretar o papel de um jovem ainda não licenciado e que acaba por despoletar uma homossexualidade sempre reprimida em Nathan, o dono da casa e feliz marido e pai daquela família; Nathan tem a defender o seu papel um actor muito bom (em todos os sentidos) e que é Dan Payne. Ele e Thea Gill, que interpreta a sua mulher são quem mais se distingue na representação.

Não há um “happy end” nem para um lado nem para o outro e as pessoas, depois dos acontecimentos vividos, seguem os seus destinos, pois como se diz no trailer, por vezes não há segundas chances.

Não sendo um filme excelente, é muito interessante pois fala num assunto importante, e de uma forma nada especulativa ou carregada de dramatismo: a importância da homossexualidade na vivência familiar.

Será um exemplo para muitos casais que vivem uma vida “feliz”, mas de mentira.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Não voltes, fica a ler em casa...

Eu não sei como reagiriam os meus amigos brasileiros, e são vários e bons os que tenho aqui na blogosfera, se vissem aí no Brasil um vídeo parecido a este que aqui mostro, feito por um qualquer actor português "armado" em repórter sobre o vosso país. Acho que no mínimo ficaria indignado e triste.
Sei que esses meus amigos brasileiros não pensam como essa "senhora"(?) Maitê Proença, que com os seus comentários provocou ainda uma onda de gozo generalizado no programa da TV que a enviou aqui; será que a impressão do povo brasileiro é esta, sobre Portugal?
Não entendo que esta mulher venha a Sintra, das terras mais bonitas do MUNDO, património da humanidade e a única coisa que mostre seja uma casa em ruínas, com um número de porta ao contrário; é preciso dizer a essa "senhora"(?) que Sintra não é uma favela!!!
Que venha ao Mosteiro dos Jerónimos e no seu interior se permita gozar com os grandes vultos da história de Portugal.
Que faça passar a ideia de que em Portugal não há sequer técnicos que saibam mexer em computadores; que desaforo...
Lamentável, e eu que julgava que isso de patriotismo estava já meio morto...morto, uma gaita! Pois quando me "pisam os calos" sinto que doem e lá diz o ditado: "Quem não se sente, não é boa gente".

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Autárquicas


Terminou ontem com as eleições autárquicas, o ano eleitoral.

Depois de uma penalização fortíssima nas europeias, o PS ressurgiu bastante bem nas legislativas, as quais venceu, pese embora tantas “vitórias” tivessem sido cantadas; e ontem, numas eleições que tinham um quadro nitidamente “laranja” depois das eleições de 2005, o PS conquistou o maior número de votos e de mandatos, tendo quase igualado o número de câmaras do PSD, à custa deste partido e da CDU.

Portanto e numa primeira análise o PS tem razões para festejar, pois subiu, mesmo em relação às legislativas e o PSD também, apesar de ter perdido câmara e mandatos, porque ainda é detentor do maior número de câmaras. Mas, nalguns casos essas câmaras só foram ganhas ou noutros teve peso importante a ajuda do CDS.

Os comunistas continuam a ter um peso significativo numa região bem definida – o distrito de Setúbal, vale do Tejo e Alentejo, mas perdeu alguma força.

O grande derrotado foi o BE e foi-o sem surpresa; as subidas conquistadas nas europeias e legislativas, não foram votações nos programas e ideais do Bloco, foram votos de protesto e Louça terá que repensar a sua estratégia, ou então conformar-se com o peso real que o BE tem no país que está muito longe dos êxitos recentes. O BE será sempre um partido de protesto e nunca será ou fará parte de uma solução governativa.

Mas estas eleições são sobretudo de pessoas e aqui também há alguns factos a registar: a eleição de António Costa em Lisboa, contra uma forte oposição da direita coligada e desta vez sozinho, sem a bengala comunista (apesar de algum voto útil), a folgada vitória de Rui Rio no Porto, mesmo contra o FCP ; a esmagadora de LFMenezes em Gaia e a significativa vitória de Seara em Sintra, a manutenção pelos comunistas de importantes centros, como Almada e Setúbal e os habituais ganhos e perdas, como Faro que o PSD ganhou por 66 votos e a conquista importante de Leiria e Beja pelos socialistas, respectivamente ao PSD e à CDU.

Outro importante facto é a queda, finalmente de dois dinossauros corruptos: Fátima Felgueiras e Avelino Ferreira Torres, embora se mantenham infelizmente Valentim Loureiro e Isaltino Morais.

Uma palavra para os Açores onde pela primeira vez os socialistas têm a maioria das Câmaras e para um facto que quase passa desapercebido, mas é real: o PND elegeu um vereador no Funchal, provavelmente devido ás “palhaçadas" de AJJ – é triste, mas é verdade!

Um abraço para o Fernando, que chefiou um movimento independente candidato em Marvão, demonstrando um belo exemplo de cidadania.

sábado, 10 de outubro de 2009

Intervalo

No intervalo entre duas eleições aqui em Portugal, muita coisa se passou aqui e no mundo, no campo da política; não sendo nem tendo pretensões a analista político, houve três factos que realço, e que recaem sobre três políticos, um português e dois estrangeiros.
Comecemos pela “prata da casa”, esse execrável Alberto João, que continua de uma maneira absolutamente vergonhosa a mostrar que é URGENTE fazer alguma coisa, pois que ele seja atrasado mental, tudo bem, mas que o demonstre em constantes atentados contra tudo e contra todos que não alinham na sua política de carroceiro, não pode ser. A impunidade de que absurdamente goza, tem que acabar de vez; de quem é a culpa? De imensa gente, a começar pelo PR, pelo Estado na figura do Governo, no partido que o apoia e principalmente, lamento muito dizê-lo, no povo madeirense, no qual tenho pessoas amigas, mas que parecem cegas perante esta vergonha nacional.

Aquilo que todos vimos esta semana, nas televisões e nos vídeos, acerca dos protestos do PND ( que eu de uma forma total não apoio nem nunca poderei apoiar, pois é um partido neo nazi, xenófobo e inconcebível), passa todas as marcas: desautoriza a PSP, contrata “jagunços” para tratarem do assunto como deve ser e ainda ameaça com a independência; pois que seja, que se torne presidente da república de uma república das bananas e que viva delas sem nos sugar o dinheirinho. Este tipo é NOJENTO e envergonho-me de que tenha a mesma nacionalidade que eu, pois ele envergonha o meu país; devia ser feito um documentário das bacoradas deste gajo e enviá-lo para ser passado na BBC, na CNN, onde quer que seja, para o mundo saber que anda um louco à solta.
E passemos a outro louco, mais inofensivo, que não me envergonha porque não é português, mas que decerto envergonha muitos italianos: Sílvio Berlusconni! É o exemplo de um imbecil, cheio de dinheiro arranjado sabe-se lá como, que antes de governar a Itália, politicamente, de certa forma já a governava economicamente.Este senhor que tem uma vida privada nada exemplar, permite-se de vez em quando armar-se em palhaço e proferir umas graçolas de que é o primeiro e talvez único a achar piada. O seu comentário esta semana sobre a raça de Barack Obama e sua mulher é das maiores grosserias já proferidas politicamente; e ele nem sequer pensa que no seu cargo será obrigado a conviver com o PR dos EUA, a estar com ele em reuniões, a cumprimentá-lo: simplesmente grotesco!!!!
Finalmente a notícia do dia – o Nobel da Paz foi atribuído a Barack Obama, presidente dos EUA desde há nove meses apenas…Precipitado? Acho que não! Sabendo o mundo inteiro que este prémio é essencialmente político, ele premeia de facto, medidas corajosas já encetadas por Obama (o caso dos prisioneiros de Guantanamo, o retrocesso na instalação dos mísseis na Europa e o início de negociações importantíssimas para a paz mundial com a Rússia, o Irão e a Coreia do Norte). Mas acima de tudo é um prémio que responsabiliza e de que maneira o homem mais poderoso do planeta quanto ao futuro; se já tinha os olhos do mundo sobre ele, agora tem mais ainda. Tem enormes desafios pela frente, o maior dos quais será o Afeganistão que parece ser um problema irresolúvel, mas do qual depende muito a paz em todo o mundo. Espero, todos esperamos que ele tenha a determinação necessária para enfrentar todos esses desafios.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Na casa de Ary

José Carlos Ary dos Santos nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1937 e morre também em Lisboa a 18 de Janeiro de 1984 e celebrizou-se como poeta.

Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, vê publicados aos 14 anos, através de familiares, alguns dos seus poemas, considerados maus pelo autor.
No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade.
É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.

Nessa altura Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para se sustentar, tais como venda de máquinas para pastilhas até à publicidade.
Paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se-ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas A Liturgia do Sangue (1963).
Em 1969 inicia-se na actividade política ao filiar-se no PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido".

Ary dos Santos morreu a 18 de Janeiro de 1984, na sua casa, na rua da Saudade, em Lisboa, quando preparava um livro autobiográfico intitulado «Estrada da Luz-Rua da Saudade» e a edição de dois livros de versos, “Trinta e Cinco Sonetos” e as “Palavras das Cantigas".


Foi nesta casa da Rua da Saudade que estive numa estranha noite, começada num bar gay da Calçada da Patriarcal, que parece ainda existir, mas com outro nome, e que na altura se chamava “Clássico…ma non troppo”; aí encontrei um amigo, que tinha aparecido num grupo animado, para beber um copo, e no qual se incluía Ary dos Santos, poeta que sempre admirei. Foi de uma forma natural que me vi incluído no grupo que rumou para o Castelo, para a casa do poeta. Era uma casa magnífica, com uma enorme sala, cheia de brocados, com fotos de grandes senhoras da vida cultural portuguesa (Amélia, Amália, Eunice, Natália…) e numa sala contígua Ivone Silva ensaiava um trecho de uma nova revista a apresentar em breve e da qual Ary era co-autor.

Era para mim, jovem universitário, uma atmosfera inédita e quase irreal; formou-se um círculo com os que tinham chegado, todos sentados no chão, entre almofadas, e um ritual se iniciou, bastante comum na altura, e sem grandes consequências, de um que outro “charro” fosse sendo fumado em comunidade e com conversas interessantes.

Quando chegou a altura que eu achei que devia sair, dirigi-me a Ary para lhe agradecer a agradável noite, mas ouvi, num tom imperativo, algo inesperado: “tu não vais embora, ficas a dormir aqui em casa”; claro que não gostei, sempre fiquei a dormir onde bem quis e não onde me impusessem, pelo que disse que tal não aconteceria e dirigi-me para a porta; foi então que a mão sapuda de Ary me esbofeteou, irado pela “desfeita” de um engate mal sucedido. Doeu bastante, não pela dor física, mas sim porque nesse momento caiu um mito…

Saí!!!!

A admiração pela obra poética de Ary, claro que não ficou beliscada, mas como ser humano, apenas um enorme desprezo a partir daí senti por ele.


E baseado neste “incidente” elegi para ilustrar a sua poesia, não um dos seus mais conhecidos poemas, mas este

“Soneto Presente”

“Não me digam mais nada senão morro

aqui neste lugar dentro de mim

a terra de onde venho é onde moro

o lugar de que sou é estar aqui.

Não me digam mais nada senão falo.

E eu não posso dizer. Eu estou de pé.

De pé como um poeta ou um cavalo

de pé como quem deve estar quem é.

Aqui ninguém me diz quando me vendo

a não ser os que eu amo ou que eu entendo

os que podem ser tanto como eu.

Aqui ninguém me põe a pata em cima

Porque é de baixo que me vem acima

A força de um lugar que for o meu.”


©Todos os direitos reservados
A utlilização dos textos deste blogue, qualquer que seja o seu fim, em parte ou no seu todo, requer prévio consentimento do seu autor.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um livro, um filme...


“O primeiro amor nunca é fácil. Mas, quando um jovem como Nathan, acabado de chegar a uma pequena cidade, é vítima de abuso sexual por parte do seu pai, o primeiro amor pode ser a única forma de se salvar. No seio de uma família disfuncional, com uma mãe doméstica e um pai alcoólico, Nathan interessa-se pelo seu colega Roy e sonha com ele uma vida livre do constante assédio nocturno do pai: Nathan sente-se mais seguro sabendo que Roy está na casa ao lado e ainda mais seguro quando está com ele. Ao estudarem álgebra lado a lado na cama, uma coisa leva naturalmente à outra.

E é nessa pequena cidade rural do Louisiana, no sul profundo americano, nos meados do século passado, cheia de preconceitos que Nathan e Roy têm que esconder o seu amor dos amigos, da igreja e da família. Mas isso é fácil para Nathan que está habituado a guardar segredos; o jovem apenas tem medo do segredo que sempre escondeu, mesmo de Roy – a terrível verdade acerca do seu pai que faz a sua vida impossível. Ao fugir de casa uma noite com Roy, Nathan apenas tem uma certeza, a de que nunca voltará.”

Esta é, na essência, a trama do segundo livro de Jim Grimsley, “Rapaz de Sonho” e com o qual o autor conquistou o Lambda Literary Award, na categoria de literatura, em 1966.

Sendo eu, infelizmente um leitor não muito assíduo, peguei neste livro que adquiri o ano passado no S.Jorge, durante o Queer 12. E li-o quase de um fôlego…Apenas tive dificuldade em compreender totalmente o final do livro, pois o autor propositadamente não é linear e deixa o leitor no campo das suposições, quanto ao seu desfecho.

Procurando no Google, referências para este post, sou surpreendido com o aparecimento de um post (que eu até tinha comentado) no blog “Ovelha Tresmalhada” precisamente sobre este livro e de um outro post do blog “Maurice” (por onde andas tu, que fazes falta na blogofera…), sobre o filme “Dreamboy”, baseado neste livro. Fiquei surpreso e mais espantado fiquei de já ter sacado o filme, que apenas carecia de ser visto; e assim, pela primeira vez tive oportunidade num espaço de 24 horas, de ler um livro e ver o filme baseado no mesmo.

Claro que uma adaptação cinematográfica é sempre difícil e geralmente “perde”para o livro; mas acima de tudo estava ansioso por saber se o filme me faria entender melhor o final do livro; pura ilusão, pois a ambiguidade mantém-se…

Não me desiludiu de forma alguma o filme, realizado em 2008 por James Bolton, mas esperava encontrar no filme intérpretes fisicamente mais adequados às personagens que o livro me mostrou; aí acho que não correspondem exactamente aos protagonistas do livro de Grimsley. Uma palavra para toda a música do filme, muito boa, como se pode perceber pela belíssima canção do trailer do filme.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Yo Solo Miro

Hoje é a vez de mostrar, para quantos não puderam ir ao S.Jorge, a curta metragem, que foi eleita por voto dos espectadores, como a melhor do festival.
É uma curta espanhola, que se chama YO SOLO MIRO, da autoria de Gorka Cornejo e que tem o seu melhor momento exactamente no final do filme, pelo que o devem ver até ao fim.
E não vão dar por mal empregado o tempo, estou certo.

sábado, 3 de outubro de 2009

"Chris & Don"

De entre os diversos filmes vistos no Queer Lisboa 13, um houve, que me entusiasmou muito; trata-se de um documentário (fora do concurso) a ao qual o amigo Miguel já havia dedicado um excelente post no “Innersmile” (ver aqui), e que se chama “Chris & Don”: A Love Story”, de Guido Santi.

Christopher Isherwood (26 de Agost de 1904 – 4 de Janeiro de 1986), nasceu em Inglaterra, mas emigrou para os EUA em 1939, tendo-se naturalizado como cidadão norte-americano em 1946. Foi um reputado escritor, conhecido principalmente pelas suas obras relacionadas com Berlim, para onde foi atraído na juventude devido à relativa liberdade sexual que se vivia naquela cidade nos anos pré guerra, com Mr. Norris Changes Trains e um conjunto de contos com o título Adeus a Berlim, que foram a inspiração para o musical e depois aclamado filme Cabaret.

Além destas obras merecem destaque na sua vasta bibliografia os títulos A Single Man, (adaptado agora ao cinema pelo estilista Tom Ford), e Kathleen and Frank.

“Chris & Don: A Love Story” é um relato verídico sobre a apaixonante relação de três décadas entre o escritor britânico Christopher Isherwood e o retratista americano Don Bachardy, trinta anos mais novo. Desde os anos de Isherwood no Kit-Kat-Club durante a República de Weimar (inspiração para o seu mais famoso trabalho) até aos primeiros encontros do casal nas praias solarengas de Malibu nos anos 1950, a saga colectiva de ambos, contra todas as probabilidades, é reconstituída de forma deslumbrante através de um legado de tesouros multimédia. As memórias actuais de Bachardy (na casa de Santa Mónica que partilhou com Isherwood até à morte deste, em 1986), interagem harmoniosamente com imagens de arquivo, filmes inéditos de produção caseira (onde aparecem imagens de companheiros como W.H. Auden, Igor Stravinsky e Tennessee Williams), reconstituições e excêntricas animações baseadas nos cartoons do gato e cavalo que o casal usava na sua correspondência pessoal. Muito além do estatuto de homossexual assumido e espírito independente de Isherwood, e do tardio triunfo artístico de Bachardy, longe da eterna sombra do seu companheiro de vida. “ Chris & Don: A Love Story” é acima de tudo a celebração de um casal extraordinário.

E foi realmente um amor extraordinário este que surgiu em 1952 , pois pode mesmo ser considerado transcendente, dado as diferenças de idade, classe e cultura, principalmente na época em que foi vivido.

Nem mesmo a morte de Isherwood, aos 81 anos pôs fim a esse amor, pois ainda hoje Bachardy dedica grande parte da sua vida a enaltecer a vida e os sentimentos do seu companheiro. O escritor tinha já 48 anos quando se enamorou de Don, que tinha apenas 18; Armistead Maupin descreveu-os, como o “primeiro casal”, em parte porque na década de 50, em que sociedade, mesmo em Hollywood, considerada um antro de paranóia sexual (estou a recordar-me da biografia de Marlon Brando que tão bem retrata isso mesmo), não acitava uma relação assim, mas eles assumiram-na por inteiro.

Bachardy preserva um património de uma imensa riqueza cultural, que é mostrado bem no filme, principalmente focado na sua colecção pessoal, onde há também fotos e pinturas de amigos famosos; é curioso ver aqui uma foto dos dois, com a visão na parede do célebre quadro que deles pintou David Hockney…

É essa enorme quantidade de material – filmes domésticos, fotos, desenhos, letras e agendas, que torna o filme interessante sob todos os pontos de vista. E ouve-se a voz de Michael York (que protagonizou Cabaret) a ler passagens seleccionadas de agendas e histórias de Isherwood.

Um pouco tardiamente, Bachardy conseguiu da sombra literária de Isherwood e finalmente obteve o reconhecimento como um retratista e pintor de grande talento; e embora isso seja um mérito próprio, teria sido impensável sem o apoio e encorajamento de Isherwood. Ao longo da sua vida em comum, Isherwood foi sempre o seu tema mais frequente e vital


e durante os últimos meses de doença do seu companheiro, Bachardy, sentou-se no seu leito diariamente, fazendo desenhos do seu amado, como o viam os seus olhos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Queer Lisboa 13 - 2


Já há quase uma semana findou o Queer Lisboa e só hoje venho aqui falar dele (maldita política…)

Como é habitual, eu, que pouco frequento os cinemas, embora veja muitos filmes em casa, fui todos os dias ao S.Jorge e vi um apreciável número de filmes.

O filme de apresentação foi o esperado “Morrer como um Homem” de João Pedro Rodrigues, e embora não desiludindo, não é o melhor filme do realizador (notável toda a cena passada em casa de Maria Becker – fabuloso Gonçalo Ferreira de Almeida).

A sessão de encerramento trouxe-nos um musical, bastante comercial, mas agradável e bem disposto – “Were the World Mine”.

Nos filmes em competição para a melhor longa metragem, vi cinco dos dez em concurso: o premiado “Ander”, do basco Roberto Castón (de que falarei daqui a pouco), o interessante e baseado na realidade “Pedro”, comovente filme americano de Nick Oceano; o refrescante “Mein Freund aus Faro” da alemã Nana Neul, uma boa surpresa; um complicado mas muito belo filme de Kit Wung – “Wu Sheng Feng Ling”, que nos transporta da urbana Hong Kong à ruralidade suíça, por meio do amor; e ainda a quase epopeia mexicana de Julian Fernandez – “Rabioso Sol, Rabioso Cielo”, longo mas belíssimo testemunho de um amor que tudo vence.

No que respeita aos documentários em competição, também visionei cinco dos dez e confesso ter ficado algo decepcionado, embora não tivesse visto o filme vencedor, infelizmente; apeasr de tudo permito-me distinguir positivamente um título – “City of Borders” um filme israelita sobre a comunidade GLBT de Jerusalém, focando essencialmente um bar gay frequentado quer por israelitas quer por palestinianos.

Ainda em competição, no caso das curtas, vi variadíssimas e votei nelas, já que o prémio, nesta competição, foi atribuído por votação do público; algumas muito más, outras com interesse e cinco francamente boas: “Café com Leite”, do Brasil, “And Thou Shalt Love”, de Israel, “James” , do Reino Unido e também deste país “Protect me from what I want” e “Yo Solo Miro”, de Espanha, a acertada escolha do público.

De entre outras secções extra concurso, uma referência muito positiva para o excelente documentário sobre a vida em comum do escritor Christopher Isherwood e do seu companheiro Don Bachardy, “Chris & Don – a love story”, magnífico filme.

Tive pena de não ter assistido à conversa de Eduardo Pitta sobre a vida e obra de António Botto e assisti, entusiasmado à actuação do grupo “Amália Hoje”.

Os prémios foram atribuídos a “Ander”, de Roberto Castón, nas longas, o qual foi na minha opinião merecidíssimo, já que retrata com enorme sensibilidade uma situação pouco vista em cinema e que tem a ver com a sexualidade, quer homo, quer heterossexual no meio rural; personagens muito reais, num filme propositadamente lento para se descobrirem pormenores importantes, sem nunca entediar e com interpretações brilhantes, sendo de distinguir Joxean Bengoetxea, que ganhou com inteira justiça o prémio da melhor interpretação masculina.

A melhor interpretação feminina foi entregue à actriz grega Mina Orfanou, pelo seu papel de transexual em “Strella”, que eu não vi. O prémio de melhor documentário coube ao filme canadiano “Fig Trees”, que também não vi. Finalmente a curta espanhola “Yo solo miro” foi um justo vencedor, o qual espero mostrar aqui no blog, numa próxima entrada.

Deixo aqui um vídeo com algumas cenas do filme vencedor “Ander”, e com incidência na participação do seu protagonista Joxean Bengoetxea.