quinta-feira, 11 de julho de 2013

"Sinais de Fogo"

Jorge de Sena (Lisboa, 2 de Novembro de 1919 Santa Bárbara, Califórnia,  4 de Junho de 1978)  foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português.
Filho único de Augusto Raposo de Sena, natural de Ponta Delgada e comandante da marinha mercante, e de Maria da Luz Teles Grilo de Sena, natural da Covilhã e dona-de-casa. Ambas as famílias eram da alta burguesia, a paterna de suposta linhagem aristocrática de militares e altos funcionários, e a materna de comerciantes ricos do Porto. Segundo relata no seu conto Homenagem ao Papagaio Verde, teve uma infância recolhida, solitária e infeliz, o que fez com se tornasse introspectivo, observador e imaginativo.
Fez a instrução primária e os primeiros anos do liceu no Colégio Vasco da Gama. Concluiu os estudos secundários no Liceu Camões, onde foi aluno de Rómulo de Carvalho. Era um jovem que lia avidamente, tocava piano e escrevia poemas. Na Faculdade de Ciências de Lisboa, fez os exames preparatórios com as notas mais elevadas.
Sena nutria a ideia algo romântica de se tornar oficial da marinha, seguindo as pisadas do pai. Em 1938, aos 17 anos, entrou para a Escola Naval como 1º do seu curso. A 2 de Outubro de 1937 , iniciou a sua viagem de instrução a bordo do navio escola Sagres. Visitou os portos de S. Vicente, Santos, Lobito, Luanda, S. Tomé e Dakar, chegando a Lisboa no final de Fevereiro de 1938 . O contacto com a imensidão do oceano, a azáfama da vida a bordo e o movimento e mudança constantes agradaram ao jovem Sena, mas nem tudo correu bem. Segundo o relato de um antigo camarada de curso, naquele ano a viagem de instrução foi excepcional e particularmente dura e exigente em termos de preparação e destreza física, copiando o modelo da marinha alemã. Na parte teórica do curso Sena era brilhante, mas em termos atléticos era medíocre e apesar dos muitos esforços que fez não conseguiu satisfazer as elevadas expectativas do comandante do curso, que parecia nutrir um ódio de estimação pelo cadete contemplativo e intelectual. No final da viagem, foi comunicado a Sena que iria ser proposta a sua exclusão da Marinha por lhe faltarem as "necessárias qualidades" para oficial. Sena ficou profundamente frustrado e desgostoso com esta rejeição e o seu afastamento definitivo de um modo de vida que tanto almejava.
Apesar da sua inclinação natural para a literatura, o sobredotado Sena decidiu frequentar o curso de Engenharia Civil, iniciando-o em Lisboa e concluindo-o no Porto, em 1944, com a ajuda financeira dos seus amigos Ruy Cinatti e José Blanc de Portugal. O curso pouco o entusiasmou, mas durante todo esse tempo escreveu bastantes poemas, artigos, ensaios e cartas. Desde os 16 anos que escrevia e em 1940, sob o pseudónimo de Teles de Abreu, publicou os seus primeiros poemas na revista Cadernos de Poesia, dirigida por Cinatti, Blanc de Portugal e Tomás Kim. Em 1942, publica o seu primeiro livro de poemas, Perseguição, que não impressiona muito o seu amigo e crítico João Gaspar Simões e Adolfo Casais Monteiro considera-o um livro revelador mas difícil.
Em 1947, Sena inicia a sua carreira de engenheiro, que durou 14 anos. Trabalhou como engenheiro civil na Câmara Municipal de Lisboa, na Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização e na Junta Autónoma das Estradas (JAE), onde permanecerá até ao seu exílio para o Brasil em 1959.
Em 1940, no Porto, Jorge de Sena conhece e torna-se amigo de Maria Mécia de Freitas Lopes (irmã do crítico e historiador literário Óscar Lopes), começando a namorar em 1944 e casando-se em 1949. Jorge de Sena e Mécia de Sena tiveram nove filhos. Mecia, sua incansável companheira e enérgica colaboradora, apoiando o escritor nas inúmeras crises que lhe surgiram ao longo de uma vida por vezes atribulada.
Trabalhava incansavelmente, para sustentar a crescente família. Além do seu absorvente trabalho diurno na JAE (que lhe possibilitou viajar e conhecer o Portugal profundo), Sena também se dedicava à direcção literária em editoras, à tradução e revisão de textos, ocupações que lhe roubavam precioso tempo para a investigação literária e a para a sua obra. A banalidade e a pequenez do quotidiano no Portugal de Salazar das décadas de 1940 e 1950 atormentam-no, bem assim como a mediocridade, a mesquinhez e a intriga dos meios literários, a opressão política, a censura literária, resultando num ambiente de trabalho sufocante e absolutamente frustrante, mas que não deixam de o inspirar para o poema É tarde, muito tarde na noite…
Durante esses anos publica várias obras: O Dogma da Trindade Poética – Rimbaud (1942), Coroa da Terra, poesia (1946), Páginas de Doutrina Estética de Fernando Pessoa(organização), 1946, Florbela Espanca (1947), Pedra Filosofal poesia (1950), A Poesia de Camões (1951), etc.
A sua situação como escritor e cidadão estava a tornar-se insustentável. Como escritor, não tinha tempo livre para escrever, apenas o podia fazer de modo insuficiente e limitado à noite e aos domingos. Também o facto de não pertencer a nenhum círculo académico e a falta de apoio institucional lhe frustrava qualquer pretensão de poder vir a editar alguma obra mais ambiciosa. Por outro lado, a sua participação numa tentativa revolucionária abortada em 12 de Março de 1959, colocou-o em posição de prisão iminente, no caso muito provável de algum dos conspiradores presos pela PIDE denunciar os que ainda se encontravam livres.
Em Agosto de 1959, viajou até ao Brasil, convidado pela Universidade da Bahia e pelo Governo Brasileiro a participar no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros. Tendo sido convidado como catedrático contratado de Teoria da Literatura, em Assis, no Estado de S. Paulo, aproveitou essa oportunidade e aceitou o lugar, iniciando assim o seu longo exílio. Ele faz amizade com o poeta Jaime Montestrela, que dedicou o seu livro Cidade de lama. Por motivos profissionais teve de adoptar a cidadania brasileira.
Não foi contudo um exílio libertador. Sentia saudades da pátria, apesar do rancor perene que nutria pela pequenez, mesquinhez e falta de reconhecimento nacionais que o atormentariam até ao final da vida.
Em 1961, Jorge de Sena foi ensinar Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Em 1964, depois de vencer alguns preconceitos académicos pelo facto de ser licenciado em Engenharia, Jorge de Sena defendeu a sua tese de doutoramento em Letras (Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular), tendo obtido os títulos académicos "com distinção e louvor".
O período de seis anos que passou no Brasil foi muito produtivo. Finalmente, tinha toda a disponibilidade para se dedicar à sua obra com a devida profundidade e profissionalismo. Poesia, teatro, ficção, ensaísmo e investigação. Parte do romance Sinais de Fogo e a totalidade dos contos Novas Andanças do Demónio foram escritos neste período.
A degradação da situação política no Brasil, com a instalação de uma ditadura militar a partir de Março de 1964, fez com que Jorge de Sena, mais do que nunca avesso a prepotências, aceitasse um convite para ensinar Literatura de Língua Portuguesa na Universidade de Wisconsin, para partir para os Estados Unidos em Outubro de 1965. Em 1967 foi nomeado catedrático do Departamento de Espanhol e Português da referida universidade.
De 1970 até 1978 foi catedrático efectivo de Literatura Comparada na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara. Apesar da satisfação de ensinar e da amizade que os alunos lhe dedicavam, Sena não foi feliz. Queixava-se da "medonha solidão intelectual da América" onde não havia "convívio intelectual algum" e da esterilidade e espírito burguês do meio académico, que não se interessava pela sua obra.
Quando se deu o 25 de Abril Jorge de Sena ficou entusiasmado e queria regressar definitivamente a Portugal, ansioso de dar a sua colaboração para a construção da democracia. Sena visitou Portugal, contudo, nenhuma universidade ou instituição cultural portuguesa se dignou convidar o escritor para qualquer cargo que fosse, facto que muito o desiludiu e amargurou, decidindo continuar a viver nos Estados Unidos, onde tinha a sua carreira estabelecida.
Jorge de Sena morreu em 4 de Junho de 1978, aos 58 anos, de cancro. Em 11 de Setembro de 2009, os seus restos mortais foram trasladados de Santa Barbara, Califórnia, para o cemitério do Prazeres em Lisboa, depois de uma cerimónia de homenagem na Basílica da Estrela, com a presença de familiares, amigos e entidades oficiais.

Foi um dos mais influentes intelectuais portugueses do século XX, com vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de importante epistolografia com figuras tutelares da literatura portuguesa e brasileira. A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico Sinais de Fogo, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha. Grande parte da sua obra foi publicada postumamente pelos cuidados da viúva, Mécia de Sena.

Acabei de ler à dias o romance “Sinais de Fogo” de Jorge de Sena, do qual já tinha lido com muito agrado uma colectânea de contos sob o título “Os Grão Capitães”.
Este romance, em que a personagem principal, Jorge, tem muito de autobiográfico, passa-se na sua maior parte na Figueira da Doz, uma praia onde passei grande parte dos Verões da minha infância e da minha juventude; e se bem que a época seja diferente (finais dos anos 30 do século passado), não diferiria muito da Figueira dos anos 50/60 que eu conheci.
È um livro nem sempre fácil, devido às muitas considerações filosóficas que o autor vai entremeando com o decorrer da acção, mas com um elevado valor intelectual, podendo sem qualquer dúvida considerar-se talvez o mais importante ou pelos menos dos mais importantes marcos da literatura portuguesa da segunda metade do século XX.
 Com uma inesperada e nada contida narração sexual, tem, ouso dizê-lo, das mais ousadas narrativas sexuais jamais escritas em português, desde o mundo da prostituição, ao amor heterossexual puro (?), ás orgias, ao sexo homossexual, enfim, para todos os gostos, mas nunca gratuito ou deslocado.
No meio de toda a acção está a Guerra Civil Espanhola, a confirmação da ditadura portuguesa, a ascensão do nazismo e todos os fenómenos daí advindos na formação humana e política do Jorge.
O livro pode considerar-se inacabado, pois haveria várias hipótese finais que nunca chegaram a ver a luz do dia; apesar de tudo é um longo romance, com cerca de 600 páginas.
Deste romance foi realizado um filme, por Luís Filipe Rocha, em 1995 tendo Diogo Infante como protagonista, cujo trailer aqui deixo.
E também deixo o primeiro vídeo de uma magnífica série de cinco episódios, apresentados na RTP 2, sob o título genérico de Grandes Livros, e que merece ser visto na íntegra (está no You Tube). Curiosamente as cenas do filme aqui apresentadas não são do filme do LFRocha.  
Um livro memorável que merece a atenção de quem se interessa por ler, mas também por quem se interessa por um período tão interessante da nossa História recente.

28 comentários:

  1. Excelente post, caro João; melhor mesmo, só ter-te ouvido falar do livro com um entusiasmo contagiante.

    Lembro-me de há muitos anos, já não sei a propósito de quê, ter havido uma enorme polémica à volta de uma eventual homossexualidade do JdS. Começou, creio eu, com um artigo do Arnaldo Saraiva, se não estou em erro, que se referia a isso, em particular ligando a homossexualidade com a expulsão da marinha. Toda a gente lhe caiu em cima, nomeadamente a Sophia de Mello Breyner, acusando-o de estar a revelar (ou a insinuar, enfim) aspectos íntimos que nada têm a ver com a literatura. Não deve ser muito difícil encontrar na net referências a essa polémica, mas francamente não procurei.

    Eu não li o livro (mas depois da conversa de ontem sinto-me "compelido" a fazê-lo) mas li os Grão-Capitães e sinceramente acho que é muito difícil falar-se assim de uma coisa sem a conhecer muito bem, "por dentro"! Claro que há a D. Mécia e os filhos (além, é claro, de toda uma obra), mas como dizia o bardo, 'há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia' ;)

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    1. Miguel
      eu tenho um imenso respeito pelo Jorge de Sena e não insinuo nada; limito-me a confirmar o que o próprio autor diz, que o Jorge do livro é autobiográfico. E se é um facto que a personagem em si nada tem de homossexual, também é certo que está sempre numa espécie de limbo quanto a esse assunto, provavelmente como teria estado durante a sua vida o próprio Jorge de Sena.
      É um assunto que gostaria de explorar com maior acutilância.
      Decerto ainda não viste o vídeo dos "Grandes Livros" mas gostaria de ter a tua posterior opinião.
      Abraço amigo.

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    2. só vou poder ver em casa, mas verei certamente.

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    3. Miguel
      se possível vê os cinco episódios.
      Abraço amigo.

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    4. A propósito da expulsão de Jorge de Sena da Marinha, um dos contos de "Os Grão-Capitães", "A Grã-Canária", notoriamente auto-biográfico, poderá lançar alguma luz sobre os motivos da expulsão (alguma relação com o episódio de violação homossexual?).

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    5. João
      tenho que reler o conto, está visto, pois vou lê-lo agora numa outra perspectiva.
      Abraço amigo.

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  2. grande introdução para enquadrar Jorge de Sena. quanto ao livro, sim, indiscutivelmente, é um marco, para mim, até ao momento é o melhor romance da segunda metade do século passado.
    o vídeo é excelente, já o tinha colocado no meu blogue, bem como o trailer do filme (ainda não fui à biblioteca).
    aconselho, sem qualquer dúvida, a sua leitura.
    quanto à homossexualidade (suposta, ambígua, provada, etc), concordo com a Sophia, mas também não procurei as notícias que o miguel fala.
    bjs.

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    1. Margarida
      em princípio já consegui o DVD, que depois te emprestarei.
      Eu não posso concordar com a Sophia, por um lado porque não tenho dados para provar a sua total homossexualidade (quem tem?) e por outro porque caso ele tenha sido bissexual, em nada denegra a sua imagem.
      Beijinho.

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    2. a minha opinião é que é um assunto do foro íntimo e é nesse aspecto que concordo com ela. mas também não estou nada dentro do assunto.
      ora que sinais de fogo é O grande romance, sem dúvida que o é.

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    3. Margarida
      será um assunto do foro íntimo, é verdade, mas a partir do momento em que se reflecte na própria escrita do autor, quer directa quer indirectamente, deixa de o ser.
      Jorge de Sena será sempre um grande escritor e "Sinais de Fogo" um extraordinário romance.
      Mas como bem diz o Miguel, tanto nalguns contos do "Grão-Capitães", como neste livro, a forma como escreve sobre a homossexualidade é de uma pessoa que está muito à vontade no assunto e quem sabe mesmo se não foi a forma encontrada por ele para tornar público algo que sempre esteve demasiado escondido.
      A homossexualidade ou bissexualidade de pessoas públicas é sempre difícil de gerir, pelo que eu prefiro sempre a frontalidade, até porque Sena não poderia quando escreveu estes livros temer algo sobre esse assunto, pois era um homem demasiado considerado para ter esses problemas.
      E, por outro lado, a sua vida familiar, é a meu ver exemplar e Mécia estaria, quanto a mim ao corrente dessa sua faceta.
      Daí, e partindo de um espírito tão aberto como o de Sophia, me parece algo esquisito esse argumento.
      Beijinho.

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  3. Como calculava, é fácil encontrar na net referências a esta questão. Encontrei este artigo do Público/Ipsilón, a propósito do livro da São José Almeida Os Homossexuais no Estado Novo, onde a polémica é referida:

    http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=260762

    Também encontrei um pdf do artigo, que guardei, é claro :)

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    1. Miguel
      vê tu que eu já li o livro da São José Almeida, e tenho-o mesmo e não me recordei dessa referência, talvez poe nessa altura eu apenas ter ouvido falar de Jorge de Sena e nada saber dele ou dos seus livros.
      Fernando Dacosta também deve estar informado como E.Pitta.
      Curiosamente Arnaldo Saraiva foi uma das pessoas com quem mais falei naquele encontro com escritores da Feira do Livro de Belgrado.
      Não entendo é a posição de Sophia, já que tudo isto não belica minimamente o prestígio de Sena. Se assim fosse, Santareno, Eugénio de Andrade, Cesariny, Ari dos Santos e tantos outros, até eventialmente Pessoa estariam beliscados também.
      Mas irei procurar saber mais sobre o assunto.
      Abraço amigo.

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  4. É a primeira vez que visito este blog (vim pelo Google+), e confesso que gostei imenso do que vi.
    Conheço Jorge de Sena, que muito aprecio, mas como poeta; em prosa nunca li nada dele, mas agora vou ler, com certeza! Fiquei curiosíssima, depois desta magnífica resenha.
    Já me fiz seguidora do blog e voltarei sempre que possível
    Obrigada por esta (e outras, anteriores) belíssima postagem.

    Beijinhos
    Mariazita

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    1. Olá Mariazita
      primeiro que tudo venho dizer que tenho um hábito, que talvez seja defeito, ou não e que é tratar todas as pessoas aqui no blog por tu. Até agora ninguém se queixou e parece até ser uma ideia bem acolhida; no entanto se isso parecer confuso posso abrir uma excepção...
      Depois quero expressar a minha satisfação de ter mais uma pessoa a visitar este canto e a emitir opinião sobre o que aqui escrevo, pois é isso que anima a blogo.
      Quanto a este post, ele tem sido tratado até agora nos comentários por uma questão que não será a mais importante, embora seja sempre bom discutir tudo - neste caso a eventual bissexualidade de Jorge de Sena.
      Mas a postagem não é sobre isso, é sobre o autor, o notável escritor que é Jorge de sena e principalmente este romance verdadeiramente notável.
      É curioso que a veia poética de Sena vem ao de cima neste livro de prosa, já que ele nas suas divagações que vai fazendo ao longo do romance, ensaia os seus primeiros versos, na personagem que encarna - o Jorge. E mesmo o nome de "sinais de fogo" está ligado precisamente a um seu verso.
      Mas para quem nunca leu prosa deste autor é urgente que leia este livro, que como já foi dito, não é fácil, pois além de longo, tem muitas considerações que nalguns pontos são quase ensaios...
      É um livro admirável.
      Gostaria de mais tarde saber a tua opinião sobre o livro.
      Tens algum blog?
      Vai aparecendo que os amigos são sempre benvindos.
      Beijinho.

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  5. Obrigado pela partilha

    O que eu aprendo com este canto?! :D

    Muita coisa mesmo :)

    Abraço amigo João

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    1. Francisco
      o prazer é meu em partilhar coisas que penso que são válidas, como é este o caso.
      Abraço amigo.
      João Carlos Roque

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  6. Desconhecia a maior parte do que aqui contas sobre o Jorge de Sena que é aliás um escritor que conheço mal. De qualquer forma fiquei curioso com o 'Sinais de Fogo', já por mais de uma vez o vi citado como um dos melhores romances da segunda metade do séc. XX. Tenho que ler.
    Abraço.

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    1. Arrakis
      eu estava na mesma situação até há pouco tempo. Entretanto e através do "Goodreads", onde sigo um grupo muito interessante sobre literatura portuguesa gay, criado pelo João Máximo, "descobri" o autor, tendo lido primeiro o livro de contos "Os Grão-Capitães" e agora este assombroso "Sinais de Fogo"; e já cá tenho para ler "O Físico Assombroso".
      Não percas este livro,(refiro-me ao "Sinais de Fogo"), que não te vais arrepender.
      Abraço amigo.

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  7. Bom dia, João
    Acho muito bem o TU. Comigo acontece o mesmo, o primeiro instinto é "tutear" logo quem conheço, mas é verdade que há pessoas que não gostam muito. Enfim, não podemos ser todos iguais, senão o mundo seria muito monótono.
    O "Sinais de Fogo" é difícil? - as coisas fáceis não têm muita graça.
    O "Sinais de Fogo" é longo? - quando o que lemos nos agrada parece até pequeno. Não te acontece isso? Estares a ler um livro e quando
    chega o fim ficar na boca um gostinho de "quero mais"? Comigo passa-se muitas vezes. Sou uma leitora compulsiva. Sou incapaz de, à noite, apagar a luz sem antes ter lido um bocado, dependendo da hora a que me deito.
    Presentemente estou a ler «A sombra do Vento», do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafon. Muito bom, também.

    Respondendo à tua pergunta sobre se tenho algum blog - tenho, sim, um "principal" - A CASA DA MARIQUINHAS, e outros dois, presentemente em standby. Penso que esta informação consta do meu perfil no Google+.
    De qualquer modo, se clicares no meu nome, no final dos comentários, vais lá direitinho :). Aparece, amanhã há post novo. De há um certo tempo para cá estou a publicar apenas uma vez por mês, ao dia 14. (preciso tempo para acabar o meu 2º.livro...)
    Parece que hoje acordei com a corda toda :)))) Olha só para este testamento. Haja pachorra para ler tanto!

    Bom fim-de-semana.
    Beijinhos
    Mariazita

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    1. Mariazita
      se gostas tanto de ler porque não te inscreves no "Goodreads".
      É um site muito interessante sobre livros, o que as pessoas lêem, trocam-se opiniões e descobrem-se livros e autores muito interessantes http://www.goodreads.com/
      Vou dar uma saltada ao teu blog.
      Beijinho.

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  8. Para mim que sou um leitor quase compulsivo (embora já não tanto) é altamente confrangedor que estejam sempre a surgir autores que nunca li, para mais autores portugueses. Anteriormente Guilherme de Melo agora Jorge de Sena. Além disso, não é fácil encontrar nas livrarias vulgares as obras destes autores.

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    1. Lear
      não será tanto assim, já que o universo dos livros é incomensurável.
      O facto de não teres lido, até agora, nada da obra destes autores deve até ser motivo de regozijo, já que te permitirá brevemente alargar os horizontes literários com obras de real valor.
      O único real problema é a dificuldade de obter muitas destas obras e igo-te que tenho feito alguns esforços verdadeiramente notáveis para ir conseguindo obter algumas obras que estão referenciadas por mim como verdadeiramente interessantes. Algumas tenho conseguido em sites de livros, como a Wook, por exemplo ou em links de livros em segunda mão como o "Leilões" que agora parece se chama "Coisas". Curiosamente até já encontrei alguns livros esgotadíssimos na "OLX" e outros locais idênticos.
      Mas por exemplo este "Sinais se Fogo" foi-me emprestado, mas encontra-lo fácilmente em bibliotecas onde o podes levantar para leitura domiciliária, bem como os livros do Guilherme de Melo, segundo penso.
      Abraço amigo.

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  9. Um dia destes hei-de reler... Passei para deixar um abraço. Abraço.

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    1. André
      que bom rever-te por aqui.
      Este é sem dúvida um dos livros para reler, pois nos conceitos que o autor vai deixando, há tanta profundidade que é bom reler mais tarde só para prestar mais atenção a essa "parte teórica" do romance.
      Abraço amigo.

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  10. Post monumental, como já te tinha dito antes, João. Parabéns e obrigado!
    Jorge de Sena é, para mim, uma das maiores figuras de sempre da literatura portuguesa. Não só pela sua produção ao nível da poesia, contos, romance e teatro, mas também pela tradução que fez (acabei de comprar "Constantino Cavafys, 90 e Mais Quatro Poemas", traduzido, ou reescrito, porque a poesia não se traduz, pelo Jorge de Sena), pelos seus ensaios sobre literatura (quando estivemos na Feira do Livro, este ano, comprei os 3 volumes dos seus "Estudos de Literatura Portuguesa") e pelos seus escritos pessoais e correspondência.
    "Sinais de Fogo" é um daqueles romances monumentais que não se esquece. Aliás, quando acabamos a última página, é como se regressássemos de um país onde estivemos a viver muitos anos, tal a familiaridade que criamos com os personagens e os cenários. Faz-me lembrar, de certa maneira, Proust, com o seu "Em Busca do Tempo Perdido".
    "O Físico Prodigioso" foi o primeiro livro que li do Jorge de Sena, e o que me deixou imediatamente apaixonado. Não encontramos com facilidade autores a escreverem histórias como estas, medievais com um toque de fantástico. Este conto foi a grande inspiração para a história que eu e o Luís escrevemos para o PIXEL e a que demos o nome de "O Horto Prodigioso" (http://index-books.blogspot.pt/2012/04/o-horto-prodigioso.html).
    "Os Grão-Capitães" (onde originalmente foi publicado O Físico Prodigioso) é uma coletânea de contos de que eu gostei também muito e que o Miguel soberanamente descreveu "Do ponto de vista estilístico, impressiona a quantidade de recursos que o autor domina e a vocação literária com que o faz" (http://innersmile.livejournal.com/894875.html).
    Finalmente, gostaria de deixar uma dica para quem quer explorar mais sobre a vida e a obra de Jorge de Sena, o excecional site "Ler Jorge de Sena" (http://www.lerjorgedesena.letras.ufrj.br/) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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    1. João
      agora é a minha vez de dizer: comentário monumental!
      E terei que o dissecar bem, nomeadamente nas dicas que aqui deixas. Ainda não li "O Físico Prodigioso" mas tenho-o cá e claro quando o ler quero ter presente o teu conto e do luís para o Pixel.
      E como disse lá em cima noutro comentário vou reler o "Gran Canária" dos "Grão-Capitães".
      Embora ainda nada tenho lido de Proust, acho linda a analogia que fazes entre ele e JdeS.
      Quanto à "tradução" da poesia de Kavafis será mais uma achega para a sua bissexualidade, caso ainda houvesse dúvidas.
      A única desilusão e que nada tem a ver com a obra m causa é a sua transposição para o cinema - para esquecer...
      Depois de tanta coisa que ficou dita sobre este livro, quem gosta mesmo de ler fica obrigado a lê-lo, tenho a certeza; e o Miguel será um deles, quando eu lhe devolver o livro e bem vou gostar de ler a sua análise posterior.
      Abraço amigo.

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  11. Vê-se que os 'sinais de fogo' estão a soltar muito fumo...

    Publicaram há dois meses as críticas do Gaspar Simões aos "Sinais de Fogo" e parece que a coisa voltou a pegar chama... O Arnaldo Saraiva saiu à liça atacando a edição e agora o organizador saiu a terreiro defendendo o livro (e de caminho o Gaspar Simões também). Está tudo aqui:

    http://www.delfimsantos.net

    Alguém me arranja os artigos originais do Saraiva de há 30 anos?

    Obrigado

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  12. Pob
    muito obrigado pela colaboração dada com este link a esta postagem.
    Desconhecia completamente esta questão e apenas li o livro agora porque descobri o autor há relativamente pouco tempo e gostei da sua escrita. Comecei por ler os "Grão-Capitães" e depois deste "Sinais de Fogo" tenho cá para ler "O Físico Prodigioso".
    Sobre esta polémica que refere aqui deixo o seu pedido para que quem conheça os artigos originais de Arnaldo Saraiva lhe os faça chegar a si.
    Por curiosidade conheci pessoalmente Arnaldo Saraiva em Belgrado há dois anos quando ele chefiou uma missão à Feira do Livro dessa cidade que homenageava a língua portuguesa e conversei com ele pois somos quase conterrâneos e temos amigos comuns.
    Abraço.

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