segunda-feira, 11 de maio de 2015

Maya Plisetskaya


A bailarina e coreógrafa russa , considerada uma das referências da dança do século XX,faleceu a semana passada em Munique, aos 89 anos, em consequência de um ataque cardíaco.
Maya Plisetskaya nasceu em Moscovo em 1925 no seio de uma família com ligações às artes, em particular à dança, que começou a praticar aos três anos.
Aos nove anos ingressou no Bolshoi Ballet School e aos 18 anos foi eleita primeira bailarina daquele teatro.
Considerada a criadora de algumas das inovações coreográficas e interpretativas mais importantes das últimas décadas, Maya Plisetskaya dançou durante meio século, sendo “A morte do cisne”, “Bela Adormecida” e uma versão moderna para “Bolero”, de Ravel, algumas das interpretações mais memoráveis.
Yury Grigorovich, Roland Petit e Alberto Alonso foram alguns dos coreógrafos que criaram coreografias para Maya Plisetskaya.
No dia do 70º. aniversário, em 1995, a bailarina estreou a coreografia “Ave Maya”, que Maurice Béjart criou para ela.
Oriunda de uma família judia, o pai foi morto pelo regime de Estaline em 1938 e a mãe foi enviada para trabalhos forçados no Cazaquistão, acusada de traição à União Soviética.
Nos anos 1990, Maya Plisetskaya obteve nacionalidade espanhola depois de ter dirigido o Ballet Clássico Nacional de Espanha.
Em 2005 foi distinguida com o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes de Espanha. O júri deste prémio sublinhava a importância do trabalho de Maya Plisetskaya: “Transformou a dança numa forma de poesia em movimento”.
Antes, a bailarina tinha sido directora artística do Ballet Ópera de Roma.
Em 1994 fundou o Ballet Imperial Russo.
Maya Plisetskaya vivia na Alemanha desde a década de 1990 e era casada com o compositor Rodion Shchedrin.



 "A Morte do Cisne" é um curto bailado a solo, baseado no 13º andamento, "O Cisne", da suite O Carnaval dos Animais, que o compositor francês Camille Saint-Saëns compôs em 1886. O bailado foi criado pelo coreógrafo e bailarino russo Mikhail Fokine, a pedido da bailarina, também russa, Anna Pavlova, e foi estreado em 1905.
Escolhi este vídeo, não só por ser uma das peças em que Maya mais se distinguiu, como por nele ser muito evidente um pormenor que muitas vezes é esquecido - a importância dos braços na dança, mas principalmente na dança clássica.
Claro que na dança é com os pés que é mostrado o virtuosismo dos seus intérpretes; mas a forma como os braços acompanham o movimento do corpo é fundamental.
E aqui, neste vídeo é magistral a forma como Maya Plisetskaya o faz.
Simplesmente soberbo.

16 comentários:

  1. Aos anos que não assisto a um ballet. Gosto principalmente do contemporânea.
    Olga Roriz é o único nome que conheço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. GBBB
      eu gosto de quase toda a dança, mas sempre admirei as grandes peças clássicas.
      Hoje em dia não vou ver ao vivo quase nada, mas curiosamente o último espectáculo a que assisti foi mesmo um da Olga Roriz - "A Cidade", e gostei muito.
      Abraço amigo.

      Eliminar
  2. confesso que sou quase ignorante no que respeita à dança, seja clássica, seja contemporânea. conhecia o bolshoi, claro, incontornável, mas esta bailarina, se lhe escutei o nome, não liguei.
    sim, o vídeo é lindíssimo. ela é perfeita.
    bjs.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Margarida
      Maya Plisetskaya foi uma grande Senhora do bailado clássico, mas há muito deixou de dançar, pois faleceu com 89 anos.
      Ela sempre foi uma perfeccionista.
      Beijinho.

      Eliminar
  3. Já havia lido o seu nome algures. Uma perda, com efeito. Paz à sua alma.

    abraço, amigo.

    ResponderEliminar
  4. Mark
    ninguém é eterno.
    Enquanto pôde, deu-nos a sua Arte de uma forma magnífica.
    Abraço amigo.

    ResponderEliminar
  5. Linda a tua homenagem ! Maya Plisetskaya é efectivamente uma bailarina de referência. Uma das melhores do séc. XX, se considerarmos apenas o bailado (clássico).

    Hoje aprecio mais a dança contemporânea, mas vi tanto bailado clássco que me encantou!

    Estás bem?
    Beijos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. G- Souto
      Eu também gosto muito actualmente da dança contemporânea, mas é difícil nesse tipo de dança, pelo menos para mim, encontrar grandes nomes de referência. Ora no bailado clássico, que tal como tu, vi e revi vezes sem conta, as peças mais representativas, os nomes dos grandes bailarinos não os esqueço e recordo até algumas das suas melhores "perfomances".
      Maya Plisetskaya está entre esses nomes e esta sua "Morte do Cisne", como também o "Bolero, de Ravel, não esquecem jamais a quem gosta de dança clássica.
      Eu vou estando bem, com os meus livros, os meus filmes, a minha net e a minha imensa saudade da pessoa que amo. Valem-me os conhecidos e principalmente, claro, os poucos mas grandes amigos que vou tendo, mas que infelizmente também começam a desaparecer precocemente (partiram 4 no espaço de ano e meio).
      Beijinho.

      Eliminar
  6. Em criança cresci a ver a minha irmã no ballet, lembro-me dos ensaios, da azáfama que antecedia à estreia e lá em casa tínhamos o vinyl com as músicas do "Lago dos Cisnes" :-) não sou entendido em dança e a foto que aqui tens mostra que apesar do anos que ela tinha, o porte de bailarina esteve sempre com ela.

    ResponderEliminar
  7. No limite...
    eu tenho muita pena de, não só ter deixado de ver os grandes espectáculos de dança clássica, como também e de certa forma a causa disso, ter deixado de haver os grandes nomes que houve antigamente, de ambos os sexos.
    Inclusivamente deixámos de ser visitados pelas grandes companhias, exceptuando dois ou três espectáculos sempre com o mesmo repertório e quase sempre na época natalícia.
    De resto temos a nossa Companhia Nacional, mais vocacionada actualmente para a dança contemporânea, da qual sou também adepto, naturalmente, mas aqui falamos de uma diva do ballet clássico, na linha directa da grande Anna Pavlova, sua precursora no Bolshoi...
    Abraço amigo.

    ResponderEliminar
  8. Quase parece impossível poder dançar-se assim...como quem voa! Tão belo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois é, Justine
      é um puro deleite...
      Beijinho.

      Eliminar
  9. Gosto de ver um bom bailado. A leveza dos gestos aliada à suavidade da música.
    Raramente tenho o prazer de assistir ao vivo,mas na TV quando passa eu agarro-me ao que nos mostram. Programas culturais na Dois já foi muito melhor. Recordo-me do tempo do Joaquim Letria.

    ResponderEliminar
  10. Olá Luís
    concordo contigo, o panorama cultural da televisão portuguesa quase só se resume ao canal 2 e mesmo este já teve melhores dias.
    Eu costumo ver muito bons programas culturais, nomeadamente de bailado, clássico e contemporâneo num dos melhores canais da TV por cabo, que é o canal franco-germânico ARTE.
    Abraço amigo.

    ResponderEliminar
  11. Adoro bailado, o ultimo que vi foi o Quebra Nozes e vi foi no Teatro Municipal Joaquim Benite aqui em Almada,protagonizado pelo Russian Classical Ballet.
    Maya Plisetskaya combinava de forma extraordinária, a técnica com a expressão dramática dos movimentos. Neste vídeo parece flutuar.
    Ficará sempre eterna !

    Um beijinho

    ResponderEliminar
  12. Olá Fê
    o Quebra Nozes deve ser a peça de bailado clássico que mais vezes vi e curiosamente a maior parte das vezes por Companhias oriundas da Rússia ou dos países da antiga URSS.
    Quanto a Maya Plisetskaya, é (ou antes, era) superlativa e está tudo dito.
    Beijinho,

    ResponderEliminar

Evita ser anónimo, para poderes ser "alguém"!!!