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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Regresso às origens em boa companhia...


É óbvio que eu sou demasiado suspeito, em tudo o que rodeia a Covilhã.
Como não deixa de ser natural, enquanto ali vivi, primeiro como criança e adolescente, e depois de voltar, passado largos anos, como adulto e para trabalhar, a minha relação com a cidade não foi fácil, pois a minha ânsia de vida, em diversos aspectos, sentia-se espartilhada num local suficientemente grande para pensarmos que estamos bem, mas afinal ainda tão pequena, que toda a gente se conhece e sabe os passos que damos.
Agora, que vivo longe, a minha ligação afectiva com a cidade é muito mais fácil, quando ali retorno em curtos espaços de tempo e em que maioritariamente estou na companhia da minha Mãe.
Mas a Covilhã de hoje é também objectivamente diferente do que era antes e sobretudo em dois aspectos: os lanifícios morreram e foram substituídos por novas e diversificadas indústrias situadas em dois parques industriais, mas também e principalmente por uma Universidade (UBI), que a dinamizou e que se espraia por variadas zonas da cidade
 O outro aspecto tem a ver com o desenvolvimento urbano que levou a cidade para o vale, onde nasceu uma nova urbe, moderna, desenvolvida
 e que tem como único defeito despovoar o antigo centro, mas mesmo essa consequência está a ser combatida com um ressurgimento de locais de interesse, o que é agradável.

E após este prólogo que seria indispensável vamos lá relatar de uma forma sucinta os factos essenciais de um excelente fim de semana, ali passado, com um tempo que pareceu encomendado a S.Pedro – frio houve, sim, mas não tanto como se temia, e é sempre um frio seco e saudável que recebemos no rosto, desde que estejamos bem protegidos; e houve sempre sol durante os dias em que nem uma nuvem aparecia no céu azul e com noites de lua cheia e estrelas, de bonita claridade.

Parti de carro por volta das 5 da tarde de sexta-feira, com o Duarte, e quando chegámos fomos ter com o Miguel que tinha chegado um pouco antes, vindo de Coimbra no seu carro.
Levámo-lo ao hotel, no centro da cidade, junto ao Jardim Público e depois fomos a pé a um restaurante próximo, que tinha aberto recentemente, de um casal de espanhóis e de um argentino, com uma comida deliciosa e onde encontrei um velho amigo que como eu, ali estava a passar o fim de semana e que não via desde 2001, quando noutra ocasião nos encontrámos também na nossa cidade.
Sucede que entretanto esse amigo foi uma figura muito conhecida em todo o país pois foi o procurador do mais badalado processo judicial que já houve em Portugal – o caso Casa Pia.
Mas o João é uma simpatia e foi um prazer conversar com ele apenas sobre a nossa terra e de gente amiga.
Fomos depois dar uma volta de carro até serem horas para ir buscar a Margarida à estação, pouco depois das 23 horas.
Ainda antes de levar o Miguel e a Margarida ao hotel fomos a um local muito interessante, meio tasca, meio restaurante, para ela petiscar algo e todos bebemos uma jarra de sangria.
Um curto passeio a pé numa zona que agora começa a ser revitalizada, por detrás da Câmara e fomos todos descansar por volta da uma hora da manhã; o Duarte ficou comigo em casa da minha Mãe.

Sábado, pelas 10 horas da manhã lá partimos para a Serra, com uma primeira paragem para conhecer a magnífica Pousada que aproveitou o belíssimo edifício do Sanatório, agora maravilhosamente recuperado – dá mesmo vontade de ir ali passar um par de dias!
 Já nas Penhas, fomos também ao “velho” (já é centenário), mas sempre renovado Hotel das Penhas
agora rodeado de quase uma centena de bungalows, e também muito acolhedor (tem lá um restaurante medieval que merece uma posterior visita gastronómica).
Depois foram todos os recantos da Serra, com inúmeras paragens, até à Torre

e com as habituais buzinadelas no “túnel”
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mas com uma paragem mais demorada na mais bela zona de toda a montanha – o Covão da A'metade – onde nasce o Zêzere e que é base do monumental Cântaro Magro

Depois o fabuloso vale glaciar (em U) do Zêzere

até Manteigas

Ali almoçámos muito bem, só o Duarte não comeu as sempre excelentes trutas de Manteigas e logo a seguir fizemos uma curta visita a uma pessoa que me é muito querida, a Lurdes, hoje com 88 anos e que me ajudou a criar, a mim e aos meus irmãos durante mais de dezena e meia a servir na minha casa – ela começou ali a trabalhar quando eu tinha apenas 9 meses. 
Ela já conhecia o Duarte, de quem gosta muito e encantou a Margarida e o Miguel com as suas referências à minha meninice e com a sua simpatia. 
Já há muito que a não via, e confesso que não sei se a verei muitas vezes mais, pois é raro ir de carro à Covilhã, o que me impossibilita ir vistá-la a Manteigas. 
Seguimos depois directos a Sortelha, já nas faldas da Serra da Malcata, uma das mais belas aldeias históricas do nosso país



É um local que parece que parou no tempo e calcorrear aquelas ruazinhas sem gente mas com casas bem recuperadas é sempre um prazer renovado; notei no entanto a falta das casas de artesanato que ali vi noutras visitas. 
O Duarte teve ali um autêntico caso de paixão, por parte de um lindo gato, dos muitos que por ali havia...

 Já anoitecia quando ainda demos um pulo a Belmonte para vermos o seu Castelo com a linda janela manuelina

 Regressámos à Covilhã, um pouco cansados, para um brevíssimo descanso antes de nos dirigirmos a uma aldeia situada a cerca de 20 kms da Covilhã, onde jantámos num óptimo restaurante (que bom estava o pernil) e com um atendimento 5*. 
Fomos depois ver as festas de Santa Bebiana que se realizavam ali neste fim de semana com as ruas do centro pejadas de uma pequena multidão que vagueava de tasca em tasca a petiscar e a bebericar geropiga e outros “alcóois”, com uma procissão muito original, em honra dos deuses protectores da bebida

video
claro que as tascas eram todas casas de gente da terra, nesses dias transformadas em local de acolhimento. 
No domingo, com regresso agendado para depois do almoço, fomos de manhã visitar a pé o centro histórico
pleno de arte urbana muito interessante e em sítios muito bem escolhidos


 visitámos igrejas e capelas

 
e o centro cívico

Depois e de carro fomos dar uma volta alargada por toda a cidade com destaque para o Monumento a N.Sª.da Conceição
cuja imagem está virada para a cidade e pelo qual também é designada como N.Sª.da Covilhã. 

Fomos buscar a minha Mãe com quem almoçámos a meio caminho entre Covilhã e Fundão no “Mário” a já célebre “panela no forno”, prato regional muito afamado, que é um arroz bem condimentado e recheado de bons enchidos, carnes gordas de porco e dobrada

. Fomos pôr a Margarida à estação do Fundão e deixámos o Miguel junto ao seu carro, no hotel, tendo ele seguido viagem. 
Eu e o Duarte depois de uma curta ida com minha Mãe ao shopping, deixá-mo-la em casa e saímos de regresso a Massamá pelas 4 da tarde. 

Concluindo, um excelente fim de semana, passado com gente muito amiga.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Francisco

Faleceu anteontem, quinta feira o meu amigo Francisco.
Não era um amigo de infância, já que ele era natural de Elvas, alentejano de gema; conhecemo-nos no nosso primeiro ano de Lisboa, nos alvores da década de sessenta.
Eu e a malta da Covilhã pontificávamos no Monte Carlo e ele como alentejano e aluno de Agronomia caía mais ali mesmo em frente, na Paulistana (aliás ao tempo, o Saldanha era muito cosmopolita).
Quis o destino que o Francisco se enamorasse de uma moça amiga da Covilhã e então quando ele ia passar férias na minha terra era em minha casa que ficava.
Daí me considerar um pouco um patrono da união de ambos e que lhes deu seis filhos, um dos quais morreu muito novo à porta de casa, aqui em Lisboa, quando saía da mota que tinha.
Desde então o Francisco passou a ser um covilhanense de coração e a amizade com a nossa malta foi sempre crescendo.
Nos últimos tempos, desde há pouco mais de um par de anos, tínhamos por salutar hábito encontrarmo-nos uma vez por mês, ele, eu e mais três amigos, para almoçar em Lisboa; almoços demorados em que a Amizade e as recordações imperavam, apesar dos desfasamentos políticos ou clubísticos.
Por vezes alargávamos o repasto às caras metades, a quem as tinha (todos menos eu).
E de repente, há alguns meses tudo aconteceu ao Francisco: começou a ficar diabético, apareceu-lhe um tumor na próstata, removido com sucesso numa cirurgia e agora um novo tumor, que nada se relacionava com o anterior, desta vez, no cérebro.
Três cirurgias num espaço curtíssimo de tempo, um coma induzido, depois um coma profundo, uma infecção generalizada e assim ele partiu, quase sem avisar ninguém.
Devido a uma traumática experiência pessoal de há poucos anos, em que a minha irmã mais velha faleceu com um tumor semelhante, temi sempre o pior, o que infelizmente aconteceu.
Nunca o fui ver ao hospital, pois eu, por feitio e defeito próprio, em vez de levar ânimo a um doente, vou-me abaixo, comovo-me e o efeito é contraditório.
Só quando os médicos, há pouco mais de uma semana, “desenganaram” a família, lá fui, para estar com a mulher, os filhos e a irmã, mas não o vi, pois já estava em coma nos cuidados intensivos.
Como se decidiram pela cremação e esta continua, incompreensivelmente, a ter apenas dois locais em Lisboa, tiveram que esperar por hoje para fazerem o funeral.
Só hoje o corpo, logo pela manhã veio do Hospital da Luz para a Basílica da Estrela e ainda bem que assim foi, pois a família pôde ontem, em comunhão, descansar do imenso desgaste dos últimos dias. O funeral foi comovente, com centenas de pessoas, revi muitos amigos e dei o meu apoio à família.
Um padre verdadeiramente chato, que fez demorar uma missa de corpo presente uma hora, não estragou a cerimónia, que teve no final da missa um momento especial, com os filhos todos juntos e com a mais velha a ler uma carta de despedida ao Pai.
O Francisco era quase da minha idade, exactamente um ano e um dia mais velho que eu e já não foi o primeiro a partir.
Cada vez mais pela precariedade da vida dou mais valor à maneira como a vivemos – o tempo vai-se escoando, e embora ainda tenha uma Mãe “jovem” de 91 anos, cada vez vamos sendo menos.
Como serão agora os nossos almoços sem ti, meu querido Francisco?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

As minhas raízes estão aqui

A Covilhã e a Serra da Estrela- Time Lapse from João Pedro Jesus on Vimeo.

 Neste maravilhoso vídeo, já divulgado no FB e no Google+, está a minha cidade, a Covilhã, estendendo-se desde as diversas encostas até ao vale, onde nasceu uma nova cidade, está a minha serra, a Estrela com todo o seu encanto e está a Cova da Beira, toda uma região plana que se estende entre a Estrela e a Gardunha.
O autor soube fazer com mestria a junção de inúmeras fotos que foi registando alcançando um resultado de alto nível.
Hoje deixo a região, de novo a caminho da minha casa, em Massamá (espero não ter maus encontros, à chegada...)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sanatório: Passado e Presente


Este vídeo mostra de uma maneira muito completa como funcionou o antigo Sanatório da Serra da Estrela, desde o esplendor do seu tempo de utilização como unidade de saúde, até a degradação total a que chegou este majestoso e belo edifício.

Projectado pelo arquitecto Cottinelli Telmo nos anos 20, e mandado construir pelos Caminhos de Ferro, este sanatório fica situado em Porta dos Hermínios nas Penhas da Saúde junto à cidade da Covilhã, a 950 metros de altitude. O seu objectivo foi o tratamento de tuberculose dos seus funcionários. Estes podiam beneficiar da localização em sitio calmo e dos ares da Serra, fazendo parte da rede de 11 sanatórios, existentes no inicio do século XX.
Demorou 8 anos a ser construído (1928-1936) e permaneceu fechado durante outros tantos anos, devido a circunstâncias diversas e estranhas à CP. Depois viria a ser arrendado à Sociedade Portuguesa de Sanatórios, com a condição de receber todos os doentes necessitados de tratamento de altitude, tendo cinquenta camas à disposição da Assistência Nacional aos Tuberculoso.
O edifício acolheu, ao longo de mais de 40 anos, muitos milhares de tuberculosos, provenientes de todo o país, que procuravam recuperar da tuberculose nos bons ares da Serra da Estrela.
Apesar de acolher doentes de todas as classes sociais, os doentes menos favorecidos não tinham acesso a todas as alas, algumas destinadas apenas às classes altas, que ali encontravam todo o conforto que o dinheiro podia comprar.
Oito anos após a cedência, o edifício passou para as mãos do Estado, "tomando conta dele", o Instituto de Assistência Nacional de Tuberculose (IANT), passando também a partir de 1953, a ser internados doentes pobres.
O recurso à quimioterapia anti-tuberculose, levou ao encerramento dos sanatórios afastados dos centros urbanos e pouco rentáveis.
Em Junho de 1969, por ordem do Ministério de Saúde e Assistência seria dada ordem de encerramento.
Depois do encerramento do edifício como Sanatório, este continuou a ser preservado por um casal, dois funcionários que aí permaneceram para o manter habitável. Enquanto esses dois funcionários, aí se mantiveram como funcionários do Estado, o referido espaço manteve todo o seu esplendor e todas as condições de habitabilidade até à altura em que foi utilizado para prestar acolhimento a cerca de 700 pessoas “retornadas”,  por motivo da independência das antigas colónias portuguesas.
Após a estadia temporária dessas pessoas, que entretanto procuraram refazer a vida e foram abandonando definitivamente o Sanatório que lhes serviu de abrigo temporário, notou-se muita degradação. Mesmo assim, o Sanatório manteve-se funcional e  preservado até ao momento em que estes dois funcionários abandonaram definitivamente o Sanatório quando chegou a idade da sua aposentação.
No final dos anos 80, quando já se encontrava praticamente abandonado e seriamente degradado passou para as "mãos" da Turistrela.
Entretanto, durante o período de encerramento do edifício como Sanatório e até à sua utilização para acolhimento dos retornados, aí se realizavam todos os anos as grandiosas festas do Carnaval da Neve, que antes se faziam na Colónia Infantil da Montanha, nas Penhas da Saúde.
No ano de 1998 o Sanatório chegou a ser vendido à ENATUR (empresa das Pousadas de Portugal) pelo preço simbólico de 1 escudo. Em contrapartida a ENATUR comprometia-se a instalar ali uma Pousada de Portugal, cujo projecto chegou a ser elaborado pelo arquitecto Souto Moura o qual previa um investimento na ordem dos 10 milhões de euros. Entretanto a ENATUR foi entregue ao Grupo Pestana, e o projecto foi abandonado, tendo em 2004 cessado o contracto. Assim a titularidade do sanatório regressou às mãos da Turistrela.
Foi preciso esperar nove anos para fazer concretizar a obra de transformação da ruína do edifício do Sanatório em nova Pousada da Serra da Estrela. A Entidade Regional de Turismo da Serra da Estrela fez disponibilizar os meios para o pagamento do projecto na condição de propor o arquitecto Souto Moura.
Hoje, a obra está praticamente concluída e prevê-se a sua inauguração em meados do próximo ano.
Para além do alojamento (95 quartos), a Pousada da Serra da Estrela fica dotada de um Health Club, salas de reuniões e espaços para conferências que servirão a população local e os turistas.Este e o parque de estacionamento, com capacidade para 50 a 60 carros, são as únicas construções de raiz. O Health Club foi construído numa cota inferior, aproveitando a própria natureza do solo, não interceptando a vista sobre o vale. Esta estrutura é composta por jacuzzi, ginásio e uma piscina com paredes envidraçadas amovíveis. O parque de estacionamento é subterrâneo.
No meio da arborização vai surgir um jardim de esculturas com luzes.
Souto Moura mexeu ainda nos solários do último piso, recuperando-os.
A Enatur adjudicou esta obra à empresa Soares da Costa e a gestão e exploração da futura unidade de alojamento ficam a cargo do Grupo Pestana Pousadas.
Deixo aqui fotos das obras por assim dizer concluídas deste edifício tão belo e com uma história tão atribulada. A região covilhanense fica assim com um enriquecimento do seu parque turístico, pois o edifício situa-se apenas a cerca de 4 kms da cidade da Covilhã
.







terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A "nova" Covilhã

A minha cidade mudou muito nos últimos anos. Da velha cidade dos lanifícios, outrora a "Manchester portuguesa", restam alguns edifícios fabris transformados em pólos universitários ou seus apoios (à excepção de uma só grande empresa). A cidade é agora uma das mais conhecidas cidades universitárias, com a UBI (Universidade da Beira Interior), que tem uma nova Faculdade de Medicina e que dá vida à urbe.
As indústrias diversificaram-se e quer no Parque Industrial, quer no Parque Urbis há grande desenvolvimento industrial.
E agora com o recente acordo com a PT, para a instalação na cidade do mais importante Data Center da Península, a cidade vai ainda progredir mais.
E a sua topografia mudou também radicalmente: antes eram as ruas e ruelas distribuídas em anfiteatro, desde o vale até ao início da serra; agora é o vale plano, que, como um milagre, nos últimos 20 anos cresceu exponencialmente.
O velho Pelourinho continua a ser o centro da cidade e a sua sala de visitas; mas a população escasseia mais, como nos grandes centros e pela noite há uma certa nostalgia do passado.
A Covilhã recuperou dois locais importantes, transformou-os e alindou-os: as ribeiras da Carpinteira e da Goldra.
Criou um belíssimo espaço verde, o Jardim do Lago. Construiu uma ponte pietonal unindo a zona do Jardim com o Bairro dos Penedos Altos, que é considerada uma das mais inovadoras arquitecturas na Europa e projecta um teleférico.
A cidade estende-se tanto pelo vale que não admira que daqui a uns curtos anos, constitua com o Tortozendo, já agregado e o Fundão, cada vez mais perto, uma grande urbe do interior do país.
Como filho da terra, é com orgulho que aqui deixo um vídeo da "nova" Covilhã.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Onde está o Wally?

Esta foto é de uma turma do ano lectivo 1969/70, do então Liceu Nacional da Covilhã, hoje Escola Secundária Frei Heitor Pinto, onde fui aluno e mais tarde professor.
Nesta foto, onde eu não estou, estão entre muitas pessoas que conheço, um irmão e um primo meus.
Mas, onde está o Wally???

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Passado e presente 16 - Covilhã, a minha cidade

Covilhã, cidade neve, cidade tear, cidade serra, cidade universidade, cidade de altos e baixos, mas sempre a minha cidade.

Lá nasci, por lá me criei e de lá "emigrei", porque a interioridade há anos atràs, era bem maior que actualmente.

Mas voltei sempre, as raízes estão lá, a família também; os amigos, esses "emigraram" também.

Enquanto lá vivi, até aos 16 anos, era o meu mundo e o outro mundo ainda não tinha chegado bem até mim. Durante os meus estudos, eram as férias, ainda eram os amigos e a família estava completa, era muito bom.

O exílio prolongou-se durante muitos anos, de 1962 a 1980, com a tropa a "ajudar"...

E, no principio de 80, eis que regresso, dando resposta aos anseios paternos de ajuda na empresa familiar.

Dá-se então algo surpreendente, ao verificar que aquela cidade, no seu dia a dia era totalmente diferente da Covilhã da minha infância e juventude. As pessoas eram outras, o 25 de Abril tinha deixado marcas numa cidade muito estratificada socialmente.

Poucas eram as pessoas que conhecia, pois como por "magia", tinham-se eclipsado algumas, muitas, pessoas com quem antes me relacionava; não estavam desaparecidos, estavam "hibernados", soube-o de uma forma fortuita, quando no funeral de alguém conhecido, de repente apareceram todos, ou quase.

Os viveres eram outros, e eu adaptei-me, até porque eu próprio estava muito diferente.

A minha cidade, pese embora o crónico pensar retrógrado do interior do nosso Portugal, estava diferente, e eu era um estranho, não me conheciam... E pude descobrir algumas ousadias daquelas gentes, que geralmente só são mostradas a quem "é de fora".

Mas eu fui ficando e com a rotina da presença, vieram os normais recuos. Mas nunca deixei de ser eu e durante os 14 anos que ali vivi, desde o meu regresso, multipliquei-me em todas as direcções: empresário têxtil,, professor, dirigente desportivo, cineclubista, e até, pasmece-se, cheguei a ser candidato autárquico, pela mão do "Zé" (...), sim, esse que estão a pensar!

E voltei a conhecer toda a gente e a sentir-me de novo na minha cidade.

O problema é que a vida dá muitas voltas e eu "emigrei" de novo, desta vez, penso que definitivamente, para a Lisboa dos meus tempos do ISCEF, e onde aprendi de uma forma muito autodidacta a gostar de tanta coisa, e a defenir-me completamente como sou.

Com orgulho digo, que nunca deixei de ser esse "todo" em que me constituo, mesmo lá, na minha cidade. E nunca ouvi uma critica, sempre fui visto da mesma forma.

Hoje, volto cada ano pelo Natal, que já não é o que era antes, é claro, e de vez em quando a visitar a minha Mãe.

A Covilhã mudou de vez. Os lanifícios morreram, ou estão a morrer, a universidade abriu a cidade ao mundo, o crescimento estendeu-se cá para baixo, para a planície, deixou de subir serra acima.

É actualmente uma cidade moderna, com vida própria e até com alguns motivos de orgulho, como um curso de medecina, instalado a meias entre a Universidade e um hospital, que recentemente foi considerado o 4º. melhor do país (público).

A Covilhã será para sempre, a minha cidade!


(foto - fachada da Igreja de Santa Maria Maior)


Este post foi publicado originalmente na parte desaparecida do meu blog a 12 de Dezembro de 2006.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Estou feliz...

Este é um texto que tenho há longo tempo na minha cabeça e que só hoje é publicado, porque recebi há algumas horas um telefonema que me permite enfim contar uma história, que é uma história pessoal, mas é também um pouco uma história que reflecte a forma como está a Justiça em Portugal.

Recuemos no tempo: trabalhei, desde Janeiro de 1980 a final de 1993 na empresa textil familiar que havia na Covilhã, e que hoje é um belo edifício, que serve de residência universitária dos alunos da UBI. Aí, junto com o meu Pai e dois dos meues irmãos demos continuidade à fabrica iniciada pelo meu Avô e onde também trabalhava um tio meu. Fui tendo a meu cargo a direcção comercial e à morte de meu Pai, e após um período de gerência da minha irmã que a partilhava com o meu tio, quando esta abandonou a firma por motivos pessoais, fui chamado à gerência, num peíodo crucial e muito difícil pois a indústria textil começava a sua crise sem retorno, e ali passei, sem conseguir conciliar o sono, tais eram os inúmeros problemas a resolver, dois difíceis anos. Por inconciliáveis questões de gerência com o meu tio, e com o acordo de todos os meus irmãos e de minha Mãe, herdeiros da parte do meu Pai, fiz uma proposta ao meu tio: ele deixar de trabalhar na empresa, recebendo os seus honorários enquanto vivo, ou no caso de o não querer fazer ficaria sózinho na fábrica e nós venderíamos a nossa parte a ele por um valor simbólico – 1 escudo! Ele aceitou esta proposta e nós saímos. Deixei uma carta à gerência, nos termos legais a renunciar à gerência, com data de 23 de Dezembro de 1993 e encerrámos para férias, para reabrir a 2 de Janeiro, já sem mim. Os salários e o subsídio de Natal pagos e o dinheiro para pagar o IVA e o Imposto de Selo, referentes a Dezembro, no cofre, pois se pagava sempre a 15 do mês seguinte.

A fábrica morreu para mim, e nem sequer tive direito ao subsídio de desmprego, por ser gerente…Qual o meu espanto, quando 14 anos depois, em 2006, recebo duas notificações das Finanças em que devia pagar 1200 euros do Imposto de Selo referente a Dezembro de 1993 e 14.000 euros do Iva do mesmo mês, que a nova gerência não tinha pago a 15 de Janeiro de 1994. Fui às Finanças da Covilhã, onde me explicaram que devia fazer duas exposições (uma sobre cada processo) para apreciação. Assim fiz, tendo juntado todos os documentos que provavam que na altura eu já não era gerente; essas exposições não foram aceites pelo Chefe das Finanças alegando que essas importâncias eram referentes a Dezembro de 1993 eassim eu era responsável; fui constituído arguido e a próxima contestação teria que ser judicial , feito por um advogado; claro que falei com o meu advogado que me disse na altura (recordo-me bem das palavras dele), que o que me estava a acontecer era um roubo autêntico, e que os processos eram para ser ganhos, mas deveria estar preparado para tempos difíceis.

De imediato fiquei sem nada em meu nome, pois caso contrário seria penhorado e as alegações do advogado eram brilhantes, aliás idênticas, só variando o montante e o destino (I.Selo e IVA). Claro que me penhoraram um terço da pensão de reforma, já de si baixa e retiveram-me o que teria a receber do IRS durante dois anos. Um dos casos, o mais pequeno, foi entretanto apreciado por um juiz que deu razão às alegações do advogado e desse fiquei desde logo ilibado, sem julgamento , e sem nada; mas também já me tinham sacado mais do que o valor da dívida, que era de 1200 euros e eles têm lá mais de 2000 euros que me tiraram ou não pagaram; curiosamente deixaram de me penhorar a pensão e começaram a dar-me o reembolso do IRS, mas o segundo processo foi para a frente e foi a julgamento, tendo eu que apresentar duas testemunhas; esse julgamento realizou-se em Castelo Branco em finais de Janeiro de 2009 e hoje, dia 28 de Abril de 2010 foi comunicado ao meu advogado que eu tinha razão e nada devo!!!!!

Agora quem me deve, são as Finanças, todo o dinheiro que indevidamente me tiraram e me vai ser ressarcido, sabe-se lá quando…

Acima do que representa essa soma para mim, está o facto de poder ter as minhas coisas em meu nome, de não estar sempre a tremer quando recebia alguma carta das Finanças e sobretudo, isso é que é o mais importante, de ter o meu nome limpo!

Hoje sou um homem feliz, muito feliz!!!!

©Todos os direitos reservados. A utlilização dos textos deste blogue, qualquer que seja o seu fim, em parte ou no seu todo, requer prévio consentimento do seu autor.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Viagens

Esta Páscoa rumei até à minha cidade, Covilhã, para passar estes dias com a minha família, nomeadamente com a minha Mãe, pois as últimas visitas (no Natal e em Fevereiro) tinham sido difíceis, principalmente a última, para o funeral da minha irmã. Fui de comboio, cómodo e descansado e já lá fui almoçar na sexta feira; encontrei a minha Mãe bastante melhor, pois ela é uma mulher forte como poucas e estava naturalmente satisfeita com a minha visita. Fui até ao Shopping, espécie de Colombo de uma cidade pequena, fui-me cruzando com pessoas que há muito não via e aí me encontrei com um primo meu para tratarmos de um eventual negócio futuro; depois dirigi-me com muita calma até ao cemitério e visitei pela primeira vez a campa de minha irmã, pois não tinha conseguido ir até lá no dia do funeral; foi bom esse momento a sós com ela e não pude evitar as lágrimas de uma já tão grande saudade; ainda “passei” a dizer olá ao meu Pai.  À noite e com um frio imenso assisti no centro da cidade e comovidamente à procissão que mais gosto, a do “Enterro do Senhor”, só como queria; depois fui até casa e fiquei à espera de uma velha amiga, com quem me encontro sempre que posso quando vou à Covilhã; a Isabel, tem alguns anos menos que eu, não muitos, pois já tem filhos com 30 anos, enviuvou muito cedo e não mais voltou a casar; tem uma vida muito dela, “vai a todas” como se  diz e bebe cultura de todas as formas; conhece meio mundo e tudo o que é sítio agradável na cidade; saímos eram 11 e meia da noite para um local novo na cidade (pelo menos para mim), que se chama TBG (Tudo Boa Gente) e é um complexo de restaurante, bar e discoteca, mesmo junto à Estação da CP, num antigo barracão, bem recuperado; sempre no bar e com um bom scotch por companhia pusemos a “escrita em dia” e acabei por me deitar às 4 da manhã. No sábado fui almoçar a um restaurante dos arredores com a minha Mãe e irmã para me deliciar com um dos pratos que mais gosto e só consigo comer ali: a “Panela no forno” que é uma espécie de Tripas, com dobrada e carne de porco, muitos enchidos, mas sem feijão, substituído por um delicioso arroz…Entretanto e quase de fugida tinha encontrado um “velho” amigo, e depois em casa da minha irmã, onde fiquei, reuniu-se alguma família durante a tarde e foi divertido ouvir as conversas entre minha Mãe e duas tias minhas, todas com mais de 80 anos, e todas ouvindo mal; foi uma delícia e uma risada ao melhor estilo do cartoon do Mr. Magoo!  A noite foi passada em família e no dia seguinte, domingo levei a minha Mãe ao cinema, coisa que ela não fazia há muitos e muitos anos, e fomos ver o “Quem quer ser milionário?” que eu ainda não tinha visto e adorei, não só pelo filme mas também pela companhia; noite caseira e televisiva e ontem após um almoço em casa de outra irmã lá regressei muito satisfeito com estes três dias.

Entretanto, no dia 25 de Maio, nova viagem se anuncia: durante uma semana e infelizmente sem o Déjan vou até à Tunísia, mais própriamente à cidade costeira de Monastir; é uma viajem oferecida pela empresa na qual tenho o meu "part-time" e é tudo oferecido, menos a viagem de um acompanhante, e que no caso do Déjan se tornaria caríssima... Já me informei e parece ser um país bonito e de gente simpática, mas haverá duas coisas menos boas: a tradicional pouca higiene dos países do norte de África e uma alimentação fraca e repetitiva; a ver vamos..

sábado, 21 de junho de 2008

Passado e presente: 3 - Recordações da minha terra (1)


Esta foto representa, hoje, uma moderna residência universitária, situada numa zona da Covilhã, denominada Sineiro, onde havia bastantes unidades fabris, hoje quase todas encerradas, e as quais grande parte foram adquiridas pela UBI (Universidade da Beira Interior), que naquela zona da cidade estabeleceu um outro polo dos seus serviços. Naquele edifício, gastei eu 13 anos da minha vida profissional, desde o início de 1980 até ao final de 1993, pois era aqui que funcionava a empresa têxtil da minha família. Foi fundada, noutro local, e com menores dimensões, pelo meu Avô, nos anos 30 do século passado e o qual com a ajuda dos seus dois filhos varões, meu Pai e meu tio, a fizeram crescer, e que se desenvolveu muito durante o período da guerra. Era uma unidade fabril de média dimensão, na óptica do nosso país, com mais de uma centena de trabalhadores, distribuídos pelas diferentes secções de cardação, tecelagem e fiação, sendo esta, à altura uma das melhores do país, e permitindo mesmo prestar serviços a outras unidades; para ser uma fábrica vertical, faltavam as secções de ultimação e tinturaria, serviços que eram prestados a todas as empresas da cidade por meia dúzia de fábricas especializadas nesses serviços. Os serviços de armazém e administrativos funcionavam no edifício principal, no piso superior. Perante a insistência de meu Pai, acabei por abandonar o ensino, e juntar-me ao núcleo familiar que ali trabalhava, entretanto alargado a uma irmã e a um irmão meus. Apenas acedi nessa altura, pois já não trabalhava lá o meu Avô, pessoa que admirei, pela sua determinação e iniciativa, mas com o qual nunca seria capaz de trabalhar, pelo seu feitio de mando, sem diálogo, à boa (má) maneira do seu tempo. Foi uma luta grande a que travei ali, principalmente nos últimos tempos, após o falecimento de meu Pai, pois tive que ocupar funções de gerência, acumuladas ás de director comercial e responsável pois de todo o escoamento da produção, sendo estas funções do meu agrado, pois se adaptavam ao meu espirito de trabalho.Só então, e já numa altura de grande crise no sector, vivi por dentro os inúmeros problemas da empresa, quase inventando o dinheiro para tudo pagar, quer ao pessoal, quer ás compras de matéria prima, quer ás obrigações fiscais e ainda os serviços prestados de acabamento e tinturaria. Além do mais, começou a haver uma forte clivagem entre o bloco constituído por mim e meus irmãos, com o meu tio, que comigo compartilhava a gerência, mas parecia alheado a todos estes problemas, pelo que perante um confronto absolutamente imprescindível, tipo “ou ele ou nós”, resolvemos ceder as nossas partes e deixámos a empresa, tendo eu regressado ao ensino. A empresa durou apenas mais 2/3 anos, mas poupou-me a uma sempre muito dolorosa decisão de encerrar a empresa. Numa recente visita à Covilhã, e num encontro casual com o Reitor da Universidade, tive a oportunidade de lhe falar no meu gosto de visitar a agora belíssima e enorme residência universitária, uma das várias que a Covilhã possui, ao que ele simpaticamente acedeu, de imediato, mas ficou tal visita adiada, por se estar em período de férias natalícias. Apenas uma explicação, necessariamente breve, para tentar explicar a transformação da Covilhã, de um importante polo da indústria de lanifícios, sendo mesmo conhecida pela “Manchester portuguesa”, para uma cidade essencialmente universitária e de turismo. É que, com os aumentos salariais, após o 25 de Abril, mais que justos, pois era uma indústria extremamente mal remunerada, tornou-se impossível continuar a praticar preços concorrenciais, quer no mercado nacional, quer essencialmente no internacional, que estava em franca expansão, principalmente depois das adesões à EFTA e depois ao então Mercado Comum. Assim, como exemplo, se num ano, a flanela fabricada na nossa empresa ganhou um concurso e foi eleita para fornecer o Catálogo Redoute, o que proporcionou consideráveis aumentos de produção, no ano seguinte, esse contrato não foi renovado, pela impossibilidade de acompanhar o preço oferecido por uma empresa marroquina; isto mostra, de um modo assaz simplista que a indústria têxtil é quase sempre corolário de um país do terceiro mundo, com mão de obra muito mal paga. Aliás, Portugal e a região covilhanense, em particular, viveu um “boom”, quando da falência das empresas francesas, primeiro e das espanholas a seguir, nas décadas de 70 e 80. E perdeu toda a sua força, e continua a perder, agora mais no sector da confecção, quando a deslocalização se começou a fazer sentir, com o peso da concorrência de empresas do norte de África e especialmente do extremo oriente, que pagavam e pagam salários de miséria, apresentando preços incomportáveis para as nossas empresas. O problema agudizou-se ultimamente com o diferendo entre a Comunidade Europeia e a China, pois a indústria têxtil chinesa, hoje em dia, ameaça seriamente toda a produção ainda restante das grandes empresas europeias comunitárias, e estas sim, têm peso para fazer valer os seus direitos, nãio esquecendo as preocupações americanas neste caso, também. Enfim, mais uma página de nostalgia, desta vez alargada a alguns problemas genéricos da indústria têxtil actual.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Covilhã, cidade neve




Covilhã cidade neve
Fiandeira alegre e contente
És o gesto que descreve
O passado heróico e valente

És das beiras a rainha
O teu nome é nome de povo
És um beiral de andorinha
Covilhã tu és sangue novo

(Refrão)

De manhã quando te levantas
Que briosa vais para o tear
E os Hermínios tu encantas
Vestem lã para te namorar

E o pastor nos montes vagueia
Dorme à noite em lençol de neve
Ao serão teces longa teia
Ao teu bem que de longe te escreve

(Refrão)

Covilhã cidade flor
Corpo agreste de cantaria
Em ti mora o meu amor
E em ti nasce o novo dia

Covilhã és linda terra
És qual roca bailando ao vento
Em ti aura quando neva
Covilhã tu és novo tempo

(Refrão)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Este fim de semana...


Este fim de semana alargado, saio de Lisboa e vou até às minhas raízes; vou respirar o ar puro da Estrela, reencontrar a minha terra, hoje tão diferente (para melhor), da Covilhã onde nasci e cresci.

Vou lá e levo comigo flores, muitas flores, milhares de flores, simbolizadas numa só flor, a tua flor preferida: a rosa! E essa flor é para simbolizar todo o carinho, todo o Amor, toda a ternura e toda a gratidão pela magnífica lição de vida que me tens dado ao longo destes anos, Mãe!

É com uma emoção enorme que amanhã, ao beijar-te, te direi obrigado pelo exemplo de Mulher e Mãe que tens sido, para mim e para todos nós, teus filhos.

No encanto dos teus 84 anos, tão lúcidos e serenos, mas ainda assim já um pouco cansados, olhas para trás e vês nos teus filhos, no carinho com que te envolvem, a recordação de uma vida, de uma vida cheia e que nem sempre foi fácil; os teus exemplos sempre me nortearam e é a ti que devo toda uma maneira de ser de que muito me orgulho. Sempre houve entre nós dois uma imensa cumplicidade, para entendermos tudo, muitas vezes com um olhar, um sorriso, algumas vezes, uma lágrima...

Foste, há 19 anos atrás, sujeita a dura prova, pelo destino, quando viste partir, de repente, o único Homem que sempre amaste e que sempre te amou só a ti; e mais que viúva, ficaste orfã, pois pouco conhecias da vida prática, fora do lar; desconhecias muitas coisas, pois o meu Pai de tudo tratava; e então foi necessário reaprender a viver, e só; mas com que espirito o fizeste, com que tenacidade o conseguiste.

Mãe, tudo o que possa dizer de ti é pouco e só me penaliza a ideia da naturalidade do ciclo da vida; mas enquanto aqui estiveres, quero para ti a maior felicidade do mundo, que te sintas rodeada do Amor, da ternura e da alegria que sempre nos soubeste dar.

Obrigado, minha querida Mãe!

(Escolhi para tema musical uma música que sempre gostaste muito: “La Cumparsita”, na voz de um cantor muito do teu agrado, Carlos Gardel; recordas-te como ao som desta música, era eu menino, me ensinavas a dançar?)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Os meus amigos (6)



No meu “apagado” blog, havia uma rubrica, que já ia, salvo erro, na sua quinta postagem, subordinada ao tema “Os meus amigos”.
Há muito, estava tentado a falar de um amigo, daqueles que não só eu conheço, mas que é figura sobejamente conhecida; exactamente o José Sócrates.
Faço-o agora, por variadas razões. A primeira, e mais importante, é que actualmente está na “mó de baixo”, é assobiado onde quer que vá, tem os media contra ele, as manifestações estão em crescendo, e assim sendo, não posso ser acusado de estar a untar as botas de alguém, que há alguns meses atrás, continuava num longo estado de graça, talvez o mais prolongado para os últimos primeiros ministros.
Depois, porque a Amizade se sobrepõe às diferenças de opinião, e se hoje em dia, em vários aspectos, sou critico de actuações suas, isso não invalida a amizade.
E ainda, porque nunca utilizei, contra o que parece ser um hábito, neste e anteriores processos, a amizade, para obter “benesses”. É até curioso, que a última vez que falei com o Zé, já lá vai um longo tempo, numa tarde de Verão, na esplanada do CCB, era ele Secretário de Estado do Ambiente, eu tinha sobre mim a sombra do desemprego, que se veio a efectivar quando não consegui colocação como docente um mês depois; falámos sobre tantas coisas, mas evitei falar no assunto, o que até não foi fácil.
Mas, vamos ao início; conheci o Zé Sócrates, na Covilhã, onde ele era funcionário da Câmara e o lider concelhio do P.S. Nunca fomos colegas de estudo, pois ele é alguns anos mais novo, fui todavia aluno do seu pai, no então 1º.ano do Liceu da Covilhã, na disciplina de desenho, na qual eu era razoàvelmente mau...
Mas, alguma simpatia minha pelo socialismo, levaram-nos a vários encontros, e um belo dia o Zé convenceu-me a fazer parte, como independente, da lista do P.S. para as eleições autárquicas; a minha vida profissional de então não me permitia “aventuras políticas”, pelo que acedi, apenas com a condição de ficar num lugar não elegível, e assim fui 5ª da lista, que meteu quatro candidatos na autarquia. Foi nesse período, que melhor o conheci, e admirei o seu espirito de luta e o seu empenho, e mantive um contacto muito próximo quando da sua eleição para deputado, juntamente com A. Guterres,
pelo circulo de Castelo Branco.
Aliás foi curioso, que a insistência de ambos, consegui que o meu Pai os recebesse numa visita à nossa empresa têxtil, o que foi difícil, dada a aversão a tudo o que fosse de esquerda do meu Pai (feitios...); mas foi uma conversa agradável e correcta, que serviu para, com outras visitas similares, ambos apresentarem na A. República um óptimo relatório sobre a já então conhecida crise dos têxteis.
Fora da política, o Zé sempre foi um amigo com quem pude contar e não faltaram ocasiões para debatermos assuntos vários das nossas vidas pessoais. Por isso, por conhecê-lo tão bem, me indignei tanto com as insinuações, que na altura da campanha das legislativas, lhe foram dirigidas.
Não tem sido fácil a vida familiar do Zé Sócrates, mas ele tem, dentro do possível, sabido precavê-la, tanto no que diz respeito à separação dos pais, ao seu casamento e outros casos muito difíceis da esfera familiar.
É um homem inteligente, que sabe o que quer, e naturalmente, como político, é, nesse campo, ambicioso.
Quando chegou à chefia do Governo, resolveu, e bem, atacar os problemas mais graves do país, sabendo que, mais tarde ou mais cedo, isso se voltaria contra si próprio. Nem sempre rodeado dos melhores elementos, o seu governo, tem tido, reconheço, algumas decisões polémicas e discutíveis, mas pelo que dele conheço, norteia-o o desejo real de ajudar a construir um país melhor.
A má gestão que ele próprio fez de um acontecimento, que não passaria de um “fait-divers”, se tivesse sido abordado de outra forma, ajudou a criar-lhe uma imagem negativa, actualmente.
Mas, pergunto eu, qual a alternativa actual para José Sócrates? Talvez parte da resposta às criticas que lhe são feitas, hoje em dia, de todos os quadrantes, estejam exactamente neste ponto...
Para mim, embora não possa esquecer que é o Primeiro Ministro do meu país, continua a ser o Zé, continua a ser o Zé, cuja casa, perto do actual Parque Industrial da Covilhã, eu tanto gostava de frequentar.