domingo, 23 de fevereiro de 2014

Dos "Artistas Unidos", "Punk Rock"


Fui ver na quarta feira passada ao Teatro da Politécnica a peça de Simon Stephens "Punk Rock",
e a primeira surpresa (pouco agradável) que tive, é que já não havia bilhetes, uma hora antes.
Como era o antepenúltimo dia de representações, e não poderia ir sexta ou sábado, corri o risco de não ver a peça.
Mas esperei pacientemente pela entrada dos espectadores e depois lá me deram entrada e sem pagamento de bilhete…

Antes de falar da peça, gostaria de fazer uma pequena introdução sobre a companhia “Artistas Unidos” que agora ocupa e muito bem estas instalações onde funcionou em tempos a cantina da antiga Faculdade de Ciências e onde tanta vez eu comi, pois morava ali mesmo na Rua de S.Marçal.
 Esta companhia foi fundada em 1995 por Jorge Silva Melo
que já havia sido cofundador (com Luís Miguel Cintra), do Teatro da Cornucópia (1973/1979), e estreou-se com a peça do próprio JSM “António, um rapaz de Lisboa” e que o autor posteriormente transpôs como realizador para o cinema.
Foi no velho e incrível espaço de “A Capital”, no Bairro Alto que vi as primeiras peças desta companhia que sempre me despertou a atenção e o interesse, ali permanecendo até 2002, e entretanto o espaço recebeu o nome de Teatro Paulo Claro, em merecida homenagem ao jovem actor tão precocemente desaparecido. Depois foi andar pelo Teatro Taborda, pelo antigo Convento das Mónicas, eu sei lá, itinerando aqui e acolá até assentar onde hoje está e espero que por muitos anos.
Recentemente esta peça que agora vi foi a quarta de várias das quais gostei muito, sem excepção: “O rapaz da última fila”, “SalaVIP”, “A 20 de Novembro”.
Notável o trabalho que Jorge Silva Melo tem tido no teatro português, quer na programação, quer no lançamento de tantos jovens talentos, quer na produção e divulgação literária do teatro.

Quanto à peça, ela passa-se numa sala de estudo de uma escola secundária de Manchester, nas vésperas dos exames finais e mostra um conjunto de sete alunos, com a exteriorização dos seus caracteres pessoais ainda em formação, mas já muito bem definidos, os seus problemas de vária ordem, nomeadamente sexual, e de uma maneira geral dos assuntos do mundo actual, desde o bulling, à violência juvenil, ao estado actual económico e social (notável uma vasta “fala” sobre este aspecto a cargo de Isac Graça).
As tensões vão subindo de tom e adivinha-se um final sombrio, muito ao estilo das tragédias reais das escolas americanas (Columbine p.ex.). A encenação de Pedro Carraca é notável (vi no You Tube extractos de uma representação inglesa e preferi esta) e o trabalho dos jovens actores é excepcional – de todos; mas permito-me realçar a confirmação de João Pedro Mamede
e a descoberta de Isac Graça
e principalmente de Rita Cabaço, como Lilly).

Enfim, e como sempre ou quase, vejo a peça no final das suas representações e já não a posso recomendar; mas se ela for representada num qualquer local a que possam assistir, façam o favor de não a perder. Deixo um pequeno vídeo, com declarações do encenador e imagens de cena.
video

10 comentários:

  1. Fica a recomendação, e não a perderei se voltar a cena!
    Abraço

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    1. Justine
      e não darás por mal empregue o teu tempo...
      Beijinho.

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  2. sempre que posso, vou às estreias das peças dos AU, pois os 3 primeiros dias são gratuitos. Quando não pude, raras vezes, paguei o preço reduzido do dia do espectador. Vi essas peças que mencionaste, entre outras, e de todas gostei, umas mais, outras menos, mas nunca fiquei indiferente. De facto, os AU dão a conhecer jovens actores que colocam a um canto outros actores já com bastantes anos em cima. Gosto dos AU, gosto das peças que apresentam, gosto de ver casa cheia e esta peça sempre teve, pelo que leio nas redes sociais. Quando fui ver, claro que estava esgotadíssima e algumas pessoas tiveram que ficar de fora. Ainda bem que existem os AU, o JSM que continua a incentivar gente a ir ao teatro, nunca pára, que eu bem o sigo no fb. :)
    e fico muito contente por teres gostado. quando estrear outra, aviso-te com antecedência.
    bjs.

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    1. Margarida
      eu gostei mesmo muito; disse-me muito e os actores são excepcionais.
      Tenho pena que não tivesses conhecido o espaço de "A Capital" - era perfeitamente surrealista...
      Beijinho.

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  3. Quando o nervosismo se apodera dos alunos, nas vésperas dos exames finais, é o descalabro.

    Neste último Verão, fui ver 'Sala VIP', de Jorge Silva Melo. Uma peça dos 'Artistas Unidos', e gostei bastante. Foi, aliás, uma sugestão da Margarida.

    um abraço, João.

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    1. Mark
      aqui nesta peça, a questão dos exames finais é mais um pretexto para os verdadeiros problemas pessoais dos alunos vvirem ao de cima, do que o verdadeiro problema.
      Também gostei da "Sala Vip", mas dos quatro mais recentes que vi nos AU, foi a mais fraca, apesar de tudo.
      Abraço amigo.

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  4. Ando demasiado caseira para meu desgosto! Não tenho ido a lado nenhum, tenho andado mergulhada na m**** dos problemas do nosso país (tal como muita gente, infelizmente). Gosto de o fazer mais à noite do que de dia, sei que há, caso do teatro horários de tarde aos fins de semana, mas...ando a enganar-me (antes a mim do que aos outros) e vou arranjando sempre uma desculpa, para mim mesma, para não me "mexer"... E os dias vão passando!
    Abracinho meu!

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  5. Maria Teresa
    eu infelizmente também, mas lá vou arranjando uns "furinhos" de quando em vez.
    À noite é raro sair, mas os teatros são uma opção muito válida para as matinés de domingo e estes fins de tarde semanais, que acabam ainda a uma hora decente para jantar e regressar a casa a horas não tardias...
    Beijinho.

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  6. Tanto quanto sei, e tu confirmas na interessante descrição que fazes antes de falares da peça propriamente dita, o Jorge Silva Melo tem tido um papel fantástico não só nos Artistas Unidos, mas transversal ao teatro português. Não posso deixar de ficar curioso com a forma como descreves "A Capital", que devia ser um local fantástico.

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  7. Coelho
    era um velho edifício que presumo ainda exista, na Rua do Diário de Notícias (salvo erro), no Bairro Alto. Era sinistro na entrada, mal iluminado, um espaço incarecterístico, com coisas amontoadas a esmo. Depois havia uma escada em caracol, daquelas onde só cabe uma pessoa de cada vez, que desembocava numa salinha, que servia de pequeno foyer, onde se esperava o início da sessão, a qual decorria numa pequena sala contígua. Aliás os AU sempre gostaram de espaços pequenos...
    Daí eu lhe chamar, e com propriedade, um espaço surrealista.
    Abraço amigo.

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