segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Paz




Que este ano nos traga não a PAZ, pois isso é pura utopia, nos tempos que correm, mas alguma PAZ. O mundo atravessa um período de guerras, de ódios, de ameaças, de extremismos e de violência, nas mais variadas regiões. O meu voto vai para que os homens que aí vêm governar o mundo ( não só nos EUA), sejam capazes de compreender que sem Paz, o mundo jamais será feliz.

Para todos os meus amigos, que essa Paz que falo se prolongue em vós, nas vossas vidas, e que assim, em paz possam realizar os anseios legítimos que tenham para os próximos 366 dias.

sábado, 29 de dezembro de 2007

29 December (2005/2007)




My love
two years ago, at 29 December 2005, we have change our first mails; it's impossible put here everything we passed meanwhile; i could try, but i prefer only to remember every moments, the good and the not so good in this song, our song "You raise me up"!
Thank's, my love for everything you give to me since then till now.
We will be together in two weeks, and the kiss I send you now, I will give it to you at 10 January.
I LOVE YOU - VOLIM TE - AMO-TE, Déjan!!!!!!!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Cinco filmes
























O amigo Papagueno lançou-me há dias um desafio (mais um), ao qual não poderia ficar indiferente, como ele já sabia, e como ele sentiu, quando foi desafiado. Trata-se de nomear os 5 filmes de que mais gostei até hoje; é uma tarefa impossível de cumprir em absoluto, pois nem cem chegariam…Haveria pois que escolher critérios, e assim resolvi “esquecer” o período mudo, do qual não tenho uma total informação para eleger um representante e depois escolher um filme da categoria comédia\sátira,, um musical, um filme europeu, um de ficção científica e um filme mais recente, já do século XXI. Aí começou o suplício, pois se havia três filmes que eu tinha hesitado pouco, embora pondo de lado outras obras primas, mas por mero gosto pessoal, já noutras duas categorias, a escolha foi tremenda.
Mas pronto a escolha está feita e vamos a ela.




Na categoria de musical, a decisão estava tomada, teria que ser “West Side Story” (1961), de Jerome Robbins e Robert Wise; foi um filme que me marcou muito, e durante muito tempo, o considerei o filme da minha vida; claro que deixar para trás os musicais de Gene Kelly, os duetos de Fred Astaire/Ginger Rogers e tantos outros não foi fácil; mas aquela coreografia magnífica, aquelas canções imortais, aquele argumento fantástico sempre me fascinaram e recordo a sua visão no ecrã de 70 mms do Monumental: arrebatador!
Quanto à ficção científica a luta foi mais restrita, mas a opção estava tomada: “2001, Odisseia no Espaço” (1968), de Stanley Kubrick ganhou aos pontos a “Blade Runner”, e ainda por cima é também uma homenagem a um cineasta que não fez um único filme menos bom ou desinterassante (não posso deixar de lembrar uma obra prima sua – “Barry Lindon”).
A terceira e última opção, mais ou menos imediata, foi na categoria dos filmes mais recentes; mesmo deixando para trás filmes fabulosos, como “Magnólia”, “Beleza Americana”, “Longe do Paraíso” e tantos outros, o eleito teria que ser “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), de Ang Lee, não por ser um filme gay, que até não era, pois sempre considerei este filme uma belìssima história de amor, que tinha a particularidade de ser entre dois homens, apenas isso; aquelas paisagens, a música, as interpretações, a contenção de um argumento que noutras mãos poderia ter resvalado para um filme banal e talvez até mal compreendido, tudo isso e duas ou três cenas que farão SEMPRE parte do meu imaginário, como o beijo do reencontro, a cena com os pais de Jack e a cena final, que é impossível não humedecer os olhos, não me fizeram hesitar.
Na categoria de comédia/sátira, após uma enorme batalha de várias frentes, em que o principal vencido foi “Quanto mais quente, melhor”, acabou por vencer um filme excepcional de um génio do cinema: “O Grande Ditador” (1940), de Charlie Chaplin, esse mago da Sétima Arte, que não poderia ser esquecido e também é o único filme dos 5 escolhidos a preto e branco; é uma sátira feroz, e nada é mais forte do que aquilo que se diz em geito de comédia: fabuloso!
Em relação ao filme europeu, foi onde a luta foi mais feroz, pois eu sou um amante do cinema europeu, por natureza; não esqueço a trilogia italiana de Felinni, Visconti e Antonionni, a fria mas admirável mensagem de Bergman, o encanto dos filmes de Wim Wenders, a descoberta de um cinema “diferente” em Almodôvar ( “Tudo sobre minha Mãe” é magnífico), alguns nomes da nouvelle vague francesa – Godard, Truffaut e outros, enfim, um manancial inesgotável de filmes magníficos; o eleito acabou por ser um “fresco” admirável de Visconti com a sua passagem ao cinema do livro de Lampedusa, “O Leopardo” (1963), de Luchino Visconti, um realizador que nos deu “O Grito”, “Rocco e os seus irmãos”, “Belíssima”, “Senso” e tantos outros, um homem ambíguo e magistral, quer na sua dualidade burguesia/comunista, quer na sua faceta de homossexual que sabia dosear sem explorar a sexualidade de alguns dos seus intérpretes masculinos (Bogard genial em “Morte em Veneza”, Delon e Helmut Berger, ambos algo mais que simples intérpretes dos seus filmes).

Agora resta-me endereçar o desafio a cinco pessoas que tenham verdadeiro prazer em explorar este tema; se há alguns amigos que tenho a certeza que gostarão do desafio, outros será um puro instinto: assim gostaria de ter o “depoimento” do Tonghzi, Maurice, Jasmim, Paulo (Felizes juntos) e Luís Galego (Infinito pessoal). Vamos lá, não sejam “desmancha-prazeres”…

sábado, 22 de dezembro de 2007

Um conto de Natal


Todos os anos, pelo Natal, eu ia a Belém. A viagem começava em Dezembro, no princípio das férias. Primeiro pela colheita do musgo, nos recantos mais húmidos do jardim. Cortava-se como um bolo, era bom sentir as grandes fatias despegarem-se da areia, dos muros ou dos troncos das árvores velhas, principalmente da ameixieira. Enchia-se a canastra devagar, enquanto a avó ia montando o que se chamaria hoje as estruturas, ou mesmo infraestruturas, junto da parede da sala de jantar que dava para o jardim. Eram caixotes, caixas de chapéus e de sapatos viradas do avesso, tábuas, que pouco a pouco ela ia cobrindo de musgo, ao mesmo tempo que fazia carreiros e caminhos com areia e areão. Mais tarde os rios e os lagos, com bocados de espelhos antigos, de vidros ou mesmo de travessas cheias de água. Até que todos os caixotes, caixas e tábuas desapareciam. Ficavam montanhas, planícies, rios, lagos. Era uma nova criação do mundo. Aqui e ali uma casinha ou um pastor com suas cabras. E todos os caminhos iam para Belém. Não era como o presépio da Igreja que estava sempre todo pronto, mesmo antes de o Menino nascer. A cabana, a vaca, o burro, os três reis do Oriente. Maria, José, Jesus deitado nas palhinhas. Via-se logo que era a fingir. Não o da avó, que era mais do que um presépio, era uma peregrinação, uma jornada mágica ou, se quiserem, um milagre. Nós estávamos ali e não estávamos ali. De repente era a Judeia, passeávamos nas margens do Tiberíades, andávamos pelo Velho Testamento, João Baptista baptizava nas águas do Jordão e aquele monte, ao longe, podia ser o Sinai ou talvez o último lugar de onde Moisés, sem lá entrar, viu finalmente a terra onde corria o leite e o mel. Mas agora era o Novo Testamento. A avó ia buscar as figuras ao sótão, eram bonecos de barro comprados nas feiras, alguns mais antigos, de porcelana inglesa, como aquele caçador que a avó colocava à frente dizendo: Este é o pai. Seguia-se a mãe, de vestido comprido, dir-se-ia que ia para o baile, mas não, saía de cima de uma mesinha da sala de visitas e agora estava ao lado do pai, olhando levemente para trás onde, entretanto, a avó já tinha colocado figuras mais toscas, eu, a minha irmã, os primos, alguns amigos, todos a caminho de Belém. - E a avó?, perguntava eu. - Eu já estou velha para essas andanças. De dia para dia mudávamos de lugar. E todas as manhãs deparávamos com novas casas, mais rebanhos, pastores, gente que descia das serras, atravessava os rios e os lagos. Os caminhos ficavam cada vez mais cheios. E todos iam para Belém. À noite tremulavam luzes. Acendiam e apagavam. Mas ainda não se via a cabana, nem Maria, nem José. Então uma noite, entre as estrelas do céu, aparecia uma que brilhava mais que todas. - Esta é a estrela, dizia a avó. E era uma estrela que nos guiava. Na manhã seguinte lá estavam eles, os três reis do Oriente, Magos, explicava o pai, que também não dizia Pai Natal, dizia S. Nicolau, talvez por influência de uma misse de origem russa que em pequeno lhe falava de renas e trenós e de S. Nicolau atravessando as estepes. Cheirava a musgo na sala de jantar. Cheirava a musgo e a lenha molhada que secava em frente do fogão. E os Magos lá vinham, a pé, de burro, de camelo. Traziam o oiro, o incenso, a mirra. Às vezes nós, os mais pequenos, juntávamo-nos e cantávamos: “Os três reis do Oriente / Já chegaram a Belém.” - Não chegaram nada, atalhava a avó, ainda não. Estávamos cada vez mais perto. E também nervosos. Confesso que às vezes fazia batota. Empurrava-nos um pouco mais para a frente, para mais perto de Belém e do lugar onde eu sabia que mais tarde ou mais cedo a avó ia pôr a cabana. Mas ela descobria. - Não lucras nada com isso, podes apressar toda a gente, não podes apressar o tempo. Cada vez havia mais luzes na Judeia. Por vezes surgiam novos lagos, eram mistérios da minha avó. E a estrela lá estava, a grande estrela de prata que brilhava mais do que todas as outras, às vezes eu ia à janela e via a projecção daquela estrela, ficava confuso, já não sabia se era a estrela da sala ou uma estrela do céu, era uma estrela nova, uma estrela de prata, era uma estrela que nos guiava. No céu, na sala, na Judeia, talvez dentro de nós. Até que chegava o primeiro dos grandes momentos solenes. A avó chamava-nos ao sótão ( nós dizíamos forro ), abria uma velha arca e desempacotava a cabana. Depois, muito comovida, quase sempre com lágrimas nos olhos, as figuras de Maria e José. - Não há nada tão antigo nesta casa, já eram dos avós dos meus avós. Impressionava-me sobretudo o manto muito azul de Maria e o rosto magro, quase assustado, de José. A avó limpava-os com muito cuidado e mandava-nos sair. Nunca nos deixou ver o resto. À noite, quando regressávamos da missa do galo, a que a avó não ia, chegávamos a casa e finalmente estávamos em Belém. A estrela brilhava intensamente sobre a cabana, Maria e José debruçavam-se sobre o berço, onde Jesus, todo rosado, deitado nas palhinhas, agitava os braços e as pernas, envolvido pelo bafo quente dos animais, enquanto os três reis do Oriente, agora sim, chegavam a Belém para depositar aos pés do Menino o oiro, o incenso, a mirra. E vinham os pastores, e vinha o pai, de caçador, a mãe, de vestido de baile, e vínhamos nós, eu, a minha irmã, os primos, não éramos de porcelana nem de barro, estávamos ali em carne e osso, era noite de Natal, uma estrela nos guiava, brilhava sobre a Judeia e sobre o presépio, brilhava cá fora entre as estrelas, brilhava dentro de nós. Naquela noite, naquele momento, nós não estávamos na sala de jantar em frente do presépio, tínhamos chegado finalmente a Belém para adorar o Menino ao lado de Maria e José e dos três reis do Oriente, Magos, não conseguia deixar de corrigir o meu pai. Mas mágica, verdadeiramente mágica era a avó. Era ela que fazia o milagre da transfiguração, trazia o Natal para dentro de casa e levava-nos a todos até Belém. O cheiro a musgo e a lenha. Os montes, os vales, os rios, os lagos. Caminhos e caminhos que iam para Belém. E a estrela de prata, a estrela que nos guiava. Era uma estrela no céu, dentro de casa, dentro de nós. Pela mão da avó ela brilhava. Pela sua magia Belém estava dentro de casa. E a casa também ia até Belém. Mais tarde, muito mais tarde, eu estava no exílio. Na noite de Natal os revolucionários ficavam tristes e nostálgicos. Talvez recordassem outras avós, outros presépios, outros lugares. Reuniam-se em casa deste ou daquele, improvisava-se uma árvore de Natal, trocavam-se presentes. Mas ninguém, nem mesmo os mais duros, os que faziam gala em dizer que o Natal para eles não significava nada, nem mesmo esses conseguiam disfarçar uma sombra no olhar. Saudade, dir-se-á. Mas talvez fosse mais do que saudade e solidão e o pior de todos os exílios que é o de se sentir estrangeiro no mundo. Talvez fosse a consciência de que, para lá de todas as crenças ou não crenças, havia um irremediável sentimento de perda. Muitas vezes me perguntei o que seria. Mas não conseguia responder. Sentia o mesmo aperto, o mesmo buraco por dentro, o mesmo sentimento de algo para sempre perdido. Uma noite de Natal, em Paris, eu estava sozinho. Comprei uma garrafa de vinho do Porto, mas não fui capaz de bebê-la assim, completamente só, num quarto de criada de um sexto andar numa velha rua do Quartier Latin. Peguei na garrafa e fui até aos Halles. Procurei o bistrot onde costumava comer uma omelete de fiambre. Felizmente estava aberto. Pedi a omelete e abri a garrafa. Havia mais três solitários no bistrot, um velho de grandes barbas, um tipo com cara de eslavo, um africano. Convidei-os para partilharem comigo a garrafa de Porto, que não resistiu muito tempo. Encomendámos outras bebidas. - Conta uma história de Natal do teu país, pediu o velho. - Só se for a do presépio da minha avó. - Então conta. Eu contei. Era já muito tarde e o patrão disse-nos que queria fechar. Chegados à rua o africano apontou o céu e disse-me: Olha. E eu vi. Uma estrela que brilhava mais que as outras estrelas. Era uma estrela de prata. A estrela da avó. Brilhava no céu, brilhava outra vez dentro de mim, quase posso jurar que brilhava dentro dos outros três. Então eu perguntei ao africano como se chamava. E ele respondeu: - Baltazar. Perguntei ao velho e ele disse: - Melchior. E sem que sequer eu lhe perguntasse o eslavo disse: - O meu nome é Gaspar. Era noite de Natal e talvez ainda por magia da avó eu estava na rua, em Les Halles, com os três reis do Oriente, Magos, diria o meu pai. - E agora? perguntei a Baltazar. - Agora, respondeu o africano apontando a estrela, agora vamos para Belém."

(Manuel Alegre)
Desejo a todos os meus Amigos, que nesta ápoca natalícia, encontrem uma estrela de prata e a sigam...até à Felicidade. Boas Festas!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

"Vecchio Frak"



Mar_maria, como vês, não caíu "em saco roto" esta canção emocionante, de uma das mais belas vozes que a Itália já deu ao mundo, na canção ligeira, o "enorme" Domenico Modugno.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Quantos conheces tu?


O Catatau teve a amabilidade de me mandar esta fotomontagem, que acho interessantìssima. Com a sua amável autorização aqui a compartilho, pois é um interessante jogo, ir descobrindo, com a ajuda de alguma ampliação tantas personalidades, que à primeira vista nos passariam desapercebidas, e ao mesmo tempo recordar essas mesmas personagens, umas que ficaram na História por altos valores de vária ordem, outras, por actos infelizmente, pouco gratificantes, mas todas elas de reconhecido interesse nos diferentes aspectos que a Vida nos vai trazendo.

Divirtam-se e uma palavra de agradecimento a este "tipo" que teima em não ter um blog, mas devia ter, o Catatau.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Jacques Prévert


“Pai nosso que estais nos céus
Neles permanecei
E nós ficaremos sobre a terra
Que às vezes é tão bela.”


Estas palavras são de Jaques Prévert, o primeiro poeta que li na minha juventude, mesmo antes de Pessoa, Botto, Florbela Espanca e Cesário Verde ( a excepção terá sido Camões, por imperativos escolares); nessa fase eu devorava os “Le livre de poche”, que me deram a conhecer os grandes nomes da literatura francesa do século XX: André Gide, Albert Camus, Roger Peyrefitte, Boris Vian, Jean Paul Sartre, Marguerite Duras, Jean Cocteau, Françoise Sagan, Roger Vailland e tantos outros.
Li por diversas vezes “Paroles” aonde ainda hoje volto, assim como “La pluie et le beau temps”, “Spectacule” e “Histoires”.


Jacques Prévert nasce em 190o, em Neuilly-sur-Seine, França, onde passa a sua infância. Seu pai, André Prévert, crítico de dramaturgia, leva-o sempre ao teatro e sua mãe, Suzanne Catusse, inicia-o na leitura. Aos 15 anos, com o certificado de estudos básicos, ele sai da escola e começa a fazer pequenos trabalhos. Convocado para o serviço militar, ele vai para Saint-Nicolas-de-Port, onde encontra Yves Tanguy, antes de ser enviado para Istambul, onde conhece Marcel Duhamel.
Em 1925, participa do movimento surrealista, junto com seu grupo, formado por Marcel Duhamel, Raymond Queneau e Yves Tanguy. Mas Prévert, com seu espírito independente, não consegue permanecer por muito tempo em um mesmo grupo, seja ele qual for.
Escreveu os grandes filmes franceses realizados entre 1935-1945: Drôle de Drame, Le Quai des Brumes, Hotel du Nord, Le Jour se Lève, Les Enfants du Paradis de Marcel Carné. Os seus poemas são transformados em música por Joseph Kosma (Les Feuilles Mortes). Ele começa a escrever peças de teatro.
Sua filha Michele nasce em 1946. Casa-se com Janine Tricotet em 1947. Por iniciativa de sua esposa, que tenta afastá-lo das “tentações de uma vida dissoluta”, eles deixam Antibes para morar em Omonville-la-Petite, na Manche, onde morre aos 77 anos, de cancro do pulmão
Prévert revoluciona o discurso tradicional, através do jogo de palavras. A sua poesia é constantemente construída com jogos de linguagem (calembur, neologismos, lapsus propositais, invenções...) com os quais o poeta consegue efeitos cómicos inesperados (um humor por vezes negro), duplos significados e imagens insólitas.
Os seus poemas também são ricos em jogos sonoros, combinações que brincam com a audição (aliterações, rimas e ritmos variados) que podem parecer fáceis, mas que são habilmente utilizadas or Prévert.
Traços de surrealismo ajudam a compor o seu estilo: inventários, listas de objectos, metáforas e personificações.

LE CANCRE

Il dit non avec la tête

mais il dit oui avec le coeur

il dit oui à ce qu’il aime

il dit non au professeur

il est debout

on le questionne

et tous les problèmes sont posés

soudain le fou rire le prend

et il efface tout

les chiffres et les mots

les dates et les noms

les phrases et les pièges

et malgré les menaces du maître

sous les huées des enfants prodiges

avec des craies de toutes les couleurs

sur le tableau noir du malheur

il dessine le visage du bonheur.



O CARANGUEJO *

Ele diz não com a cabeça

mas diz sim com o coração.

Ele diz sim só ao que ama

mas diz não ao professor.

Está de pé

e interrrogam-no

mas são problemas demais.

Morre de rir - de repente

-e apaga tudo o mais

os algarismos e os nomes

as datas e as palavras

e as frases de emboscada.

O professor ameaça-o

sob a vaia dos meninos

( os geniozinhos da classe)mas ele, ele trabalha

com giz de todas as cores

no quadro-negro das dores

desenha o rosto da felicidade.


(* Le cancre

o caranguejo, em linguagem familiar,designa também o menino preguiçoso ou vadio. )

sábado, 15 de dezembro de 2007

Kosovo


Está a acabar a presidência portuguesa da União Europeia, a última, pois com o novo Tratado de Lisboa, deixará de haver presidências rotativas.
Não serei a pessoa indicada para fazer uma análise do modo como decorreu esta presidência, tendo no entanto bastado estar atento para entender que ela ficou marcada pelo acordo que deu origem ao Tratado de Lisboa, assinado esta semana, com pompa e circunstância; abstenho-me de o comentar, apenas dizendo que com ele, se saiu de um impasse político, que durava há anos, e obstava importantes desenvolvimentos da União Europeia, que congrega hoje a grande maioria dos estados europeus.
Também foi um ponto alto a cimeira (sem resultados práticos visíveis) EU – África, com todo o “folclore” e alarido de Kadhaffis e Mugabes.
Um outro tema, que estaria na agenda da nossa presidência e que irá transitar para a seguinte, da Eslovénia, é a questão do Kosovo, menos mediática, talvez, muito menos importante para nós, portugueses, pelo menos directamente, mas extremamente difícil de resolver.
Para mim, que tenho um relacionamento afectivo muito forte com um jovem sérvio – Déjan, este texto é-te dedicado – e que tenho por isso alguma maior informação, é mesmo um assunto muito importante e é o único, felizmente, ponto de eventual conflitualidade na Europa, hoje em dia. Não quero ser suspeito de simpatias e sempre me habituei a ver os factos objectivamente, e daí a análise que faço, ser racional e não emocional, pelo menos até que factos diversos me sejam apresentados.
Toda a gente conhece a fratricida guerra dos Balcãs, que levou ao desmembramento da antiga Jugoslávia num conjunto de países, alguns de uma forma não violenta, como a Eslovénia, a Macedónia e mais recentemente Montenegro; outros, com formas de rara violência, numa guerra que envolveu irmãos desavindos por credos e etnias, mais do que por outras razões: Bósnia- Herzegovínia e Croácia.
A questão das maiorias étnicas foi a causa de muitos massacres e atrocidades de todas as partes, mas o odioso, o papel de mau, recaiu sempre só para uma parte, para a Sérvia, e essencialmente por culpa de um homem, que encarnava em si próprio, tudo o que de mal e cruel um ser humano pode ser – Milosevic!
Mas do lado croata, maioritariamente católico, e desde sempre protegido pela EU, com a Alemanha à cabeça, e do lado muçulmano Bósnio, que soube capitalizar a seu favor todo um trágico cerco sérvio, ordenado por Milosevic a Serajevo, também muita violência e massacres haverá a assacar.
Assinada a paz em Dayton, restava o caso do Kosovo, uma região do território sérvio, cuja maioria populacional é de etnia albanesa, e que Milosevic sempre recusou entregar às mãos das Nações Unidas, tendo sido a isso forçado pelos bombardeamentos da Nato a Belgrado e outras cidades sérvias, dos quais ainda há hoje vestígios de prédios esventrados numa das principais avenidas de Belgrado. Ocupado o Kosovo por forças militares da ONU e que aí permanecem desde então (entre as quais, um contingente português), a paz tem sido mantida, assim como se mantém a disputa política entre kosovares e sérvios, pretendendo os primeiros a independência e apenas concedendo os sérvios uma determinada autonomia.
A razão apontada pelos kosovares de terem uma maioria demográfica significativa para obterem a independência, não a entendo totalmente, pois sendo albaneses, seria mais lógico una anexação à Albânia, que até tem fronteiras comuns, mas eles querem é a independência; e porque não, os sérvios reivindicarem parte do território bósnio, já que cerca de metade da população daquele país é sérvia?
Do lado da Sérvia, a razão é essencialmente histórica, além de geográfica, pois ser-lhes-ia amputado uma parte muito significativa do seu já não muito grande território (não esquecer que a independência recente de Montenegro, além da diminuição do território, lhes retirou o único acesso marítimo ao Mediterrânio), mas principalmente o “coração” desse território, já que a Sérvia nasceu aqui, no território que é hoje o Kosovo (ver foto do post com cena de batalha pela conquista do Kosovo, durante a formação da Sérvia); gostaríamos nós de ver o Minho, onde se situa Guimarães, o berço da nacionalidade portuguesa, tornar-se independente?
Há depois, a visão internacional do problema. Foi acordado, após a deposição de Milosevic, pela ONU e pela EU, que a Sérvia nunca seria privada do Kosovo, e agora esse acordo rasga-se…E porquê? Porque os EUA não querem e estão a forçar as Nações Unidas e principalmente a EU, no sentido da independência. Porquê este interesse americano por um território pobre, sem petróleo ou gás, ou outro qualquer produto essencial à sua economia? Porque existe nos EUA um poderoso “lobbie” pró-albanês, que tem por base o funcionamento naquele território de um centro de droga internacional muito importante, uma espécie de Colômbia europeia ( pode ler-se aqui), e porque desse “lobbie” fazem parte pessoas muito importantes, entre eles o do “insuspeito” e hoje herói ecológico Al Gore…
O único verdadeiro e importante apoio internacional da Sérvia é a Rússia, que sempre apoio Belgrado nesta questão, e apoio esse que será muito difícil de demover pela EU. A própria EU não consegue um consenso político sobre este assunto, com Chipre, a Espanha e a Eslovénia e Grécia, contra (recorde-se a parte turca da ilha de Chipre e as reivindicações das regiões autónomas espanholas, e ainda a proximidade geográfica da Eslovénia e Grécia); e ainda muitas reservas da Roménia e Bulgária.
Portugal passa assim esta “batata quente” para as mãos da Eslovénia, lavando as mãos, qual Pilatos, com um acordo de última hora, de todos os 27, na constituição de uma força civil (???), para a região, a manutenção da força militar da ONU e a continuação de conversações com Belgrado e Pristina (capital do Kosovo), e até “oferecem” facilidades na futura integração da Sérvia na EU, se este país abrir mão do Kosovo, o que é uma manifesta chantagem política; em contrapartida, obtiveram a garantia de que os kosovares não declararão unilateralmente a independência nos próximos tempos.
Por mim, agradeço, pois estarei em Belgrado de 10 a 27 de Janeiro, e a última coisa que gostaria, era de ser apanhado no meio de um conflito. Desejo e muito é ser apanhado nos braços do Déjan.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Abusos linguísticos


Um homem chega ao restaurante, senta-se e, acenando com o braço, diz:
- Faz favor: frango frito, favas, farinheira...
- Acompanhado com quê?

- Feijão.
- Deseja beber alguma coisa?
- Fanta fresca.
- Um pãozinho antes da refeição?
- Fatias fininhas.
O empregado anota o pedido, já meio intrigado: "o tipo fala tudo com F's!"
Depois do homem terminar a refeição, o empregado pergunta-lhe:
- Vai querer sobremesa?
- Fruta.
- Tem alguma preferência?
- Figos.
Depois da sobremesa, o empregado:

- Deseja um café?
- Forte. Fervendo.
Quando o cliente termina o café:
- Então, como estava o cafézinho?
- Frio, fraco. Faltou filtrar formiguinha flutuando.
Aí o empregado pensa: "Vamos ver até aonde é que ele vai".
- Como é que o senhor se chama?
- Fernando Fagundes Faria Filho.
- De onde vem?
- Faro.
- Trabalha?

- Fui ferreiro.
- Deixou o emprego?
- Fui forçado.
- Por quê?
- Faltou ferro.
- E o que é que fazia?
- Ferrolhos, ferraduras, facas... ferragens.
- Tem um clube favorito?
- Fui Famalicense.
- E deixou de ser porquê?
- Futebol feio farta.
- Qual e o seu clube, agora?
- Farense.
- O senhor é casado?
- Fui.
- E sua esposa?
- Faleceu.
- De quê?
- Foram furúnculos, frieiras... ficou fraquinha... finou-se.
O empregado de mesa perde a calma:
- Olhe! Se você disser mais 10 palavras começadas com a letra F... não paga a conta. Pronto!
- Formidável, fantástico. Foi fácil ficar freguês falando frases fixes.
O homem levanta-se e dirige-se para a saída, enquanto o empregado ainda lança:
- Espere aí! Ainda falta uma!

O homem responde, sem se virar:
- Faltava.
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Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor Português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar Panfletos.

Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.

Partindo para Paris, passou pelos Pirinéus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se, principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.

Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profunda privação passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.

Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... - Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo. - Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.

Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal.

Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: - Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? - Papai, - proferiu Pedro Paulo - pinto porque permitistes, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro!

Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaus, piabas, piaparas, pirarucus. Partiram pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.

Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.

Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas.

Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...

Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar.

Pensei. Portanto, pronto: Pararei!·

PORRA !

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Forever Young




Em contraste com a graçola do post anterior, e por sugestão, a qual agradeço, da boa amiga Mar_maria, eis uma canção de Bob Dylan , interpretada por uma Senhora que não precisa de plásticas para continuar a ser muito atractiva e com a voz de sempre: Joan Baez!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Conversa de "tias"


Olá! Conta-me...Como correu o teu encontro na outra noite?
- Horrível! Não sei o que se passou!
- Porquê?... Não te deu nem um beijo?
- Sim!!!...Beijou-me tão forte! E mordeu-me os lábios com tanta força que pensei que me ia saltar o implante de colagénio!... Depois começou a acariciar-me o cabelo e soltaram-se algumas extensões que tinha.
- Não me digas que terminou aí?
- Nãooo...!! Depois agarrou-me a cara entre as mãos, até que tive que lhe pedir para parar porque estava a espalhar o botox! Além disso , as minhas pestanas postiças ficaram coladas no seu nariz.
- E não tentou mais nada?
- Sim...começou a fazer-me festas nas pernas. Tive que o travar porque me lembrei que não tinha tido tempo de fazer a depilação, e ao tentar pará-lo, saltaram-me duas unhas postiças. Depois deu-lhe um ataque de luxúria arrebatador e abraçou-me com tanta força que quase mudou a forma dos meus implantes de silicone.
- E depois o que aconteceu?
- Pôs-se a beber champanhe do meu sapato!
- Ai...que romântico!!!
- Romântico?...quase que morre ali mesmo!
- Porquê?
- Porque engoliu o corrector de joanetes e quase que sufocou!
- E depois, o que aconteceu?
- Acreditas que se foi embora???
- Cá para mim, era maricas!...

domingo, 9 de dezembro de 2007

"Quem pode impedir a Primavera..."


“Quem pode impedir a Primavera

Se as árvores se vão cobrir de flores

E o homem se sentiu sorrir à Vida?

Quem pode impedir a surda guerra

Que vai nos campos deslocando as pedras

-Mudas comparsas no ritmo das estações-

E da terra inerte ergueu milhares de lanças

Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite

Em que a luz aquosa se derrama

Como um mar infinito onde o arado

Abre caminhos misteriosos à seiva inquieta!

Quem pode impedir a Primavera

Se estamos em Maio e uma ternura

Nos faz abrir a porta aos viandantes

E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos!

Quem?...

Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!”


(Ruy Cinatti)




sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Um homem e um peixe

Este filme ganhou, no último festival de cinema de Berlim, o prémio da melhor curta metragem.
Às vezes, os sonhos levam-nos a realidades bem positivas...

domingo, 2 de dezembro de 2007

Da previsível velhice á inevitabildade da morte


Esta semana morreu o Zé; não era meu familiar, nem sequer um amigo grande; era “apenas” o marido de uma das pessoas que me são mais queridas, a mulher que me ajudou a criar, e da qual já falei aqui no blog, mais que uma vez e que é hoje uma Senhora com 81 anos, a Lurdes.

O Zé estava com Alzheimer, há 7 anos, era uma árvore ali plantada em casa e fez-me uma imensa impressão, quando os visitei em Manteigas, onde residiam, a última vez, vai fazer em Janeiro um ano.

Não foi um casamento jovem, foi antes um casamento maduro de duas pessoas que encontraram uma na outra o amparo, a companhia e a Amizade que ambas necessitavam, mas foi um casamento feliz; não houve filhos desse casamento, ou por opção ou por impossibilidade; daí, a Lurdes estar agora só, irremediàvelmente só, na sua velhice, algo incapacitada fìsicamente devido a uma queda com sequelas não devidamente tratadas; e se “aliviada” dos trabalhos dos últimos anos ( não é tarefa fácil, com a sua idade e só, tratar de uma pessoa que já nem a conhecia...), está agora muito só, terrivelmente só!

É por isso, por gostar muito da Lurdes, que sofri bastante com a morte do Zé.

Que vai ser desta mulher agora?. Ela disse-me; “Olhe menino (hei-de ser sempre menino para ela), agora vou viver da caridade dos vizinhos”; ela tem irmãos, dois em França, onde ela e o Zé viveram grande parte da sua vida activa, e uma irmã, de 88 anos, quase cega, e que de momento lhe faz companhia.

Eu e os meus irmãos, os “seus meninos”, oportunamente iremos ter uma conversa com ela, para indagar dos eus teres e haveres e combinar o que fazer para lhe dar um fim de vida digno. É isto a velhice..

Não só cá, mas em todo o lado, defendem-se sempre as crianças, e bem, pois são indefesas; mas, e os velhos...que esquecidos são e quão indefesos ficam também em tantos casos...

Eu não tenho um medo especial da morte, tenho algum receio de uma morte penosa, isso sim...Mas tenho um imenso medo da velhice, não poque me torture, mas porque sinto que não suportarei nunca, ser um fardo para ninguém; e, como a Lurdes, eu não tenho filhos, que um dia velem por mim, nos últimos anos; dessa dependência de outrém, tenho realmente, muito medo.

Já não sou novo, embora não me considere velho, mas já iniciei a “descida do monte”, e não é por isso que penso tanto na velhice nos últimos tempos; é mais por ver a minha Mãe, com os seus 85 anos, e que apesar de até hoje, não ter tido qualquer problema grave de saúde, fora as naturais limitações que a idade lhe traz, vai tendo a sua chama, que sempre foi alta e viva, a apagar-se lenta, mas inexoràvelmente, ano após ano, dia após dia...Até quando?

É essa certeza que a sua chama se vai extinguir, que não me sai da cabeça, embora saiba que esse é um dado absolutamente implacável e previsível, na sua essência.

Por tudo isto, foi esta semana, para mim, uma semana de luto e de muita reflexão.


Este texto foi repescado para ser inserido no tema de Fevereiro (A Velhice), da Fábrica de Letras.